Discografia

Há 20 anos, os Titãs lançavam seu Acústico MTV

244 2

Convidados para gravar o ainda pouco popular Acústico MTV, os Titãs não acreditaram no projeto. Acharam que, depois dos discos Titanomaquia (1993) e Domingo (1995), não faria sentido gravar sem instrumentos elétricos. Eis que, durante um show dos Paralamas do Sucesso, os paulistanos ouviram que os amigos cariocas também foram convidados para o projeto. A chance de ficar em segundo lugar mexeu nos brios dos Titãs.

Largando dois anos antes de Herbert Vianna, os Titãs lançaram seu Acústico MTV em 1997 e transformaram a marca em um grande sucesso de mercado. Era a primeira vez que o projeto aparecia em seu formato completo: programa de TV com convidados especiais e orquestra, tudo isso embalado em CD, DVD, VHS, com logomarca e nome em português. Resultado: mais de 1,7 milhão de cópias vendidas.

Nascido nos EUA em 1989, o MTV Unplugged ganhou simpatia como um programa de TV que despia ídolos das grandes produções e os colocava a sós com suas canções. Nirvana, Joe Cocker e Sting foram alguns dos participantes. No Brasil, o projeto foi recebido com carinho e, aos poucos, tomando ares de super produção.

Gilberto Gil vendeu mais 500 mil cópias em 1994, mas ainda com o nome de Unplugged. João Bosco também gravou o seu, mas nem o nome da MTV foi na capa. E, até então, não existia a fila de convidados que se tornaria obrigatória. Os Titãs até queriam mais. Chegaram a chamar Caetano Veloso e Maria Bethânia. O primeiro cantaria Sonífera Ilha, mas foi barrado por Paula Lavigne e a segunda se incomodou com um comentário da banda que dizia que sua presença no show seria “por que é diferente mesmo”. Bethânia cantaria Miséria.

Foram mais 30 títulos lançados, até o formato dar sinais de cansaço e o grupo Abril perder os direitos sobre a MTV Brasil. Ao longo de 22 anos, o Acústico MTV reacendeu carreiras, resgatou sucessos, promoveu encontros históricos, fez dinheiro e gerou filhos bastardos. Sim, por que gravar um acústico (fosse ou não da MTV) virou moda. Ainda hoje, há quem se aventure no formato. Mas, não como naqueles bons tempos.

Veja a lista completa de Acústicos MTV com os devidos comentários:

1990 – Marcelo Nova


Com a crise política e econômica instalada no Brasil durante o governo Collor, o ex-Camisa de Vênus teve que cancelar uma turnê elétrica e iniciar um projeto de voz e violão. Esse foi o mote para o roqueiro baiano receber um convite para gravar o piloto do futuro projeto acústico da MTV Brasil. No entanto, a gravação nunca foi apresentada ao público em nenhum formato.

1991 – Barão Vermelho

Primeiro Acústico MTV oficial foi apresentado na TV. Gravado um ano depois do lançamento do disco Na Calada da Noite e da morte de Cazuza, o ótimo show traz ótimas versões desplugadas para Política Voz, Tão Longe de Tudo e outras. A pedido da emissora, eles acrescentaram uma canção “da MPB”, no caso Vale Quanto Pesa, de Luiz Melodia (que seria reprisada em Álbum, 1996). A presença do quinteto (ainda com Dadi Carvalho no baixo) validou o projeto com uma ótima carta de intenções. O lançamento em DVD só aconteceu num box comemorativo em 2006, mas permanece inédito em CD.

 

1992 – João Bosco

Pouca gente dá conta desse disco como sendo da MTV. Lançado só em CD e LP com o nome de Acústico (sem a marca da TV), nem o logotipo da emissora ele traz na capa. Entrando numa fase menos radiofônica, o mineiro registrou sua participação no projeto só com voz e violão. No repertório, além de canções próprias, Beatles e Noel Rosa num festival de improvisos. Pra quem acompanha a carreira do mineiro, não há novidades, mas também agrada.

1992 – Legião Urbana

Assim como o show do Barão, a Legião esperou até 1999 para colocar CD e DVD nas lojas. O segundo acústico da MTV Brasil foi feito por que o trio braziliense queria se livrar da obrigação de fazer clipe para divulgar o disco V. Com instrumental rudimentar, eles tocam canções novas, velhos sucessos e versões de Neil Young e Joni Mtchell. Hoje a noite não tem luar, versão de uma balada açucarada dos Menudos, foi o grande sucesso quando o projeto saiu em CD. A propósito, o disco preservou todas as falas de Renato Russo, que falou pelos cotovelos. Para fãs ardorosos.

1994 – Gilberto Gil

Primeiro projeto a ser lançado quase completo para o público. Lançado na TV e nas mídias físicas, o programa ainda não tinha uma marca nacional e saiu em CD com o nome de Unplugged. Gil nem queria participar por que achava que já tinha gravado muitos discos ao vivo. Que bom que ele mudou de ideia por que o resultado é espetacular. Pop, moderno e virtuoso, é Gilberto Gil em grande momento.

1995 – Moraes Moreira

Um dos melhores acústicos da MTV. É difícil imaginar uma TV de perfil jovem abrindo espaço, nos dias de hoje, para um artista nacional que não está em alta no mercado. A MTV fez isso e Moraes deu um banho de som com um repertório irretocável. Também contou histórias que vêm desde a época dos Novos Baianos. Para uma plateia de VIPs, ele fez um show de cenário simples, sem convidados, dividido entre momentos solo e com banda. Entre muitos sambas e frevos, Pernambuco é Brasil é um destaque.

 

1997 – Titãs

1,7 milhão de cópias vendidas. Esse número ilustra bem o sucesso que foi o encontro do septeto paulista com uma orquestra de cordas e sopros regida por Paschoal Perrota. O álbum tornou-se uma febre e rendeu um show na Barraca Biruta com participação de Rita Lee. No disco, ela canta Televisão, registrada em estúdio. A propósito, foram os Titãs quem deram a deixa de ter convidados no projeto. E a lista foi longa: além de Rita, Jacques Morelembaum, Marina Lima, Jimmi Cliff, Liminha (produtor do disco) e Arnaldo Antunes (que sai do palco sob gritos de “fica! Fica!”).

 

1997 – Gal Costa

Numa busca por um público mais jovem, a diva tropicalista bate na trave. A voz está em grande forma e o repertório é bem escolhido (apesar da pouca ousadia). Já os arranjos soam mais atraentes para a fatia mais adulta de fãs de Gal. Lanterna dos Afogados, com participação de Herbert Vianna, foi o grande hit. Zeca Baleiro é apresentado em grande estilo para os fãs da baiana. Frejat está perdido com seu topete colorido (fase Puro êxtase). Já Luiz Melodia brilha com seu suingue “incopiável”.

1998 – Rita Lee

Cenário hippie, banda vitaminada, convidados mais que especiais (no palco e na plateia) e Ritinha disposta a revirar o próprio baú. Essa senha rendeu um show luxuoso que captou a Rainha do Rock no auge da maturidade. Do rock ao pop, ela e o maridão Roberto vêm dos Mutantes (Balada do Louco) até apresentar boas novidades (a inédita O Gosto do Azedo, com arranjo de Rogério Duprat). Tem ainda homenagem a Raul Seixas (Gitã) e Elis Regina (Alô Alô Marciano), e uma penca de convidados. Rock tropicalista carnavalesco da melhor qualidade. Ponto negativo: saiu escrito na contracapa do DVD, mas a versão acústica de Dias Melhores Virão ficou de fora.

1999 – Os Paralamas do Sucesso

Depois de uma série de eventos teste, o trio carioca entra no Parque Lage para registrar um show classudo. Além da banda de apoio que já os acompanha há anos, Dado Villa-Lobos (voltando à ativa após o fim da Legião Urbana) integra o projeto como convidado da turnê. Zizi Possi é outra convidada especial esbanjando afinação em Meu Erro. Arranjos impecáveis e repertório bem dosado. Herbert até dispensou o boné e assumiu a carequice para sair bem no projeto.

2000 – Capital Inicial

Depois de um período de afastamento e de um (bom) disco de retorno ainda indefinido, esse convite foi definitivo para os punks brazilienses. O Acústico MTV vendeu muito bem e empurrou o quarteto de volta para o mainstream do rock nacional. Merecidamente, por que o show minimalista capta Dinho, Loro, Fê e Flávio fazendo o que sabem da melhor forma. As 14 faixas trazem uma coleção de singles para cantar junto e tocar bem nas rádios. Um clássico da época.

2000 – Art Popular

Vendo que tinha ouro nas mãos, a equipe da MTV decidiu ampliar seus horizontes e trazer artistas de perfil mais popular para o projeto. Como atrativo, o grupo de pagode tinha um samba rock da melhor qualidade no repertório. Falou em sambarock, falou em Jorge BenJor e ele foi o convidado da faixa Agamamou. Fora essa, uma versão de i e uma fila de pagodes açucarados. Fez pouco barulho.

2000 – Lulu Santos

Como se fosse uma roda de violão na Ponte Metálica nos anos 1980, Lulu pega seu balaio de hits e sai cantando um por um. A empatia é imediata. O projeto gráfico, branco por fora e hiper colorido por dentro, é belíssimo. Com a mesma banda dos shows elétricos, ele montou um show elegante, dançante e sedutor. Foi ainda o primeiro disco duplo da série. Gabriel, O Pensador é o único convidado e até se arrisca de cantor em Astronauta.

 

2001 – Cássia Eller

Numa carreira de pouco mais de 11 anos, esse já era o terceiro ao vivo da intérprete. Ainda assim, ela topou e seu canto do cisne foi recebido com empolgação pelo público. De Edith Piaf a Nação Zumbi, o repertório expõe uma das melhores vozes nacionais. Driblando a timidez, Cássia apresenta um show belíssimo, que contou com as presenças de Xis e Nando Reis. O ex-titã é quem assume a produção.

2001 – Roberto Carlos

Quem diria, o rei resolveu trabalhar para outra emissora que não é sua poderosa Globo. Só aí já tem uma dose de rebeldia que há tempos não se espera de Roberto. O programa não foi ao ar na MTV, mas foi lançado em CD e DVD. O repertório tem bons momentos, mas não vai muito além do esperado. Sem fugir do tradicional, o show é pálido e rende pouco. Samuel Rosa e Toni Bellotto são convidados para tocar violão, mas não falam nada (nem pra agradecer). Coisas de Roberto.

 

2002 – Cidade Negra

O formato do projeto já começa a ficar cristalizado, com sinais de repetição. A banda carioca de reggae mexeu nos arranjos clássicos e juntou músicas inéditas para compor um trabalho que demora a engatar. A presença de Gilberto Gil em Extra dá brilho ao projeto. Para a história ficou a versão reggae de Johnny B. Goode (Chuck Berry). Tão explosiva quanto a inédita Podes Crer. Em tempo: o Acústico MTV encerrou o período de alta popularidade da banda que passou por muitas transformações desde então.

 

2002 – Jorge Ben Jor

Foi preciso muito esforço para convencer Jorge Ben Jor a fazer as pazes com o violão. Desde 1976, o carioca assumiu seu lado guitarreiro e não largou. Ele também implicou com algumas imagens do cenário. Tudo bem, por que o resultado é irretocável. No disco duplo, o primeiro traz Jorge acompanhado do Admirável Jorge V, banda que acompanhou de 1975 a 77. O segundo é com a então formação da Banda do Zé Pretinho. Em ambos, o vocal fica a cargo dos Golden Boys (!!!!). O ouro está no primeiro, mas o segundo não faz feio.

2002 – Kid Abelha

A banda já havia lançado um projeto acústico em 1995, mais curioso pela informalidade e crueza. Ainda assim, o programa da MTV tem seus méritos. Não existe mais segredo no formato, então a banda aposta no que tem de melhor: repertório. Execuções bem ensaiadas e banda reforçada por nomes com Ramiro Mussoto (percussão), Rodrigo Santos (baixista do então suspenso Barão Vermelho), Lenine e Edgard Scandurra. A vocação para o pop transborda num show generoso. A inédita Meu Vício Agora é um ponto alto. Trata-se do título que mais vendeu no projeto, com quase 2 milhões de cópias.

2003 – Marina Lima

Como já era obrigatório que todo artista dos anos 1980 tivesse seu acústico, Marina também participou. No entanto, ela fez mais uso da sofisticação sonora pós-90 do que do pop colorido da década anterior. Soturno, misterioso, delicado, o formato não é explorado tanto quanto poderia. Mas tem suas surpresas. Vertido num drum’n’bass desplugado, Charme do Mundo fez bem ao convidar Fernanda Porto. Martinho da Vila também faz bonito dividindo graves com Marina em Tom Maior/ Arco de Luz.

2003 – Charlie Brown Jr.

Talvez a maior surpresa da versão nacional do projeto. O quarteto de Santos, conhecido pelo rock acelerado e musculoso, soa à vontade e malandro num show sem eletricidade. De um modo geral, o repertório é excelente e os convidados ajudam a localizar a banda entre muitas influências. Tem Marcelo Nova, RZO, Negra Li e D2. Teve até skate em cena. Do cenário às execuções, tudo foi pensado para manter a banda no seu lugar ao mesmo tempo que traz novidades.

 

2003 – Zeca Pagodinho

O samba é essencialmente acústico, logo seria difícil trazer uma novidade num show acústico de Zeca Pagodinho. No entanto, sendo ele o primeiro sambista de raiz no projeto, a novidade já estava no ar. O produtor Rildo Hora fez exigências: pontualidade e abstinência de álcool nos ensaios entre elas. O esforço valeu à pena. O show é lindo. Zeca, pleno no palco, canta bem e emocionado. E faz brincadeiras que podem ser vistas no DVD. Quando entra a Velha Guarda da Portela é difícil segurar o choro.

2004 – Ira!

Na hora de gravar o minimalista Ao Vivo MTV (2000), o quarteto paulista selecionou o repertório, se vestiu melhor e foi para o palco. Sem nenhum frescura. No Acústico, eles apostaram numa produção mais luxuosa e soaram como nunca na carreira. Muitos convidados, músicos de apoio e canções inéditas. O resultado é um trabalho de ótimas vendagens e muitos pontos altos. O encontro com os Paralamas do Sucesso é só um deles.

2004 – Marcelo D2

Aproveitando a repercussão do divisor de águas À Procura da Batida Perfeita, o então ex-Planet Hemp aceitou o convite da MTV para gravar seu Acústico. A ideia seria ótima se ele não tivesse ficado nervoso ao ponto de exagerar em algumas doses antes da gravação. O resultado: algumas letras foram esquecidas (o que só pode ser visto no DVD) e o que poderia ser muito bom ficou pelo meio do caminho. A grande surpresa fica para a presença divertida de Fernandinho Beat Box.

2004 – Engenheiros do Hawaii

Numa das muitas encarnações do Engenheiros, a banda gaúcha pega alguns dos seus muitos sucessos e leva para a MTV. Não é a primeira vez que a banda testa o acústico. Sem muitas novidades, o show é bom, mas nada que não tenham feitos antes. A participação que chama a atenção é do baterista Carlos Matz, que integrou a fase áurea da banda. Clara Gessinger, filha de Humberto, canta uma faixa com o pai e até que faz bonito. Eles até viriam a gravar um acústico volume dois, mas sem a chancela da MTV.

2005 – Bandas Gaúchas

Quatro representantes do sul do País dividem um projeto que chamou bastante atenção na época. Bidê ou Balde faz rock divertido, meio anos 1960, bom pra beber cerveja e ainda convidaram Roger Moreira para dividir Melissa. Cachorro Grande tornou-se uma aposta de sucesso com seu vocalista gritalhão. É a banda que se saiu melhor no show e selecionou o melhor repertório, incluindo o bluesão Dia Perfeito, que trouxe Paulo Miklos ao microfone. Ultramen se perde na ideia de banda eclética e deixou como herança o ótimo dueto com Falcão (O Rappa) em Dívida. Já o ex-Replicantes Wander Wildner estava em alta na cena independente. Com seu folk brega cheio de personalidade, ele faz uma bela apresentação e é recebido como veterano. Passa impressão que o projeto era pra ser só dele, mas a MTV não quis arriscar.

2005 – Ultraje a Rigor

A partir de agora, o Acústico MTV já respira com aparelhos. Parece obrigação. O convite para a banda paulistana parece voltar a ideia de resgatar ídolos dos anos 1980. Até o guitarrista Sérgio Serra, integrante dos melhores anos da banda, comparece para justificar uma “formação clássica”. Mas a banda não funciona naquele formato. O repertório continua divertido e o cenário é muito bonito, mas tudo soa ultrapassado. Arranjaram espaço pra orquestra (em uma faixa) e para um convidado (Manito, que passa despercebido) e o show acaba.

2005 – O Rappa

Nos últimos suspiros, o Acústico MTV ainda rende um bom trabalho. Na linha “melhora da morte”, os cariocas tiram suingue de bom quilate de violões, percussões e instrumentos estranhos coletados em viagens. Teve espaço até pra scratches tirados de um gramodisco – algo entre o toca-discos e o gramofone. Como convidados especiais, Siba (Mestre Ambrósio) toca rabeca em algumas faixas e Maria Rita faz dois belos duetos com Falcão (o que rendeu uma fofoca de que rolava algo mais). Explosivo e suingado, foi um dos ótimos momentos antes do fim.

 

2006 – Lenine

Desde 2003 que a MPB não protagonizava um Acústico MTV. Pisando devagar nesse terreiro, eles escolheram um artista que tivesse um pé no clássico e outro no pop. O pernambucano fez um show de som cheio e até pesado para o público mais MPB. A lista de convidados é grande e inclui o chileno Victor Astorga, o camaronês Richard Bona e a mexicana Julieta Venegas. A seleção internacional pareceu forçada e pedante. Melhor se saíram os brasileiros Iggor Cavalera e Gog (o melhor de todos). Bom, mas sem surpresas.

2006 – Zeca Pagodinho: Gafieira

Apenas três anos separam os dois acústicos de Zeca Pagodinho, que não repete a qualidade do anterior. A ideia é levar ao show um clima de gafieira, mas não ficou muito claro o que seria isso. No fim das contas, parece mais um show do sambista. A promessa de convidados não se cumpre de verdade, e se resume a um grupo de cantoras que faz vocal no DVD. Pra piorar, a saúde de Zeca foi abalada por uma internação nas vésperas da gravação.

 

2007 – Lobão

Eis que o roqueiro falastrão decide gravar seu acústico por uma grande empresa de comunicação. Muita gente torceu o nariz para o projeto e preferiu criticar as posturas sempre polêmicas de Lobão. Tirando isso, o show tem muitos méritos. Com cenário bonito e arranjos criativos, ele fez uma viagem pelo repertório, passando por sucessos, lados Bs e canções da fase independente. Quanto a essa fase, muitas canções merecem audição atenta, afora a postura exagerada do seu autor. A presença da banda Cachorro Grande fica desnecessária na última faixa.

2007 – Sandy e Junior

Depois de abrir espaço para sambas, raps, MPB clássica e moderna, pagode, era chegado o momento de agradar ao público teen. Os irmãos Lima foram a escolha certa. Vivendo seus últimos momentos, a dupla quis registrar a separação com um projeto que já não chamava a atenção de antes. Ainda assim, eles fizeram uma produção caprichada, com uma iluminação sóbria que valorizou o aquele clima pop adolescente. O mais legal é que eles colocaram a vergonha num saco e cantaram Maria Chiquinha. Ponto para quem sabe ter orgulho próprio. O show de despedida teve Ivete Sangalo (simpática), Marcelo Camelo (protocolar) e Lulu Santos (chato). Os fãs gostaram.

2007 – Paulinho da Viola

Um dos gigantes da música brasileira cantando para o público jovem da MTV. Em que deu isso? Em Paulinho da Viola, seu cavaquinho e seus sambas maravilhosos. Não existe invenção ou fórmula para o sambista maior. São só suas canções e pronto. Como disse anteriormente, o samba é acústico na raiz. Logo, não há novidade. O show traz o mesmo Paulinho de sempre. E é lindo, apesar o formato poder querer mais do convidado. A propósito, não há convidados espesiais.

2010 – Lulu Santos II

Dez anos depois do primeiro volume, quando o projeto já estava dando como morto, Lulu grava um novo show. O resultado é pífio, apesar de voltar a mexer num baú de hits enorme. É dele que saem Papo Cabeça e Minha Vida, por exemplo. Em termos de banda, nada mais além da banda que já acompanha o carioca nos shows elétricos. A grande novidade fica para a presença de Marina de La Riva em Adivinha o Quê, em versão bilíngue. É legal, mas pouco para o padrão Lulu.

2012 – Arnaldo Antunes

Pronto, não há mais o que fazer a não ser uma despedida. Ressuscitaram o Acústico para celebrar os 30 anos da MTV e convidaram Arnaldo Antunes para a festa. O projeto é rico visualmente, com seu cenário giratório em formato de carrossel. Com os músicos todos de branco, há clima onírico no ar. O repertório é longo, mas os convidados são mal aproveitados. Nina Becker, com sua vozinha pequena, é engolida pela canção. Fora ela, tem Moreno Veloso, Liminha e Guizado, bons nomes que não são capazes que der o brilho que o projeto merece.