Discografia

Dado visita com cuidado a memória da Legião

capa DVLTudo bem, o texto vai atrasado. Mas, acho que ainda vale. Afinal, demorei bastante para terminar de ler Memórias de um legionário, autobiografia de Dado Villa-Lobos lançada no primeiro semestre pela editora Mauad X. Co-escrito com Felipe Demier e Romulo Mattos, o livro perpassa as experiências internacionais do músico e revive momentos de bastidores das gravações de todos os discos da banda que o tornou um nome famoso no Brasil. Esse último aspecto é o que há de melhor nas memórias deste jovem senhor de 50 anos, que parece não envelhecer nunca.

Em grande parte, Memórias de um legionário é um trabalho morno e sem sal. Mas, ganha toda a importância por ser o único escrito por alguém que viveu o auge da Legião Urbana de dentro. Sim, a banda brasiliense foi um fenômeno e é assim ainda hoje. Isso se deve, principalmente, à figura mítica de Renato Russo, letrista e vocalista dos melhores de sua geração. Mesmo falando sobre os exageros de drogas, namorados inconvenientes e chiliques fora de hora, Dado faz questão de deixar clara sua admiração e amizade pelo cantor falecido em 1996.

Curiosamente, o trechos que falam Marcelo Bonfá parecem mais surpreendentes. O baterista, que só mostrou a que veio enquanto foi um legionário, é mostrado como uma figura que confrontava e peitava Renato com frequência. O ex-baixista Renato “Negrete” Rocha também é lembrado, inclusive pelos próprios exageros que acabaram o expulsando da banda.

Em resumo, Memórias de um legionário é um meio caminho para conhecer a intimidade de um dos maiores fenômenos da música pop brasileira. A edição é feia, mas o texto é claro e objetivo. Como dito acima, o mais interessante é conhecer como cada disco foi pensado e produzido. Não se surpreenda se, ao final da leitura, der vontade de ir até a aparelho de som e ouvir todos os discos da Legião mais uma vez.