Discografia

Orquestra Criôla joga suingue e elegância em Subúrbio Bossanova

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Formada há cinco sob a batuta de Humberto Araújo, a Orquestra Criôla busca nos velhos nomes do sambalanço o molho ideal para fazer seu som. Ed Lincoln, Luiz Reis, Haroldo Barbosa, Orlandivo e Elza Soares são algumas das matrizes citadas por Humberto no texto de apresentação de Subúrbio Bossanova. Projeto independente, esse é o primeiro CD do combo formado por quase duas dezenas de músicos. Dando pressão nos sopros e cantando histórias cheias de personagens cariocas, Subúrbio Bossanova tem o encanto dos antigos bailes e mistura o samba com outras latinidades. O resultado é um som dançante, gostoso e azeitado. Pra dar mais força a essa estreia, o disco traz um time seleto de convidados. Wilson das Neves surge soberano em Onde o samba nasceu, que levanta hipóteses para a origem da batida brasileira. João Donato traz seu piano virtuoso para Vacilou, dando um molho afro cubano à parceria de Humberto Araújo com Nei Lopes. Gravada em 1966 por Nara Leão, Favela é um samba de Pandeirinho da Mangueira e Jorge Pessoa que se mostra ainda totalmente atual. Figura rara na MPB, Verônica Sabino se mostra segura no samba, seara que poucas vezes ousou se meter. Do Casuarina, João Cavalcanti apresenta Temporal, Atemporal, parceria sua com Humberto. Pra encerrar o disco, Luiz Melodia, intérprete cada vez mais fabuloso, jogo sem balanço para cima de Carinhoso, do mestre Pixinguinha. Mesmo primordialmente autoral, Subúrbio Bossanova traz ainda uma versão coerente de Mon amour, meu bem, ma femme (Cleide). Produzido, arranjado, composto e cantado por Humberto Araújo, a estreia em disco do Orquestra Criôla faz parte de um grupo de trabalhos que vem tentando resgatar a história dos bailes (vide Orquestra Imperial). Mas merece um destaque pelo esmero, cuidado e pelo repertório primoroso.