Discografia

Uma lista que não se acaba

Segundo o escritor cubano, que cresceu na Itália, Ítalo Calvino (1923 – 1985), “um clássico é um trabalho que permanece como pano de fundo, mesmo quando um presente que é totalmente incompatível reina”. Ou seja, se é clássico, veio pra ficar. Ainda assim, eleger o que é clássico ou o que é mais importante sempre gera polêmica e um embate de opiniões. Por isso, nunca existe consenso quando o assunto é elencar as obras mais importantes de um autor, de uma época, de um estilo ou seja lá o que for.

Ainda assim, o desafio do O POVO para eleger o disco mais importante da história da música cearense está no ar. Para elaborar esta lista, foram convidadas nove pessoas com diferentes envolvimentos com a música: Pedro Rogério (professor do curso de música da UFC), Isaac Cândido (cantor e compositor), Mona Gadelha (cantora), Nelson Augusto (jornalista), Dilmar Miranda (professor de Filosofia e pesquisador da MPB), Alan Mendonça (compositor), Juarez Sampaio (sócio da loja Desafinado), Amelinha (cantora) e Alan Moraes (colecionador de discos e DJ). A cada um, foi pedida uma lista com os cinco discos que eles consideram emblemáticos para a história da música cearense.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=GdQdu7YGnWg[/youtube]

Como não poderia deixar de ser, cada lista foi chegando com suas devidas explicações. “Cinco produções não podem representar como as melhores e nem como as minhas preferências no âmbito geral, por que se torna muito reducionista dada a importância das obras e das produções cearenses como um todo”, explica Amelinha que destacou, entre outros, o disco Fausto Nilo, a voz e o verso ao vivo, lançado em 2004. “Além de sua rica e vitoriosa trajetória e contribuição à música cearense como letrista e pensador, é um poeta cantando. Suavidade, intensidade e propriedade na interpretação das canções”, comenta a cantora.

Mona Gadelha concorda na dificuldade de fazer sua lista, ainda assim destacou entre seus preferidos o disco Massafeira (1980), onde ela mesma aparece cantando o blues Cor de sonho. “Sem medo de advogar em causa própria, não posso deixar de fora um dos projetos mais ousados da indústria fonográfica brasileira. Não bastasse a quantidade de artistas levados para o Rio pra gravar, (o disco) teve a proeza de reunir ‘todo mundo’ – do Pessoal do Ceará já estabelecido aos novos que chegavam, incorporando rock, blues, tropicalismo, jovem guarda. Um caldeirão sonoro tão comum na música contemporânea, mas que naquela época gerava discussões acirradas”.

Relembrando também nomes mais antigos da nossa música, Nelson Augusto lembrou da coletânea Ceará, terra da luz, de 1965, nos 30 anos da Ceará Rádio Clube. Espécie de panorama musical cearense, o disco reúne nomes como Quatro ases e Um coringa, Humberto Teixeira, Evaldo Gouveia e Lauro Maia. Deste último ele ainda lembra a homenagem Lauro Maia – 80 anos, lançada no aniversário do músico. “Bem que esse disco podia ser lançado numa nova edição em 2013, no ano do centenário de nascimento do compositor Lauro Maia”, sugere Nelson.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=Fj30sX2k7GQ[/youtube]

Quanto aos nomes mais novos, Kátia Freitas e Cidadão Instigado também foram bem lembrados. Quanto à estreia da cantora cearense em 1995, Isaac Cândido escreveu: “Kátia mostra a cara e o som da geração dos anos 90 em um CD que tem lindas canções como Notícias boas e Anjos”. Já quanto ao quinteto roqueiro que tem à frente o cantor e guitarrista Fernando Catatau, um dos nomes mais influentes da cena atual brasileira, o professor Dilmar Miranda destacou o disco (2002): “O grupo mistura gêneros e estilos de diferentes épocas, realizando um mix de música nordestina com o rock progressivo dos anos 70, bem como incursões na música romântica ‘brega’. Catatau personifica o músico contemporâneo que, além de se empenhar na sua criação artística, tem que se dedicar aos aspectos técnicos da esfera de produção do seu registro como CDs, DVDs, propiciados pelas novas tecnologias digitais bem como os mecanismos alternativos de difusão presentes na internet”.