Discografia

Com adesões de Tulipa e Felipe Catto, Flavio Tris lança disco de estreia

Flávio-Tris-divulgação

Em 2010, o paulistano Flavio Tris expôs o resultado de uma vida dedicada à música num EP com cinco faixas. Disponibilizado pela Musicoteca, o trabalho chegou à quase 800 downloads, o que é bem pouco para a média do site (mas isso não deve ser levado como elemento para avaliar qualidade). Três anos depois, o cantor e compositor volta para apresentar outras nove canções autorais, unidas a quatro daquele trabalho de estreia. Lançado de forma independente, com apoio do governo paulista, o disco teve produção de Alê Siqueira (Zé Miguel Wisnik e Elza Soares) e foi batizado apenas com o nome do artista. Se dividindo entre o violão e o piano, Capa-Flavio-Tris-2013Flavio Tris se mostra um compositor inspirado, tanto nas letras como nas melodias. Nesse primeiro tópico, o disco traz alguns achados poéticos, e tudo é colocado de forma direta e forte. É o caso de Selva, que trata o ato sexual de uma forma pouco ortodoxa. Ponto pra ele. Pandora também é cheia de beleza, com versos que dizem “Nas cordas do meu peito, nas flechas de fogo e ar, brota uma pandora rubra, dá vontade de cantar”. No assunto melodias, são muitos os bons momentos. Livremente inspirado em Luiz Gonzaga, Asa de São João é um baião moderno, que mantém os olhos na tradição. A voz monocórdica e de poucas variações soa enfadonha, é verdade. Mas a qualidade das composições e dos arranjos disfarça suas limitações de cantor. Pra compensar este aspecto, o time de convidados valoriza bastante o disco. O encontro com Tulipa Ruiz no autêntico bolero Sejas tu soa sublime. Espécie de hino dos notívagos, Sol nosso de cada tempo ganha toques de Beatles com os vocais divididos com Celso Sim. Para encerrar, a marcha de carnaval Tudo ganha um coro luxuoso feito pelas vozes de Celso Sim, Leo Cavalcanti e Filipe Catto. Com tudo cantado em primeira pessoa, Flavio Tris deixa boa impressão nesta que é, de fato, sua estreia. Vale acompanhar seus próximos passos.