Discografia

Nico Rezende comemora carreira com tributo a Chet Baker

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Há mais ou menos 30 anos, um dos nomes que mais figurava nas paradas de sucesso era o de Nico Rezende. Espécie de “pai musical” de nomes como Silva e Leoni, o cantor, compositor e pianista paulistano foi responsável por uma infinidade de sucessos que eram ligados por uma fórmula certeira de melodias fáceis, arranjos modernos, letras acessíveis e muito apelo radiofônico. Foi seguindo esse modelo que ele fez canções que tornaram-se hits nas vozes de Zizi Possi (Perigo, Noite), Ritchie (Transas) e Simone (Amor Explícito), além de Esquece e Vem, seu maior orgulho como intérprete.

Findos os anos 80, Nico seguiu gravando alguns álbuns com menos repercussão, trabalhou como arranjador para muita gente e se destacou no mercado publicitário. Seu mais novo projeto é Nico Rezende Canta Chet Baker, DVD gravado em Niterói, no Rio de Janeiro, com o repertório sofisticado do trompetista de Oklahoma. Acompanhado de Guilherme Dias Gomes (trompete), Fernando Clark (guitarra), Alex Rocha (contrabaixo) e André Tandeta (bateria), ele canta e toca piano em 17 faixas que fazem um breve resumo do que foi um dos maiores músicos do século XX.

Chet Baker era virtuoso com elegância, intenso sem tristeza e forte com delicadeza. Pelas mãos de Nico Rezende e banda, ele soa mais pop, em canções curtas, solos comedidos e com intensidade controlada. O show – lançado só agora pela Fina Flor – foi registrado em 5 de junho de 2016, no Teatro da Universidade Federal Fluminense, em Niterói. O som do DVD não oferece opções e as imagens são simples. Assim sendo, sobressai a competência dos músicos e a beleza das composições.

But not for me (George/ Ira Gershwin), Time After Time (Sammy Cahn/ Jule Styne), That Old Feeling (Lee Brown/ Sammy Fain) e As Time Goes By (Herman Hupfeld) são algumas das faixas registradas com precisão pelo quinteto. Rezende, de fraque, mantém aquele ar contido que quem toca jazz acha que tem que ter. Não é pra menos. Segundo ele mesmo, ali tem um sonho de músico sendo realizado. “Chet Baker é uma referência que carrego desde a adolescência, período em que comecei a ouvir jazz. Sempre tive o sonho de montar um show cantando e tocando as músicas dele”, diz o músico de 57 anos em material enviado para a imprensa. Ou seja: ele tinha direito de fazer com toda a pompa que um sonho merece.