Discografia

Stéphane San Juan expõe sua elegância musical em estreia solo

Capa STÉPHANE SAN JUAN (2)Francês de nascimento, Stéphane San Juan morou em Londres e Mali, antes de se instalar, há 10 anos, no Brasil. Por aqui, o baterista tornou-se uma figura requisitada entre os novos compositores e integrou a seleção músico-performática batizada como Orquestra Imperial. E são os muitos músicos deste combo que agora preenchem o disco de estreia de Stephan, Systéme de son. Tendo o francês como língua principal, o primeiro disco solo do músico traz 11 composições feitas em parceria com Domenico Lancellotti, Alberto Continentino, Gustavo Ruiz e outros. O resultado desses encontros é um salada pop sensual e surpreendente, que remete à música de Serge Gainsbourg – uma referência sempre requisitada por quem não conhece a fundo a música francesa, como é o meu caso.

Dono de uma elegância exuberante, Systéme de son passa por campinas pop, vielas jazzísticas e longas estradas ensolaradas. A faixa Étoile filante, por exemplo, parece ter sido feita depois de uma intensa noite de amor. Já Retornando, cantada em português, é uma guitarrada experimental, como se Felipe Cordeiro encontrasse Joyce Moreno para uma conversa musical. A faixa título parece ter saído de um filme dos anos 1970, daqueles com calça boca-de-sino e cabelos armados. Igualmente deliciosa, Soufle moi nos plus beaux moments é um funk de branco, com melodia doce.

Por se tratar de um músico já escolado na cena brasileira, a estreia de San Juan traz participações, no mínimo, luxuosas. Os vocais contam com Tulipa Ruiz, que também sola de leve em alguns momentos. O percussionista Zero também se faz presente, enquanto os “orquestrais” Wilson das Neves, Marlon Sette, Kassin, Pedro Sá seguram as pontas em várias faixas. Com sua voz grave, quase monocórdica, Stéphane San Juan vai do samba ao blues, mantendo uma personalidade bem dosada. Em resumo, um dos destaques nacionais de 2014.