Discografia

Angela Maria lança primeiro trabalho de voz e violão

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Capa Angela Maria - 2015Dona de “agudos indecentes”, como diz Elza Soares, Angela Maria entrou para a história como uma das cantoras mais influentes da música brasileira. Só para se ter ideia, Elis Regina, a voz mais privilegiadas que já passou por este planeta, não cansava de dizer o quanto a Sapoti foi importante para sua formação. Hoje, aos 85, Angela ganhou uma rouquidão bem dosada na garganta, o que só aumentou o tom confessional das letras apaixonadas que gosta de cantar.

Esse é o ponto que faz de Angela à Vontade em Voz e Violão um trabalho essencial para os fãs de música brasileira. Lançado pelo selo Nova Estação (R$ 29,90), o disco é mais novo de uma lista de mais de 100 lançamentos da carioca de Macaé que já conta quase 70 anos de carreira. No entanto, o álbum produzido pelo essencial Thiago Marques Luiz traz algo de inédito: trata-se do primeiro disco dela dividido apenas com um instrumentista, no caso o violonista Ronaldo Rayol.

Acostumada a duelar com grandes orquestras, Angela mostra no novo disco que também consegue brilhar num ambiente mais íntimo. O repertório não reserva surpresas e fica preso antigos sucessos da música brasileira. No entanto, ouvir a eterna Rainha do Rádio cantando Manhã de Carnaval, Nunca e Retalhos de Cetim é sempre necessário. Além destas, Canção de Amor, uma das jóias do repertório de Elizeth Cardoso, também ganha beleza neste encontro de voz e violão. Só parece desnecessária a presença de Natal Branco no encerramento, mas isso passa despercebido.

Por falar em violão, Ronaldo Rayol é músico discreto, seguro e talentoso. Assim como fez com Cauby Peixoto em outro trabalho de voz e violão, ele prefere oferecer um terreno confortável para Angela Maria deitar sua voz do que exibir o volume de acordes que aprendeu em mais de 50 anos de carreira. Mesmo quando ousa, como o balanço que imprime na ótima Amendoim Torradinho, faz isso sem competir com sua parceira. E Angela agradece esta cumplicidade lhe presenteando com interpretações cheias de emoção, de uma forma que só uma grande estrela é capaz de fazer.