Discografia

As sutilezas de Lídia Maria

9103384643_f7f42728e4_bA história de Lídia Maria com a música começa com ela ainda pequena, por volta dos 10 anos. No coral da igreja, a cearense teve as primeiras noções do que é palco e plateia. Gostou e, cerca de dois anos depois, veio o primeiro violão. Em seguida veio uma experiência na banda do SESI da Barra do Ceará, onde foi escolhida para ser crooner de uma big band, e muito estudo. Estava dada a senha para uma estrada que foi se desenhando com vários instrumentos, shows, amigos e professores.

Essa estrada chegou a um ponto decisivo já quase no fim de 2013, quando ela, aos 25, lançou o primeiro CD. Com apoio da Universidade Federal do Ceará e da Secult, Alma Leve traça uma espécie de mosaico de quem a artista Lídia Maria, equilibrando suas porções compositora e intérprete. Equilíbrio também ela busca para tantas influências, que vão rock 80 dos Engenheiros da Hawaii até novas divas brasileiras, como Roberta Sá e Marisa Monte.

Alma leve vem na sequência do EP A casa e a rua, lançado em 2012. Com seis faixas, o EP chegou às mãos do jornalista Paulo Mamede, que se prontificou para produzir um álbum completo. A seguir, foi arregimentar músicos e canções que, acima de qualquer coisa, fizessem sentido para essa trajetória. “Começamos a pensar o repertório no início do ano e eu quis ter (no disco) pessoas com quem já trabalhava”, explica Lídia justificando cada elemento.

Tarcísio Sardinha, por exemplo, foi professor de violão e bandolim de Lídia e participa de Alma Leve como músico e arranjador. São dele os arranjos adocicados feitos para Eu também quero beijar e Pedras que cantam. As músicas de Fausto Nilo – em parceria com Moraes Moreira e Pepeu Gomes, e Dominguinhos, respectivamente – fazem referência ao projeto Dorothy L’Amour, que apresentava as canções do cearense no Carnaval de Fortaleza.

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Embora tenha começado a esboçar as primeiras canções ainda na adolescência, foi somente depois de conhecer o coletivo Bora! que Lídia Maria passou a se assumir como compositora. Sem se preocupar com estilos ou rótulos, ela apresenta em Alma Leve sete exemplares da própria lavra. Tem a valsinha delicada A sós, já apresentada no EP de 2012, e o blues Dança da chuva, onde busca uma interpretação mais sensual. Em ambas, a presença de Cristiano Pinho (guitarra e violão) reforça a ponte da MPB ao rock. Na voz ou na letra, a artista revela uma personalidade de alguém de bem com a vida, como revela na faixa-título (“Não há vento que leve a minha alma leve”). A única parceira de Lídia em Alma Leve é o manifesto Mais amor, por favor, dividida com Alex Ramon. “Eu e Ramon temos uma grande sintonia e entrosamento musical. Foi muito bom poder levar esses dois elementos do palco para estúdio e para criação”, comenta.

Alma leve traz ainda dois presentes que Lídia Maria recebeu de amigos. Forró escondido é um xote de Bárbara Sena, filha de Tarcísio Sardinha que integra, junto com Lídia, o grupo de chorinho Fulô de Araçá. O outro presente é a balada folk Beijos salgados, do compositor de Limoeiro do Norte, Khalil Gibran. “(Essa música foi) feita especialmente para eu cantar. Após canta-la em um show, vi que o público gostou muito. Daí veio a vontade de grava-la”, conta.

Apesar do orgulho de ver o primeiro disco pronto, Lídia Maria percebe ser este ainda o início da história. “Quando o disco ficou pronto, eu passei um tempo pra ficar feliz. Ser artista é massa, mas existe tanto trabalho, tanta perspectiva que você esquece de curtir a parte boa”, revela a artista que se surpreendeu ao ler num diário que o disco era uma meta de 2012, que ela nem lembrava mais. “Ainda estou me sentindo bem no começo da estrada, mas quando eu vejo as pessoas que tocaram… Quando eu olho pra ficha técnica, fico muito maravilhada. Era uma coisa bonita de vê-los trabalhando juntos”.