Discografia

Uma serenata para Cauby Peixoto

Cauby Peixoto 03 - 2010 - Foto Divul Lua Music

É fácil encontrar pessoas que falem que Cauby Peixoto era um grande cantor. No entanto, é bem difícil encontrar quem o conheça além do personagem ou além de Conceição, um dos seus grandes clássicos. Mas, sim, ele foi dono de uma das vozes mais privilegiadas da história da MPB. Técnica, emoção, afinação e refino, nada faltava ao niteroiense que faleceu na noite do último domingo, 15.

Aliás, faltava. Cauby era essencialmente um cantor. Ele não sabia produzir, tocar ou ou selecionar repertório. Seu lance era cantar. Quando tinha um produtor competente, lançava grandes discos. Quando não, gravava bobagens facilmente esquecíveis. Tanto que em uma carreira fonográfica com dezenas de títulos, poucos são os de fato impecáveis.

Nos últimos anos de carreira, o produtor Thiago Marques Luiz tirou de Cauby uma qualidade que a há tempos não se via. Desde 2009, quando lançou um tributo a Roberto Carlos, vários discos colocaram a boa voz do intérprete falecido aos 85 anos a serviço de canções que estavam à altura da sua competência.

Depois de Roberto, teve Nat King Cole, Frank Sinatra, serestas, Beatles… A cada novo disco, novas formas de confirmar o que muitos deveriam saber: Cauby Peixoto foi um dos melhores cantores do Brasil e pode, certamente, estar entre os melhores do mundo.

Discografia selecionada e comentada:
– Blue Gardenia (1955) – Sob o comando do empresário Di Veras, Cauby lança um LP de estreia batizado com o nome do seu primeiro sucesso popular. A Pérola e o Rubi também é deste álbum.

– Quando os peixoto se encontram (1957) – Os irmãos Cauby, Moacyr, Araken e Adyara dividem um álbum que mistura clássicos brasileiros com internacionais. O clima de boate predomina em faixas como A Foggy Day e Valsa de uma Cidade.

– Por que só penso em ti (1965) – Caindo como uma luva na voz de Cauby, o disco traz 12 canções da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim. Sentimental demais e Minha Serenata estão no repertório.

– Um drink com Cauby e Leny (1968) – relançado em CD pela Discobertas, esse discos traz o encontro de Cauby com uma esquecida Leny Eversong. Lady Be Good e That Old Black Magic são os grandes destaques pelo volume de improviso.

– Cauby! Cauby! (1980) – Resultado de um esforço coletivo para tirar Cauby do ostracismo, o disco tornou-se um grande clássico de sua discografia. Bastidores, de Chico Buarque, é o grande momento de um álbum que traz ainda Loucura (Joanna) e Brigas de Amor (Erasmo/ Roberto).

– Ângela & Cauby (1982) – Amigos desde os tempos de Rádio Nacional, esse é o primeiro encontro oficial da dupla em disco. São 14 canções alocadas em 12 faixas, que vão de Djavan (Meu bem querer) a Antonio e Mário Marcos (Como vai você).

– Cauby canta Sinatra (1995) – Projeto luxuoso que contou com as participações de Zizi Possi, Caetano Veloso, Emílio Santiago e outros. No entanto, Cauby não gostou das versões em português e, 15 anos depois, gravaria um novo tributo a Sinatra todo em inglês. Ambos são ótimos.

– Meu Coração é um Pandeiro (2000) – Cauby já foi de muitos estilos e até foi responsável por um dos primeiros rocks nacionais. No entanto, o samba não era bem sua praia. Ainda assim, ele se sai bem neste disco que tem Paulinho da Viola (Eu canto samba), Benito di Paula (Retalhos de cetim) e outros.

– Cauby interpreta Roberto (2009) – O disco se chamaria Cauby canta Roberto. Mas, a pedido do homenageado, ficou Interpreta. Pra não pegar mal. Seja como for, Música Suave e O Show Já Terminou são obrigatórias.

– Box O Mito (2011) – Projeto comemorativo da Lua Music reuniu três bons discos inéditos. A Voz do Violão traz Cauby, Ronaldo Rayol e maravilhas como Fracasso (Fagner) e Minha voz, minha vida (Caetano Veloso). Caubeatles traz 12 canções do Fab Four que poderiam ter um melhor tratamento de arranjo. É bom, mas falta alguma coisa. Já Cauby Ao Vivo – 60 anos de música é o registro de um show que contou com as presenças de Agnaldo Rayol, Agnaldo Timóteo, Angela Maria, Emílio Santiago, Fafá de Belém e Vânia Bastos.

– Cauby sings Nat King Cole (2015) – Lançado no mesmo ano de A Bossa de Cauby Peixoto, este tributo esbanja elegância e refino. Uma bela homenagem a uma das grandes vozes do mundo. Blue Gardenia, na voz agora madura de Cauby, volta ainda mais emocionante.