Discografia

A malandragem saudosa de Moreira da Silva

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0511va0606Depois de relançar parte da discografia de Moreira da Silva (1902 – 2000) em duas caixas, um terceiro lançamento da Discobertas chega às lojas com as primeiras gravações do saudoso malandro. Anos 50 reúne, em três CDs, 47 gravações lançadas em discos de 78 rotações, compactos raríssimos e encerra com O Tal, álbum de 1955 que apresentou os sucessos Acertei no milhar e Na subida do morro. O que faz desta caixa um item de colecionador é o fato dela revelar um Moreira além do samba de breque. Nas gravações, ele canta serestas, pontos de candomblé e marchas de carnaval.

0511va0607Esta terceira caixa vem junto com a reedição da biografia O Último dos malandros (Sonora), de Alexandre Augusto, lançada primeiramente em 1996. O relato do jornalista baiano é sincero e resgata passagens hilárias do carioca boêmio, ex-motorista de ambulância, que seria depois reconhecido como Kid Morengueira. Fino frequentador de bares e cabarés, Moreira transportou para a música o jargão, os trejeitos e a malícia da malandragem da época. Do humor à navalha no bolso, ele fazia música contando casos reais e imaginários de um Brasil do morro.

Apesar da carreira oscilante, Moreira da Silva nunca deixou de ser “o tal”. Menino pobre que teve que se virar para cuidar da família, sua história é tão ou mais inusitada quanto a dos seus personagens. Certa vez, levou um amigo ao palco para substituir um cantor que havia faltado à turnê. Com um detalhe: o amigo não sabia que era pra isso que estava indo ao microfone. Pra piorar, ainda foi apresentado com o nome do faltoso. Apesar de, em casa, ser um pai e marido careta, fora de casa Moreira era um mulherengo inveterado. Adorava a noite dos bares, mas nunca deixava de dormir em casa. Tendo conhecido o cantor em seus últimos anos de vida, Alexandre conta detalhes da intimidade do malandro, sem esconder sua admiração pelo biografado.