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Depois do Maracanã, Stones tocam hoje em São Paulo

BRAZIL-ENTRETAINMENT-MUSIC-ROLLING STONES

Mick Jagger, 72 anos, Keith Richards, 72, Ron Wood, 68, e Charlie Watts, 74. A julgar pelas idades, os Rolling Stones já poderiam estar aposentados e descansando o corpo sobre alguns milhões de dólares acumulados em mais de 50 anos de carreira. No entanto, a banda preferiu se reunir para mais uma turnê, que chega hoje a São Paulo.

A turnê Olé estreou em Santiago, Chile, em 3 de fevereiro e já passou pela Argentina e Uruguai, antes de chegar ao Brasil no último sábado, 20. A estreia por aqui aconteceu no Maracanã e foi bastante celebrada pela banda por marcar os 10 anos do show gratuito realizado na praia de Copacabana. “Quem foi?”, perguntou Mick Jagger que não economizou o português durante as mais de duas horas de show.

Antes da atração principal ocupar seu lugar, o palco ficou com as bandas Doctor Phoebes que eu não vi – e Ultraje a Rigor. Apesar do repertório bem recebido, a banda paulistana teve que aguentar os protestos da plateia. “Coxinha é a mãe”, defendeu-se o vocalista Roger Moreira antes de disparar o hit Filho da Puta contra o ex-presidente Lula. Além das vaias, a banda ainda teve uma forte chuva e o som baixo para enfrentar. Mas foi só sacar Pelado, Nós Vamos Invadir sua Praia e outros hits do bolso que o público respondia.

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Também foi por conta do tempo fechado que os Stones tiveram que atrasar a entrada em meia hora. E assim, foi só às 21h30min que o quarteto chegou ao som de Start Me Up. Para quem tem mais de 50 anos de carreira, é claro que muita música acaba ficando de fora. Ainda assim, as 19 escolhidas foram certeiras para deixar mais 65 mil pessoas de olhos vidrados no espetáculo daqueles jovens senhores.

Sem muitos recursos tecnológicos ou truques de cena, os Rolling Stones promoveram um autêntico espetáculo de rock. As guitarras Keith e Wood dialogam como se fossem siamesas. Charlie Watts, com sua sobriedade, segura o ritmo com segurança, precisão e elegância. E Mick Jagger segue como o melhor performer de sua geração, se rebolando de forma lasciva e endiabrada, e mantendo a voz possante à frente de tudo. O time ficou completo com os vocalistas Bernard Fowler e Sasha Allen (brilhante no solo de Gimme Shelter), o veterano baixista Darryl Jones (que abriu Miss You com um solo funkeado), os tecladistas Chuck Leavell e Matt Clifford, e os saxofonistas Tim Ries e Karl Denson.

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Com essa turma escolada há décadas em palcos pelo mundo inteiro, o show é um deleite para velhos fãs, novos fãs e curiosos que foram lá só para atualizar no Instagram. Com figurinos mais simples que em turnês anteriores, os Stones chegaram de calças pretas, jaquetas de couro e Charlie Watts sempre de gola polo. “Calor do caraleo“, chegou reclamar Mick Jagger por conta do abafado pós-chuva. Por conta das chuvas, o telão direito apresentou problemas durante o show inteiro, ora funcionando pela metade, ora se apagando de vez. Se a água tirou outro elemento da apresentação, nunca saberei

Sem muitas firulas, o retorno dos Stones ao Brasil foi um deleite que se estendia do palco para as arquibancadas do estádio. De Like A Rolling Stone, clássico de Bob Dylan escolhido pelo público para entrar no repertório, a Simpathy For the Devil e Jumpin’ Jack Flash, os ingleses mostraram que ainda têm muita lenha pra queimar. Brown Sugar ganhou andamento mais lento, ainda assim fez o público gritar junto o improviso de “I say yeah yeah yeah uhh”. Mesmo faixas menos conhecidas – como Out Of Control e Doom and Gloom – ganham força com a experiência e a força destes senhores juntos. É por essas e outras que os Rolling Stones continuam sendo a banda mais perigosa do mundo.