Discografia

As idas e vindas do pop internacional

Transitando entre o que construíram no passado e a conexão com o presente, três nomes bastante conhecidos do pop internacional lançaram discos recentemente. A primeira foi a piradinha Sinéad O’Connor que volta How about I Be me (Lab 344), lançado cinco anos após o arrastado Theology. Embalado numa linda ilustração de Neil Condron, o nono trabalho da irlandesa recoloca sua voz delicada a favor de boas canções. A produção é de John Reynolds (Damien Rice e Andrea Corr) que destaca o balanço e a emoção da intérprete de Nothing compares 2 U em 10 canções inéditas.

Logo da abertura, 4th and vine empolga pelo ritmo marcado e pela letra cheia de ironia. Aliás, ironia é algo que não falta neste nono disco de uma cantora que preferiu dedicar seus últimos anos a atentar contra a própria vida, contra a igreja e contra a própria carreira. Nessa linha, V.I.P. despeja veneno sobre as telecelebridades enquanto Take off the shoes dispara contra as denúncias de pedofilia nas igrejas. Por outro caminho, a balada Reason with me tem sido apontada como uma de melhores canções de Sinéad.

Bem mais ajuizados, o Erasure se mantém unido há 25 anos fazendo o que mais sabe: música pra pista de dança. Formada apenas por voz (Andy Bell), teclados e guitarra (Vince Clarke), a dupla acaba de lançar seu 14º álbum, Tomorrow’s world. Produzido por Frankmusik (Lady Gaga), nome artístico do jovem artista eletropop Vincent James Turner, o disco deita apenas nove composições (exatos 31 minutos) numa cama de teclados meio modernos, meio oitentistas. O destaque fica para a balada espacial You’ve got to save me right now. Bem menos inventivos do que os irmãos de época Pet Shop Boys, o Erasure parece ter feito um disco para ser ouvido durante a ginástica.

Já em se tratando desses retornos já há muito esperado pelos fãs, Roses traz o quarteto Cranberries de volta à cena depois de 11 anos afastados para darem conta das carreiras individuais. Já em turnê há algum tempo, a banda voltou a se reunir com a vocalista Dolores O’Riordan, que chegou a lançar um disco solo em 2007, para compor e tocar junto. Curiosamente, o novo disco guarda tudo que os irlandeses fizeram uma década atrás. É como se o tempo não tivesse corrido, desde o lançamento Wake up and smell the coffe (2001), último disco antes do recesso.

Em Roses, volta a voz única de Dolores, o rock inocente e a influência folk celta. Pra quem gosta de canções simples e bem feitas, este disco tem várias, como Tomorrow e Astral projections. São 11 faixas que, embora não tenha a pretensão de inovar, recriar ou atualizar, mantém vivo um trabalho que fez muitos fãs pelo mundo há cerca de 20 anos.