Discografia

Sinéad O’Connor festeja 30 anos de carreira como novo álbum

082414-Sinead-Oconnor-600Talvez, algum jovem ouvinte que se depare com os sons recentes de Sinéad O’Connor até a confunda com muitas vozes que tocam atualmente nas rádios. O registro rouco e miúdo, cercado por instrumentos que ora pendem para o rock ora para o pop, até faz lembrar o time grande de artistas indie nacionais e internacionais. No entanto, esta irlandesa de Dublin é uma das figuras mais controversas, militantes e curiosas da história da música pop. Tanto que suas posições políticas, sociais e religiosas já minaram sua carreira na música por diversas vezes. De rasgar a foto do papa João Paulo II em um dos programas de maior audiência da TV americana até um discurso religioso exagerado, ela já fez de tudo e sofreu inúmeros ataques.

Ainda assim Sinéad sobreviveu para completar 30 anos de carreira lançando o recente I’m not Bossy, I’m the Boss (Lab 344). O álbum que se chamaria The Vishnu Room mudou de nome para se alinhar à campanha pelo empoderamento feminino Ban Bossy, que tem atraído a atração de nomes como Beyoncé e Condoleezza Rice. Ou seja, mais um momento onde a cantora, agora com 48 anos, escancara posições políticas e sociais sem medo de represálias. E, como se quisesse, brincar com essas posições, Sinéad aparece maquiada, usando peruca channel, vestida num tubinho de vinil agarrada a uma guitarra brilhosa.

I’m not Bossy, I’m the Boss foi composto por Sinéad O’Connor e parceiros como o baterista e produtor do álbum John Reynolds e o guitarrista Graham Kearns. As visões e posicionamentos expostos nas letras são tão pessoais que ela dedica a obra a ela mesma. Já na parte sonora, este 10° disco de Sinéad conta com colaborações de Brian Eno e Seun Kuti, filho do lendário Fela Kuti. Deslizando bem entre pop, rock e baladas, o disco tem como destaques o peso de Harbour e a a balançada James Brown.