Discografia

Os cinco melhores discos da música dos cearenses

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Por Nelson Augusto

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Apesar de acompanhar com o ofício maior de colecionador de discos também da música criada pelos autores cearenses, a partir da década de 70, não nego que nos anos anteriores, outros lançamentos tenham sido importantes e projetaram inclusive para o Brasil inteiro, as obras dos cantautores alencarinos.

Sei que, na época do que se chamava “disco de cera”, os quais traziam uma música de cada lado e eram o formato da divulgação da música até 1964, vários deles, se tornaram sucessos populares do norte ao sul, em suas épocas, nas interpretações de Gilberto Milfont, Vocalistas Tropicais, Trio Nagô e o 4 Ases e 1 Coringa, entre outros, nas décadas 40 e 50.

Assim, cronologicamente, o primeiro do minha lista dos melhores, que inclusive conheci o áudio já na década de 90, quando foi lançado em CD, é o álbum Ceará, Terra da Luz disponibilizado originalmente no formato de vinil, em 1965, quando dos 30 anos da Ceará Rádio Clube, conhecida popularmente como a PRE 9. O disco traz vibrantes interpretações de clássicos do passado com criações de Humberto Teixeira, Luiz Assunção, Paulo Neves, Pierre Luz, Lauro Maia, Mozart Brandão, Moacir Ribeiro, Waldemar Ressurreição, Carlos Barros, Euclides Silva Novo e Caetano Accioly, nas vozes de Evaldo Gouveia, Gilberto Milfont, Mário Alves, 4 Ases e 1 Coringa, Catulo de Paula, Epaminondas Sousa, Trio Nagô e Vocalistas Tropicais.

Outro disco, ainda do tempo do vinil, é o lendário O Romance do Pavão Mysteriozo (1974) de Ednardo. O álbum que possui uma atmosfera moderna, proporcionada pelos vigorosos arranjos, e além do registro primeiro de Dorohty Lamour de Petrúcio Maia e Fausto Nilo, traz em sua faixa-título, uma composição que se tornou tema central da telenovela Saramandaia, imortal criação de Dias Gomes. Apesar de ter sido lançada no elepê da Rede Globo, com uma versão editada, sem a introdução original, a composição Pavão Mysteriozo revelou para o grande público brasileiro a batida pulsante do nosso maracatu.

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Ainda na década de 70, considero o álbum Alucinação (1976) do sobralense Antônio Carlos Belchior Fontenele Fernandes, um dos mais importantes de sua época. Além da música que nomina o então LP, traz pérolas do brilho de Apenas um Rapaz Latino Americano, Fotografia 3 X 4, A Palo Seco, Antes do Fim, Velha Roupa Colorida e Como Nossos Pais. As duas últimas, imortalizadas também na voz de Elis Regina no disco e show Falso Brilhante. Como Nossos Pais retorna agora no espetáculo ao vivo Redescobrir, no qual Maria Rita celebra os grandes sucessos de sua mãe e que, brevemente sairá em CD, DVD e Blu Ray.

O álbum duplo Massafeira Livre, primeiramente lançado em 1980 foi recentemente disponibilizado numa luxuosa edição no qual o CD duplo é o recheio de um precioso livro de 312 páginas. Na publicação, em textos de jornalistas especialistas e pesquisadores, fotos da época, o movimento artístico que ganhou o Brasil é resgatado. A sonoridade, agora digital, das canções, traz para a atualidade as vozes de uma geração que já era conhecida pelos talentos de Belchior, Ednardo e Fagner, mais que também revelam Ângela Linhares, Lúcio Ricardo, Mona Gadelha, Régis & Rogério Soares, Vicente Lopes, Chico Pio, Ferreirinha (Francisco Casa Verde), Wagner Costa (Tazo Costa), Sérgio Pinheiro, Ana Fonteles, Calé Alencar, Graco, Pachelly Jamacarú, Teti, Marta Lopes e o nosso saudoso Patativa do Assaré.

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Numa realização da Equatorial Produções, o informativo álbum Lauro Maia – 80 Anos colocado no mercado fonográfico em 1993 nas versões em LP e CD resgata em novos registros e gravações antigas, as versáteis criações do compositor que é nome de rua no Bairro de Fátima e seus parceiros, do nível de Humberto Teixeira e Penélope. Desta maneira, podemos desfrutar dos talentos vocais de Fagner, acompanhado pelo violão de Roberto Menescal em Trem de Ferro; Ayla Maria e Raimundo Arrais em Febre de Amor; Ednardo em Poema Imortal e Rodger Rogério em Deus me Perdoe, num mesmo disco que traz os lançamentos originais das décadas de 40 e 50 do porte de Samba de Roça com Orlando Silva; É Muito Tarde com Gilberto Milfont; Tão Fácil, Tão Bom com Vocalistas Tropicais; Tenha dó de Mim com Ciro Monteiro e Trem ô Lá Lá com Carmélia Alves, só para citar algumas. Bem que esse disco podia ser lançado numa nova edição em 2013, no ano do centenário de nascimento do compositor Lauro Maia.