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Fãs opinam sobre show dos Los Hermanos em Fortaleza em outubro

Por André Bloc (andrebloc@opovo.com.br)

Los_HermanosEntre 1999 e 2007, o quarteto carioca Los Hermanos foi de Anna Júlia, um dos maiores hits do pop-rock nacional, ao estabelecimento como exemplo da corrente mais criativa do rock brasileiro. Ao todo, foram quatro discos, desde Los Hermanos (1999), recheado de uma mistura de hardcore e ska, até 4 (2005), mais puxado para uma MPB introspectiva que um rock virtuoso. Em 2007, para lamento que se estendia até pouco, o quarteto anunciou o que denominaram de “hiato indefinido” – uma separação amigável com porta aberta para um retorno. Depois de shows avulsos e lotados em 2010 e 2012, a banda anunciou que esse ano Fortaleza terá mais uma chance de provar porque sempre foi um dos palcos preferidos dos “Hermanos”.

A confirmação pôs fim a uma expectativa que remontava ao fim do ano passado, quando a banda anunciou que se reuniria para um show em homenagem aos 450 anos do Rio de Janeiro (RJ) – completos no último domingo, 1°. O primeiro grande vislumbre da vinda surgiu no início de fevereiro, quando o evento público “Queremos Los Hermanos em Fortaleza!” divulgou nota em que confirmava o show na capital. No último dia 25 foi a vez de o próprio grupo ratificar apresentações em oito cidades, incluindo Fortaleza, que visitará no dia 9 de outubro.

A expectativa pela primeira performance do grupo carioca no Ceará desde 2012 é tanta que o evento do Facebook já se aproxima da marca de 7 mil pessoas com participação “confirmada”. O local do show, no entanto, ainda não foi anunciado. “Não perco (o show) por nada. Gosto de ouvir as canções dos CDs anteriores, é uma nostalgia boa”, define o técnico em edificações Antonio Carlos, 33, fã do grupo desde 2002, quando viu a apresentação da banda durante a programação do Ceará Music.

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O professor e crítico de cinema Ailton Monteiro, por sua vez, é mais cauteloso, ressaltando que “gostaria muito que esses shows que eles fazem de vez em quando trouxessem junto um disco novo”. “Acho que é o que todo fã gostaria”, comenta.

Na expectativa pela nova apresentação, os fãs mais veteranos do Los Hermanos se dividem entre a compreensão das novas demandas e a cobrança. Antonio é dos mais compreensivos. Admirador do trabalho solo de Rodrigo Amarante, ele opina que a dedicação dos músicos se volta mais aos projetos paralelos do que a um retorno propriamente dito.

O que houve com o Los Hermanos depois do hiato?

Marcelo Camelo
RTEmagicC_Marcelo_Camelo_2.jpgMais bem estabelecido como compositor entre os membros do Los Hermanos, Marcelo Camelo seguiu um trabalho ora totalmente autoral, ora fixado em parcerias. Já em 2008 ele lançou o álbum Sou, com parcerias com a pianista Clara Sverner, com a banda Hurtmold, com o sanfoneiro Dominguinhos e com uma jovem cantora e compositora de 16 anos que surgia como prodígio do folk-acústico nacional. No mesmo ano, Camelo e a garota – Mallu Magalhães – assumiram um namoro. Em 2011, ele lançou ainda o disco Toque dela. O ápice da relação afetivo-musical de Marcelo e Mallu ficou claro no ano passado com a parceria na Banda do Mar. O grupo de rock foi formado em Portugal, onde o casal morou a maior parte de 2014, e conta ainda com o baterista português Fred Ferreira.

Rodrigo Amarante

RTEmagicC_rodrigo-amarante.jpgDesde o respiro coletivo do Los Hermanos, Rodrigo Amarante investiu na musicalidade nas mais diversas frentes. É dele o mais experimental entre os “filhos” do quarteto: o álbum Cavalo, de 2013. O primeiro projeto pós-hiato, no entanto, foi voltar sua dedicação à Orquestra Imperial, big band brasileira fundada em 2002, especializada em gafieira e que conta ainda com nomes como Moreno Veloso, Nina Becker, Nelson Jacobina, Thalma de Freitas, entre vários outros integrantes. Amarante pôde ainda investir em sua veia multi-instrumental à frente da Little Joy, supergrupo de indie rock formado ao lado de Fabrizio Moretti, baterista do The Strokes, e Binki Shapiro.

Bruno Medina

3488-7158Talvez o mais discreto dos quatro integrantes do Los Hermanos, o tecladista Bruno Medina chamou atenção por outra veia artística: a de escritor. Ele assina a coluna/blog Instante posterior no portal G1 desde 2007. Bem antes disso, ainda em 2002, Bruno já articulava parágrafos em uma página pessoal de mesmo nome. Além disso, ele trabalhou ainda como redator publicitário para o canal Multishow (Medina é comunicólogo formado), publicou um livro de contos e participou como tecladista da turnê Maré, da cantora e compositora gaúcha Adriana Calcanhotto.

Rodrigo “Barba” Lins Martins

Rodrigo Barba - Los HermanosO baterista do quarteto foi o primeiro a adotar o visual barbudo que marcou a banda – e que sempre foi motivo de ironia dos próprios integrantes quando interpelados. Desde o famigerado “hiato indefinido”, Barba assumiu certo viés de “operário da música”. Primeiro, ele se reaproximou da raiz hardcore do começo da carreira do Los Hermanos ao assumir as baquetas da banda Jason. Em seguida, ele contribuiu com grupos como Latuya, Canastra e Ramirez. Em 2013, Barba se juntou a Amarante na turnê do disco Cavalo e ainda comandou a Rodrigo Barba & Convidados, cujas apresentações se calcavam no repertório de Ventura, terceiro disco do Los Hermanos.