Discografia

Mart’nália reúne amigos para disco de Carnaval

martnália

Carregada de Carnaval até no nome, a escritora carioca Mirna Brasil Portella acompanha as festas mominas desde seus primeiros anos de vida. Mesmo quando foi morar no Acre, ainda criança, acompanhava as marchinhas e sambas que sua terra natal popularizava a cada início de ano. De volta à Cidade Maravilhosa, onde se formou em Direito com pós-graduação em Formação do Leitor, Mirna decidiu mostrar aos filhos pequenos, Vinícius e Rafael, o que era aquela festa que mexia tanto com ela. Decidiu, então, montar se próprio baile de Carnaval.

Como ela não conseguia localizar as marchinhas de antigamente, ela resolveu criar um songbook onde fosse possível conhecer, entender e ouvir canções inesquecíveis de João de Barro (1907 – 2006), Benedito Lacerda (1903 – 1958) ou Lamartine Babo (1904 – 1963). Essa história começou em 2002 e lhe consumiu cinco anos de trabalho. O resultado chega agora às lojas com o livro Carnavalança.

Lançado pela Escrita Fina Edições, o livro escrito e ilustrado por Mirna Portella conta a história do Carnaval num texto feito diretamente para os pequeninos, com direito a curiosidades como a época em que os confetes eram feitos de açúcar. Passeando dos primórdios europeus até a atualidade da festa mais popular do Brasil, tudo vem de uma forma colorida e lúdica, com direito a glossário da folia, aquarelas e partituras para cada um das canções.

555284_10151227249555911_333821275_nComo se a boa ideia do livro já não bastasse, ela vitaminou o projeto com um disco que apresenta às novas gerações 34 marchinhas clássicas divididas em 16 faixas (e não 17, como está no disco). Para reger a criançada, quem entra na roda é a ilustre família Ferreira. A produção executiva coube a Martinho Filho, que chamou as irmãs Maíra Freitas – para bolar os arranjos – e Mart’nália – para animar a festa. Juntos, eles ainda convidaram o pai Martinho da Vila para colocar sua voz ancestral em Cidade maravilhosa (André Filho).

Encartado no livro e lançado separadamente pela gravadora Biscoito Fino, o resultado da brincadeira é um disco que, ao longo de 50 minutos, deve contagiar a criançada, sem deixar os adultos fora do salão. Responsável pela voz na maior parte das faixas, Mart’nália se esbalda imitando um bêbado em Turma do funil (Milton de Oliveira/ Mirabeau/ Urgel de Castro) ou trocando as sílabas em A jardineira (Benedito Lacerda/ Humberto Porto), antes que Paula Lima chegue e conserte tudo.

Além dos arranjos refrescantes e criativos, Maíra Freitas também divide algumas faixas com a irmã. Mesmo que não tenha o mesmo molejo da escolada Mart’nália, sua voz leve e afinada não faz feio em Marchinha do grande gallo (Lamartine Babo/ Paulo Barbosa) ou Pirata da perna de pau (João de Barro). Sozinha mesmo só em Até quarta-feira (Paulo Sette/ Umberto Silva), que encerra em clima de Monobloco.

A Carnavalança da família Da Vila conta com outros solistas que dão nobreza a este tributo à folia. Chico Buarque soa sublime em As pastorinhas, uma rara parceria de Braguinha e Noel Rosa (1910 – 1937). Tristeza e emoção na medida também em Máscara negra (Hildebrando Matos/ Zé Keti) e Bandeira branca (Laércio Alves/ Max Nunes), ambas interpretadas por Maria Rita. Por fim, filho das noitadas da Lapa, o cantor e compositor Moyseis Marques baixa o tom em Balancê (Alberto Ribeiro/ João de Barro).

Responsável pelos bons arranjos, Maíra Freitas também canta algumas faixas

Responsável pelos bons arranjos, Maíra Freitas também canta algumas faixas

Contando ainda com Luiz Melodia e Evandro Mesquita, cabe todo tipo de brincadeira nesta Carnavalança. Por exemplo, o que acham de uma citação de “I will survive” no medley de Maria sapatão (Chacrinha/ Don Carlos/ João Roberto Kelly/ Leleco Barbosa) e Cabeleira do Zezé (João Roberto Kelly/ Roberto Faissal)? Ou então de começar Allah-la-o (Haroldo Lobo/ Nássara) com um toque de Mutantes? Só mesmo no Carnaval isso é permitido. Pra quem quer esticar os dias de folia, eis aqui um bom motivo.