Discografia

Capital Inicial lança segundo trabalho

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Quando o Capital Inicial aceitou o convite para gravar um Acústico MTV era difícil prever que frutos poderiam ser colhidos. Naquele momento, eles estavam tentando agarrar a terceira chance de levar adiante a carreira que começou em Brasília, nos anos 1980. Até 2000, eles lançaram seis discos cheios de hits, perderam o vocalista Dinho Ouro Preto para uma apagada carreira solo e chamaram como substituto o efêmero Murilo Lima, que pouca gente vai lembrar.

Foi então que, no fim dos 1990, a formação original do quarteto se reuniu para uma série de pequenas apresentações e gravaria Atrás dos Olhos, disco forte e elétrico. Logo em seguida veio o convite da MTV, que surpreendendo até as expectativas mais otimistas, foi um estouro de popularidade que rendeu mais de 2 milhões de cópias vendidas. A produção esmerada tornou-se onipresente nas rádios e trouxe a banda de volta para o primeiro time do show business.

capitalinicialacusticonyccapadocd15 anos depois de desligarem as guitarras e baixos elétricos, o Capital Inicial volta para o formato acústico, dessa vez sem chancela de nenhum canal de TV. Projeto mais caro da Sony para 2015, o Capital Inicial Acústico NYC celebra tudo que aconteceu neste quarto capítulo da história da banda, que agarrou com unhas e dentes a chance dada pela MTV e gravou nada menos que sete discos com repertório inédito desde então.

É basicamente desse repertório que saem as 22 faixas do disco gravado no Terminal 5, em Nova York. “A premissa original era que a locação é determinante. Lugar pequeno ou multidão? Fernando de Noronha, claro, ensolarado, consciência ambiental, ou prédio, urbano?”, questiona Dinho, por telefone, sobre as possibilidades mais cotadas. Diante das restrições do arquipélago pernambucano, eles procuraram um lugar mais barato e mais a cara da banda. Por incrível que pareça, a casa norte-americana que já recebeu Bob Dylan e Guns’n’Roses atendeu aos dois requisitos.

Gravado em junho, o Acústico NYC veio com a missão de provar que o Capital Inicial não parou no tempo. “O Capital, ao contrário de outras bandas veteranas, lança discos obsessivamente. A gente ficou obcecado de não viver do passado. É um privilégio que a gente teve. No entanto, tem uma armadilha que, quando você lança nessa frequencia, pode cair na repetição”, alerta o vocalista acrescentando que sente certo preconceito quando as pessoas acham que já sabem o que vão encontrar nos discos da banda.

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Uma forma de fugir desse preconceito foi a escolha dos convidados de Capital Inicial Acústico NYC. O primeiro é Seu Jorge, que divide os vocais em três faixas. “Eu vi o Seu Jorge tocando David Bowie e pensei ‘ta aqui o cara do samba, mas que sabe o que é rock’. E ele define a música dele como sambarock”, justifica Dinho. O segundo convidado é Lenine, que comparece um duas faixas, incluindo uma releitura de Tempo Perdido (Legião Urbana). “Não percebo (essas presenças) como uma concessão. De certo modo, (o Capital) continua sendo uma banda sem folclore. Sem sacrificar a personalidade, a gente pode chamar gente de fora para cantar”, explica.

Para a banda, a distância de 15 anos entre um acústico e outro ajuda a diminuir a responsabilidade de recriar o sucesso anterior. Além disso, a banda que chega agora aos palcos é bem diferente daquela de 2000. Desde um novo guitarrista (Yves Passarell que substituiu Loro Jones em 2002) até a abertura para novos parceiros, muitos fatores ajudaram a banda a se estabelecer após tantas ressurreições. “Ninguém esperou chegar tão longe, ter um nome estabelecido, ter uma respeitabilidade”, confessa Dinho, que parece nunca deixar de agradecer as chances que a vida lhe deu.

Serviço:
Capital Inicial – Acústico NYC
Participações de Seu Jorge e Lenine
19 faixas (CD) e 24 faixas (DVD)
Sony Music
Preço médio: R$ 29,90 (DVD), R$19,90 (CD) e R$189,90 (CD duplo + DVD)