Discografia

Novo disco de Saulo Duarte e a Unidade traz ritmos do Brasil amazônico

Mesmo morando em São Paulo há cinco anos, Saulo Duarte não largou o Norte. Quente, seu novo disco – o segundo da carreira da banda Saulo Duarte e a Unidade –, puxa os ritmos do Pará com toda força nas letras e nas melodias. Lançado em julho deste ano, o disco é carregado pelos temperos de carimbó, percussões e guitarradas que tanto aproximam o músico de sua terra natal e das raízes musicais. “A gente quer situar o disco geograficamente. Uma busca por aperfeiçoar nosso trabalho, com o tema Brasil amazônico”, resume o cantor, compositor e guitarrista que morou em Fortaleza durante a adolescência. Este novo trabalho tem diferenças evidentes em relação ao primeiro álbum, Saulo Duarte e a Unidade (YB Music / Baritone Records, 2013), que trouxe os tons do Norte de forma mais sutil, dando espaço aos acordes da MPB brega.

Muitos ritmos se cruzam nas canções do novo álbum, em um forte diálogo entre o Norte com o restante da América Latina e um tanto com a América Central. A mistura é consequência do processo: as gravações do disco contaram com 26 músicos – tanto nos arranjos, quando nos vocais. “A gente vai acumulando amigos na vida e eu quis que eles fizessem parte desse projeto. O meu interesse é ter a banda e também dialogar com esse pessoal”, diz o músico, referindo a Unidade, formada por Klaus Sena, Túlio Bias, Igor Caracas, Beto Gibbs, e João Leão.

Guitarrista e produtor musical, o paraense Manoel Cordeiro é uma das figuras que aparecem no disco para enriquecer o conjunto de músicos. O filho dele, Felipe Cordeiro, também participa de algumas faixas do álbum, ao lado de Vitor Colares, Daniel Groove, Curumim, Luê, e os cubanos Jorge Ceruto e Luiz de la Hoz, que dirigiram e tocaram os metais, além de tantos outros convidados.

A surpresa do disco fica para a regravação do hit paraense da década de 1980, chamada “Tô que tô… saudade”. Composta pelo cearense Eudes Fraga, a música ficou conhecida na voz de Nilson Chaves e, agora, ganhou nova versão. Saulo conta que tem uma relação afetiva com essa música, por lembrar os domingos em família no Pará. “Minha mãe gosta muito dessa música e fez parte da minha infância, porque foi o ritmo dos anos 1980. É uma memoria muito feliz”, conta o músico.

Capa do disco
Todo o projeto de Quente foi minuciosamente pensando e a capa do disco não foi exceção. Assinada pelo artista plástico argentino Tarik Klein, a intenção da banda era apresentar uma capa que sintetizasse o tema do disco, o Brasil Amazônico, mas de forma um tanto quanto abstrata e ao mesmo tempo palpável. “A gente não queria foto. Aí, como o Tarik é meu amigo e admiro muito o trabalho dele, resolvemos colocar uma ilustração dele, que remetesse à dança, ao carimbó e tivesse referências de Belém e de suas raízes”, explica Saulo.

A capa de Tarik consegue bem traduzir toda a miscelânea que é o Norte do Brasil e o Quente de Saulo Duarte, que começou a excursionar pelo Brasil em julho e irá desembarcar em Fortaleza no próximo mês de novembro. Esperemos.

SERVIÇO
Disco Quente
Saulo Duarte e a Unidade
Gravadora: YB Music
Preço: R$ 20
Para ouvir online: http://migre.me/lZo58

SAIBA MAIS

Quente é o segundo disco da banda Saulo Duarte e a Unidade. Ele foi produzido por um financiamento coletivo e foi gravado no estúdio YB Music. O álbum foi produzido pelos integrantes da banda, co-produzido por Mauricio Tagliari e mixado por Carlos Lima, o Cacá.

Todas as músicas do disco são composições de Saulo Duarte, com exceção de “Tô que tô… saudade”, que foi regravada pela banda e tem assinatura do cearense Eudes Fraga.

Ouça a música “Zonzon”
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