Discografia

Elba Ramalho baixa o fogo e aposta na simplicidade em Vambora lá dançar

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Elba Ramalho - Vambora Lá Dançar (2013)“Não sou de nenhuma tribo. A minha ciranda não tem roda não. Eu faço de tudo um pouco, mas ninguém viu, ninguém sabe não”. Os versos de Monique Kessous registrados em Frevo meio envergonhado ganham mais sentido por que foram gravados por Elba Ramalho. Aos 61, com 30 discos lançados em 33 anos de carreira musical, a paraibana, sempre ligada às pegadas nordestinas do xote, frevo e forró, já cantou de tudo nessa vida. Do rock ao baião, ela soube colocar sua personalidade à frente de um trabalho que hoje leva o verdadeiro Brasil para muitos cantos do mundo. No entanto, em seu mais novo trabalho, Vambora lá dançar – cujo título foi tirado da mesma canção – ela preferiu apostar mais na simplicidade das canções assobiáveis e dançáveis. Lançado seis anos depois do revigorante Qual o assunto que mais lhe interessa?, álbum independente que viajava de Clara Nunes a Gabriel, o Pensador, Vambora lá dançar vem embebido em doses fortes de palidez, impressa na capa e nas 14 faixas. Lançado pela gravadora carioca Sala de Som, se o disco não é de todo ruim, também não faz jus à mulher que ganhou títulos elogiosos como “fogo do Nordeste” ou “Tina Turner do sertão”. Nessa gangorra de qualidade, há pontos altos, como a faixa de abertura, Embolar na areia, um galope do jovem Herbert Azul eletrificado por doses de guitarra. Tu de lá, eu de cá, da dupla Antônio Barros e Cecéu, é um forrozim de boa linhagem que faz jus a um ritmo tão combalido por conta da onde industrial que o invadiu. Já Deitar e rolar, da mesma dupla, deixa a bola cair por conta da letra cheia de clichês e do arranjo modernoso. O mesmo acontece na supracitada Frevo meio envergonhado, tentativa de Kessous de ser forrozeira. De Chico César e Carlos Rennó, Quando fecho os olhos é uma daquelas baladas feitas para tocar na novela das sete, mas que pouco comove ouvidos mais exigentes. Melhor pular para Por que tem que ser assim?, xote lento e melancólico escrito por Chico Pessoa e Cezinha. A falta de ousadia de Vambora lá dançar também atinge em cheio as boas intenções de Fibra de cristal, balada meio climática de Sérgio Sá, que poderia crescer bastante com um pouco mais de boa vontade. Não chora, não chora não, de Petrúcio Amorim, é forró sem invencionices, feita para botar os pares para dançar na hora do show, assim como Na rede, de Nando Cordel,  e Amor de bumba-meu-boi, esta um tanto mais sem graça, escrita por Rogério Rangel. Elba Ramalho também aproveita Vambora lá dançar para colocar sua voz firme em duas canções recorrentes na voz de outras cantoras. Mas uma vez, o resultado bamboleia. Enquanto Mucuripe, parceria inaugural de Fagner e Belchior, ganha insosso tom abolerado, Onde deus possa me ouvir, de Vander Lee, vira um xote esperto na medida para as rádios. Para encerrar, Vambora lá dançar traz duas boas canções – a tocante Minha vida é te amar, de Dominguinhos e Nando Cordel, e a frenética Forró brasileiro, Cezinha e Fábio Simões – que mostram que o fogo de Elba tá longe de esfriar. Se, aqui, o resultado não foi dos melhores, é só aguardar que logo ela volta à boa forma.