Discografia

Philippe Seabra comenta documentário da Plebe Rude

Plebe Rude e Herbert Vianna

A Plebe com seu padrinho Herbert Vianna

“Com tanta riqueza por aí, onde é que está? Cadê tua fração?”. Há 31 anos essa pergunta ecoa entre os fãs da Plebe Rude. O quarteto brasiliense é dono de uma obra assentada sobre guitarras aceleradas, bateria e baixo ritmados, e letras de forte crítica social e política. Se essa fórmula é a essência do punk, no grupo que lançou pedradas como Proteção e Até Quando Esperar isso é uma filosofia de vida que segue firme ainda hoje.

A história da Plebe começa na explosão da cena punk de Brasília, no início dos 1980, junto com Capital Inicial, Aborto Elétrico e Legião Urbana. A formação original trazia Philippe Seabra (guitarra e voz), André X (baixo), Jander Bilaphra (guitarra e voz) e Gutje Wortmann (bateria). Sempre citada como a banda preferida de Renato Russo naquela cena, eles eram uma espécie de heróis do underground, até conhecer Herbert Vianna, que foi quem os levou para a EMI. Na gravadora, eles estrearam com O Concreto Já Rachou, que vendeu mais de 200 mil cópias.

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O quarteto fez muito sucesso num segundo escalão das bandas oitentistas e não subiu mais alto nos círculos da fama por que optou por evitar concessões e preservar a própria imagem. Essa história, que passa por diversos recomeços e mágoas insuperáveis, está registrada no documentário A Plebe é Rude, de Diego Da Costa e Hiro Ishikawa. Co-produzido pelo Canal Brasil, o longa começa em uma Brasília ainda vazia de gente e programação, até se tornar um dos polos geradores de bandas na era do rock brasileiro.

“Entrar nesse filme é uma coisa tão pessoal, estar exposto é uma coisa que não estou muito acostumado. É uma experiência nova e não sei muito como abordar”, começa Phillipe Seabra, acrescentando que o filme “beira o dramático”. De fato, as diferenças entre os músicos ficam expostas na disposição das declarações: ele e André X, os dois únicos membros originais a permanecerem na Plebe, aparecem juntos em várias cenas do documentário. Gutje não aparece ao lado dos ex-companheiros, mas fala sobre os altos e bairros que viveu no grupo. E Jander se limitou a uma declaração: “Pra mim, foi só uma fase da adolescência como uma namoradinha qualquer da juventude. Não sei se quero realmente participar de qualquer coisa que leve o nome da Plebe”.

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Em pouco mais de uma hora, A Plebe é Rude mostra o quanto os quatro músicos lutavam para ser fieis ao discurso crítico que faziam e o quanto isso gerava conflitos dentro da gravadora e da própria banda. Em uma passagem, Phillipe lembra que foi convidado para cantar A Ida no programa do Chacrinha. Feita para um amigo que havia falecido, ele decidiu que até iria para a TV, mas não para cantar esta música. “O filme traça como a Plebe navegou isso e como conseguiu manter a dignidade num meio que é meio nojento. Nunca fomos uma banda comercial. Eu tenho que cantar o que acredito”, explica o músico que ainda mora na capital brasileira.

Hoje, além de Phillipe e André, a Plebe conta com Clemente, da banda punk paulistana Inocentes, na guitarra e voz, e com o baterista Marcelo Capucci. O vocalista conta que encontra eventualmente os ex-parceiros, bate um papo, mas não passa disso. Phillipe até convidou o Jander para participar de um show, mais por educação, confessa, mas ele não apareceu. “Infelizmente, relação de banda é difícil, mas, se pudesse fazer tudo de novo, seria tudo do mesmo jeito”, afirma o artista que tem um desejo muito claro para o filme. “Queria que as pessoas entendessem duas coisas: um, é que já se fez rock sério nesse país, e, dois, é de não deixar tuas limitações te definirem. Lá em Brasília, a gente estava no meio do nada e mesmo assim conseguimos criar nossa própria cultura”.

Serviço:
A Plebe É Rude
Direção: Diego Da Costa e Hiro Ishikawa
Produção: Doctela, Pietà Filmes e Canal Brasil
Disponível em plataformas de vídeo sob demanda como Now, Oi e Gvt