Discografia

Antônio Cícero ministra masterclass no Porto Iracema. Confira bate-papo com o compositor

IMG_1712(1)Reconhecido como um dos principais autores brasileiros, Antônio Cícero é o convidado desta noite do Porto Iracema das Artes. A partir das 19h, o escritor e filósofo de 70 anos participa da masterclass O que é poesia?, onde discute o conceito e as transformações que a poesia sofreu ao longo dos anos. Como metodologia, o carioca analisa diversas obras poéticas e plásticas.

Nascido no Rio de Janeiro, em 1945, Antônio Cícero viveu boa parte de sua vida se dividindo entre o Brasil e o exterior. Na adolescência, para acompanhar a família que estava de mudança para Washington, ele passa uma temporada nos EUA e volta para cursar Filosofia na Pontifícia Universidade Católica (PUC – RJ). Devido a problemas políticos, precisa concluir o curso em Londres.

Professor, ensaísta e escritor, Antônio Cícero é autor de obras como O mundo desde o fim (1995) e Finalidades sem fim (2005). Nesta segunda obra, ele aborda os dilemas da criação artística e poética a partir do legado moderno do século XX. Para isso, o escritor analisa a obra de nomes como Waly Salomão (1943 – 2003), João Cabral de Melo Neto (1920 – 1999) e Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987), além de autores da antiguidade como Homero e Horácio.

Como poeta, Cícero teve boa parte de sua obra popularizada a partir da parceria com a irmã Marina Lima. Lado a lado com a cantora a compositora desde o disco de estreia, Simples como fogo (1979), ele foi seu parceiro mais frequente desde então. Juntos, eles assinaram clássicos do pop nacional como Pra começar, Fullgás, Charme do mundo e Virgem. Foi inclusive Marina quem trouxe o irmão para a música, quando, contra a vontade de Cícero, mexeu em uma de suas gavetas e encontrou o poema Canção da alma caiada. Ela colocou melodia e apresentou ao irmão, que só perdoou a “invasão” por que gostou do resultado. A canção foi lançada em 1979 por Zizi Possi, no álbum Pedaço de mim. Com o tempo, Antônio Cícero ganhou novos parceiros, como Adriana Calcanhotto e João Bosco, e publicou os livros de poesia Guardar (1996) e A cidade e os livros (2002).

Confira o bate-papo por email com Antônio Cícero:

DISCOGRAFIA – Como será essa masterclass?
Cícero – Pretendo falar sobre a especificidade da poesia. Em particular, pretendo tentar explicar a razão pela qual tanta gente acha difícil ler poesia. Ao fazer isso, falarei da relação entre a poesia e as demais artes, citando exemplos retirados principalmente das artes plásticas.

DISCOGRAFIA – Costuma fazer esse tipo de projeto, de conversar com compositores iniciantes? Quais são os questionamentos e dúvidas mais comuns que você ouve?
Cícero – Sim. As dúvidas mais comuns que encontro nos interlocutores brasileiros dizem respeito à diferença entre a poesia escrita e a letra de música. Indaga-se se a letra de música pode ser considerada poesia; se a boa letra de música tem tanto valor estético quanto o bom poema escrito.

DISCOGRAFIA – Existe uma discussão em torno de poeta e letrista serem ou não serem a mesma coisa. O que você pensa sobre isso?
Cícero – Penso que, embora uma letra de música possa ser tão boa quanto um poema escrito – e vice-versa -, eles são coisas diferentes, pois a boa letra é aquela que, associada a uma música, faz uma boa canção; já o poema escrito é bom ou ruim em si mesmo.

DISCOGRAFIA – Você vê diferença entre fazer poema para ser publicado em livro e para ser musicado?
Cícero – Sim, como digo na resposta anterior.

DISCOGRAFIA – E, sendo tudo formas diferentes de comunicação, é muito diferente de escrever ensaios, artigos, colunas, letras de música e poemas?
Cícero – Sim. São coisas inteiramente diferentes umas das outras.

DISCOGRAFIA – Acredito que seu conhecimento acadêmico não seja posto de lado na hora de compor uma música pop. De que formas ser filósofo interfere no seu trabalho como letrista? Você acha que o público consegue chegar ao ponto do que você está tratando em letras de música?
Cícero – Num poema ou numa letra de música, tudo que o poeta/compositor sabe pode entrar. Mas, no final, o que faz a letra ou o poema ser bom não é a sua profundidade filosófica ou seu ensinamento teórico, mas o conjunto indecomponível de pensamento, emoção, sonoridade, sensualidade, imaginação, sensibilidade etc. que o compõe.

DISCOGRAFIA – Seu primeiro poema musicado já tem algo em torno de 40 anos. O que mudou na sua forma de fazer letras de lá para cá?
Cícero – Adquiri mais desenvoltura. Faço letras para as músicas que me apresentam. Não faço letras para serem musicadas.

DISCOGRAFIA – Como anda sua produção como letrista?
Cícero – No momento, não muito prolífica, pois estou concentrado em escrever um livro de filosofia.

DISCOGRAFIA – O último disco da Marina foi ó único que não contou com uma música sua. De que outras formas você colaborou para o Clímax?
Cícero – Isso só a Marina poderia responder.

DISCOGRAFIA – Você é um dos cotados para a Academia Brasileira de Letras. Isso é um sonho seu? O que ser eleito para a ABL significaria para você?
Cícero – Admiro vários acadêmicos e sou amigo de alguns. Gosto de frequentar a ABL.

Serviço:
Masterclass com Antônio Cícero
Quando: hoje (10), às 19h
Onde: Porto Iracema das Artes (Rua Dragão do Mar, 160 – Praia de Iracema)
Quanto: aberto ao público
Outras info.: 3219 5865