Discografia

Carla Visi revisita trajetória de Clara Nunes no tributo Pura claridade

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Sucesso na segunda metade dos anos 1990, a baiana Carla Visi despontou para a o grande público quando substituiu Márcia Freire à frente da banda Cheiro de Amor. Dona de um sorriso cativante e de curvas inspiradoras, ele fez fama entre jovens e marmanjos, menos pelos dotes vocais, e mais pela desenvoltura sobre os trios elétricos do eterno Carnaval soteropolitano. No entanto, passados os anos de axé, sua carreira de cantora foi tomando o rumo do exterior com raras aparições no seu país natal. Uma delas foi em 2001, quando lançou Carla Visi visita Gilberto Gil, o tributo ao mestre baiano que inauguraria sua estrada solo. Curiosamente, só 12 anos depois viria o segundo passo dessa estrada solitária. Recém lançado pela Sony Music, Pura claridade é mais tributo, dessa vez a Clara Nunes (1942 – 1983), feito pela morena baiana, que conserva aquele belo sorriso aos 43 anos (completados no próximo dia 31). Pura claridade reúne 17 faixas, das quais apenas duas não fizeram parte do repertório da Mineira Guerreira. Escolhidas, respectivamente, para abrir e fechar o disco, Mineira (João Nogueira/ PC Pinheiro) e Um ser de luz (João Nogueira/ PC Pinheiro/ Mauro Duarte) foram feitas em homenagem a Clara e gravadas, respectivamente, por João Nogueira e Alcione. As demais faixas foram extraídas de cada um dos 15 discos que Clara Nunes lançou ao longo da carreira. O único disco que ficou de fora dessa seleção feita por Ricardo Pinheiro foi Brasileiro: profissão Esperança, um projeto em parceria com Paulo Gracindo que misturava biografia e músicas de Antônio Maria e Dolores Duran. Pelo caráter meio teatral desse álbum, é de se compreender que ele tenha ficado de fora da homenagem de Carla Visi. Já os outros discos todos comparecem em Pura claridade, em ordem cronológica e acompanhadas de um pequeno texto explicativo. Envolta com joias de valor inestimável como Ê baiana (Baianinho/ Fabrício da Silva/ Miguel Pancrácio/ Ênio dos Santos), Morena de Angola (Chico Buarque) e Conto de areia (Romildo/ Toninho), Carla Visi bota pra fora sua simpatia e canta bonito. Mas entra com o jogo perdido. É sempre perigoso falar em definitivo, mas conseguir acrescentar algo ao repertório de Clara Nunes é algo sempre arriscado. Intérprete de leveza arrebatadora, a mineira foi um sonho do qual a música brasileira nunca quis acordar. Sua capacidade de imprimir beleza às canções era única. Mais ainda por que ela contava com um time dourado de músicos, arranjadores e compositores ao seu lado. Contando com arranjos de Rildo Hora, Jota Moraes, Pezinho e Didi Pinheiro, Pura claridade tem sua beleza, mas acaba soando careta, medroso e nada acrescenta às versões originais. Além disso, os convidados do projeto – Paula Fernandes, Pinha, Thiaguinho, Péricles, Xande de Pilares e Daniela Mercury – deixam claro o caráter populista da homenagem. Ou seja, apesar de ter sacudido bonito, Carla Visi abalou bem pouco nesta homenagem.

Faixas de Pura claridade:

1. Mineira (João Nogueira/ Paulo César Pinheiro)
2. Dia de esperança (Jorge Smera) com Paula Fernandes
3. Você passa  e eu acho graça (Carlos Imperial/ Ataulpho Alves)
4. Foi ele (Carlos Imperial)
5. Ê Baiana (Baianinho/ Fabrício da Silva/ Miguel Pancrácio/ Ênio dos Santos) com Pinha
6. Tributo aos Orixás (Mauro Duarte/ Noca da Portela/ Rubem Tavares)
7. Tristeza pé no chão (Mamão) com Thiaguinho
8. Conto de areia (Romildo/ Toninho)
9. O mar serenou (Candeia)
10. Canto das três raças (Mauro Duarte/ Paulo César Pinheiro) com Péricles
11. Coração leviano (Paulinho da Viola) com Xande de Pilares
12. Guerreira (João Nogueira/ Paulo César Pinheiro)
13. Na linha do mar (Paulinho da Viola)
14. Morena de Angola (Chico Buarque) com Daniela Mercury
15. Portela na avenida (Mauro Duarte/ Paulo César Pinheiro)
16. Nação (João Bosco/ Aldir Blanc/ Paulo Emílio)
17. Um ser de luz (João Nogueira/ P. C. Pinheiro/ Mauro Duarte)