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Nívea Viva Rock colore tarde de domingo em Fortaleza

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Fotos: Mateus Dantas

Fotos: Mateus Dantas

Havia uma grande expectativa no ar por saber o que daria o encontro de Paula Toller, Paralamas do Sucesso, Pitty, Nando Reis e Dado Villa-Lobos no projeto Nívea Viva Rock. A ideia da marca de cosméticos era homenagear os 60 anos de rock no Brasil. O show aconteceu no fim de uma belíssima tarde de sol, neste domingo, 15.

No ano passado, o mesmo projeto homenageou Tim Maia com o encontro de Ivete Sangalo com Criolo. A dupla, aparentemente sem liga, promoveu uma festa muito divertida, sobre um palco luxuoso, para uma multidão que acompanhou todas as canções cantando junto. Em 2016, esta empolgação se manteve e o grupo comandado pelo lendário baixista e produtor Liminha segurou o público por cerca de 2 horas e 30 minutos.

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A viagem pela história do rock começou na jovem guarda, com uma Paula Toller lindíssima dividindo Banho de Lua com Nando Reis. Eles seguiram com outras canções da época, sempre dividindo a letra inteira, o que mostrava que não deu tempo pra inventar muito nos arranjos. Nando foi a porção mais roqueira do time, cantando com gosto e pulsação. Paula também soltou a voz, mas, quando dividia com alguém, acabava engolida.

A próxima a entrar no palco foi Marjorie Estiano, escalada para substituir Pitty – a baiana teve que cancelar sua participação no projeto por conta da gravidez. Marjorie canta bem e tem sua presença de palco, mas precisa de um repertório que consiga arrancar suas qualidades como cantora. Até agora, não mostrou muito a que veio, mas também não fez feio em Panis Et Circensis (apesar de algumas derrapadas na afinação logo no início da música). No entanto, não era difícil perceber o quanto ela era um peixe fora d’água quando estava ao lado daquele time de cobra criada que já divide bastidor de festival de rock desde os anos 1980.

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E coube a Nando Reis a tarefa de chamar os Paralamas do Sucesso para o palco. Recebido como atração principal, Herbert Vianna no palco ainda é garantia de emoção para o público. Barone era o baterista do show todo e Bi Ribeiro só entrava para completar o trio (Liminha era o baixista oficial do projeto. E que baixista!). Com os três Paralamas juntos, teve Até Quando esperar, da Plebe Rude, e Meu erro, sempre maravilhosa.

Mais discreto, fazendo guitarra base, Dado Villa-Lobos, virou frontman duas vezes para relembrar Será e Tempo Perdido, ambos com os Paralamas. Além dos já citados, a banda se completava com Milton Guedes nos sopros, Maurício Barros (ex-Barão Vermelho) nos teclados e Rodrigo Suricato na guitarra. Este último também teve vários momentos na frente do palco, inclusive cantando uma canção de sua própria banda – o Suricato. Tenho enorme preconceito com essa banda por que acho o nome péssimo, mas o som é legal.

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O repertório de 32 canções foi bem escolhido e, de longe, não deixou ninguém de fora. Teve A Dois Passos do Paraíso, da Blitz, cantada por Nando Reis. A Praieira, da Nação Zumbi, com uma empolgada Marjorie Estiano. E a maravilhosa Vou Deixar, do Skank, com Nando e Paula mandando ver juntos. E, claro, Rita Lee várias vezes homenageada pela fã Paula Toller. Cazuza foi bem lembrado maias para o final, com um Pro Dia Nascer Feliz cantando pelo elenco completo.

Tudo nos shows da Nívea é pensado para grandes públicos. O palco é belíssimo com telões e efeitos bacanas. O som tem qualidade e o repertório não é para desafiar o conhecimento de ninguém. Levando essas características em conta, o show deste domingo foi espetacular e arrancou sorrisos de muita gente. Agora fica a dúvida: qual será o projeto do ano que vem?