Discografia

Carol Andrade lança segundo disco homenageando as compositoras brasileiras

98 5

577203_522237544495829_1434081245_n

Duas coisas chamam atenção na cantora e compositora Carol Andrade. A primeira é sua beleza estonteante de morena brasileira. A segunda é sua voz afinada e macia, que lembra (e muito) o timbre divino da Zizi Possi. Até alguns maneirismos da intérprete paulistana são ouvidos nesta também paulistana de 35 anos, que divide seu tempo entre as atividades de professora de canto e cantora. Desse ofício, está saindo o segundo fruto, o disco Outras mulheres (Kalamata Música). Oito anos depois da estreia com Vida adentro, este segundo trabalho é um homenagem a algumas das mais representativas compositoras brasileiras. De Chiquinha Gonzaga à própria Carol Andrade, o panorama traçado em Outras mulheres ganha volume pela seleção certeira de canções, feita nem só por grandes sucessos. O disco também acerta em cheio nos arranjos singelos, escritos pelo violonista Alex Maia, marido da cantora, e executados por ele, Johnny Frateschi (baixo) e Ricardo Valverde (vibrafone e percussão). Entre a elegância do jazz e a brejeirice, as canções vão mostrando a personalidade de Carol Andrade. É certo que um projeto que agrega compositores famosos tende a ser certeiro e, às vezes, clichê. No caso em questão, certeiro sim, clichê não. A seleção de canções foi em busca do que se adequaria à sonoridade do disco, deixando a cantora à vontade no seu espaço. Como compositora, Carol Andrade se mistura às suas homenageadas e se sai bem. Eis um belo disco para quem ainda não conhece esta bela cantora.

Conheça o disco Outras mulheres faixa a faixa:
1. Estrada do sol (Dolores Duran/ Tom Jobim) – Um dos grandes clássicos da música brasileira ganha um arranjo à sua altura, divido em dois momentos. O segundo, meio valseado, é encantador.

2. Cidade ilusão (Carol Andrade/ Alex Maia) – Se é de homenagear compositoras brasileiras, por que não prestar um tributo a si mesma? A letra esbanja otimismo, coisa que anda faltando na praça. “As nuvens são cinzentas, mas o céu ainda é azul”.

3. Sete véus (Fátima Guedes) – Entre as compositoras brasileiras, ninguém foi mais mulher que Fátima Guedes. Em clima blue/jazz, Carol sensualiza uma das melhores letras da homenageada. Sete véus foi lançada por Alcione, em 1996, e relançada por Fátima três anos depois. Carol dá recado bem dado.

4.Outras mulheres (Joyce/ P.C. Pinheiro) – Se não é das composições mais inspiradas de Joyce, essa se justifica pelo nome e pelo projeto. “Jamais serei tua se tu não me repartires” é um achado.

5. Menina faceira (Chiquinha Gonzaga) – Chiquinha Gonzaga é fundamental em qualquer homenagem às compositoras brasileiras. O arranjo deixa a voz aguda de Carol se sobressair entre palmas, cordas e ritmo.

6. Desalmada (Carol Andrade) – Um autêntico jazz, arranjado em clima de improviso. Carol se mostra uma compositora inspirada e transparece que seu canto ainda tem muito o que mostrar.

7. Metade (Adriana Calcanhotto) – A nova versão, com menos instrumentos e alguns providenciais espaços vazios, busca um caminho próprio. Mesmo com personalidade, e a que mais lembra o original.

8. Outra Vez (Isolda) – Dezenas de intérpretes já mostraram suas versões para este clássico do repertório de Roberto Carlos. Em Outras mulheres, ela interpretada somente ao violão. A preocupação com a afinação deixa tudo muito certinho, mas é bonito.

9. Alvorecer (D. Ivone Lara/ Délcio Carvalho) – Ivone Lara é divina. Numa releitura que valoriza a composição, isso fica claro. Mais uma vez, o arranjo é certeiro.

10. Papel de carta (Carol Andrade/ Alex Maia) – A coragem de se colocar entre tantas compositoras consagradas merece ser valorizada. Mais ainda, Carol foge dos clichês apaixonados e soa com originalidade. “Veja a luz do sol entrar, colorir o céu e plantar uma linda maçã que eu quero provar”

11. Lança perfume (Rita Lee/ Roberto de Carvalho) – Sucesso da fase discoteque da rainha do rock nacional, aqui remete a releituras da própria Rita em seus dois momentos acústicos. Carol Andrade vai mais fundo no jazz e valoriza o recado.

12. Ressalva (Carol Andrade) – Samba com cara de jazz. talvez a menos inspirada da produção autoral, embora também traga seus encantos. “Saiba que a minha saudade tem a validade que o meu coração assim desejar”.

13. Tenho sede (Dominguinhos/ Anastácia) – Esse lamento sertanejo já ganhou várias interpretações, que confirmam que a de Gilberto Gil ainda é a melhor. Carol Andrade canta bonito, mas trata-se de uma canção que exige mais que afinação. Se não se destaca, também não compromete.