Discografia

Depois de homenagem a Dominguinhos, Flávia Bittencourt volta com disco inédito

flaviabittencourtnomovimentoNatural do Maranhão, a cantora e compositora Flávia Bittencourt já viajou muito com sua música. Radicada no Rio de Janeiro, ela já se apresentou em muitos palcos brasileiros, além de Luanda, Angola, Portugal, França, Itália e outros países. Com menos de dez anos de carreira, ela já tem três discos lançados. O primeiro, Sentido, veio em 2005 e até ganhou espaço na trilha da novela América com Terra de Noel. Cinco anos depois foi a vez de Todo Domingos, uma homenagem ao cancioneiro de Dominguinhos (1941 – 2013). Agora chegou a vez de No movimento, trabalho independente feito com apoios do governo do Maranhão e da prefeitura de São Luis. Liquidificando influências pop com suas raízes nordestinas, ela mescla trabalho autoral com interpretações de outros compositores. Entre as conhecidas, Fanatismo (Fagner/ Florbela Espanca) perde força em leitura que privilegia a afinação, no lugar das intenções urgentes da poetisa portuguesa (algo que Fagner fez e faz com maestria). Sucesso da Jovem guarda, Mar de Rosas (Joe South/ V.: Rossini Pinto) ganha registro acústico, que, como virou moda, busca dar ar elegante a um clássico do passado. A presença de Zeca Baleiro na ritmada Parangolé (César Teixeira) funciona como um norte para onde Flávia deseja caminhar em sua carreira. Por isso, assim como em Baleiro, No movimento há uma busca por misturar muitas ideias, sem perder um ar pop radiofônico. O resultado explicita uma certa falta de rumo, ou um desejo de ser aceita em muitos nichos. A afinação impecável chega a ser um problema, onde o risco poderia ser um ganho. Mas há bons momentos neste terceiro disco da cantora. A balada Onde você levar, dividida com o compositor, Alberto Trabulsi, tem uma beleza brejeira, que também aparece em Bambayuque (Zeca Baleiro). Mas o melhor fica para Dente de Ouro (Josias Sobrinho), de arranjo soturno e intrigante.