Discografia

Biografia reforça imagem heroica de Bruce Springsteen

Capa BruceAos 64 anos, o cantor e compositor Bruce Springsteen é uma força da natureza. Vide seu show no último Rock In Rio para confirmar isso. O corpo jovem, a voz firme e a performance eletrizante fazem dele um dos astros do rock mais bem-sucedidos da história com turnês milionárias que dispensam exageros pirotécnicos. Na cola do show no Brasil, saiu também a biografia Bruce (Ed. Nossa Cultura), escrita pelo jornalista Peter Ames Carlin. O grande ganho do livro está no mergulho profundo que o autor faz na vida do astro, desde antes mesmo dele nascer.

O relato começa pelas origens humildes da família Springsteen, na já tão repetida classe trabalhadora de Long Branch, New Jersey. Passando pelos primeiros instrumentos, a primeira banda e as primeiras composições, que eram tidas como um plágio do estilo poético de Bob Dylan, Bruce analisa as minúcias e descreve num relato que deixa transparecer o lado fã de Peter. Para chegar a essas minúcias, o autor teve acesso aos membros da E-Street Band, ex-namoradas, parentes e ao próprio Bruce Springsteen, que deu um relato inédito sobre os fatos.

Nas mais de 500 páginas, Bruce traz um retrato contundente do biografado, inclusive sua capacidade de compor em escala industrial e sua fome pelo sucesso. Tanto que mais de um terço da biografia discorre sobre os momentos que antecederam a consagração internacional. O apelido de “The Boss” (o chefe) também fica claro na forma séria com que Springsteen tratava a banda, dando todas as ordens sobre quem entra, quem sai e até quando eles devem tocar juntos. Nessa busca pelo sucesso, o guitarrista dispensou o uso de drogas – inclusive o álcool – tão comum entre seus colegas de geração. Peter inclusive faz questão de realçar a postura abstêmia do compositor, sem deixar de relatar as vezes em que ele tomou uns goles ou outros.

Como história, Bruce é um livro ótimo. O texto é leve, fluido e bastante informativo. O fato de trazer a descrição completa de cada disco ajuda também a formar uma imagem do roqueiro, sempre apontado como um nacionalista inabalável. Springsteen se defende de tanto amor à pátria e mostra também seu lado crítico. No entanto, o livro não vai necessariamente angariar novos fãs para o astro. Sem história de escândalos, excessos, foi o próprio Bruce Springsteen quem construiu sua imagem e deu motivos para admiração. Logo, o que o livro faz é reforçar essa imagem e esses motivos e não redimir um personagem. Certamente, ele não precisa disso.