Discografia

Instrumentistas cearenses prestam homenagem a Rosa Passos no CCBNB

Foto: Fernanda Leal

Com 65 anos de vida, Rosa Passos tem um currículo digno de muito orgulho. Com cerca de 40 anos dedicados à música, a baiana de Salvador é reverenciada como uma das grandes estrelas do jazz, da bossa nova e da MPB pelo mundo. Apelidada de “João Gilberto de saias”, a cantora, compositora e violonista de voz doce tem uma carreira sólida no exterior que, apesar do repertório bastante popular, ainda carece de reconhecimento em seu país.

Para um grupo de jovens instrumentistas cearenses, Rosa hoje é mais que um ídolo. É uma madrinha. Reunidas para mais uma edição do Jazz em Cena, Adália Raquel (voz), Theresa Rachel (violão), Joana Lima (piano), Mirele Alencar (contrabaixo), Raquel Lopes (percussão) e Daniele de Azevedo (bateria) se encontram amanhã, no Centro Cultural BNB para interpretar sambas, bossas e outras maravilhas do repertório da veterana em um encontro inédito. Azul (Djavan), Ladeira da preguiça (Gilberto Gil) e Só danço samba (Tom Jobim) estão nesse repertório.

Adália Raquel conheceu Rosa no Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga, mesmo lugar onde recebeu o convite para realizar o tributo. “O (produtor) Dalwton Moura me viu dando uma canja no Festival de jazz e propôs fazer um tributo a uma cantora de jazz”, lembra a cantora que cogitou outros nomes, como Tania Maria e Eliane Elias. “Mas me identifico com a Rosa por ela também ser instrumentista e pelo repertório que eu gosto muito”, explica a estudante do curso de Música da Uece.

E foi na Uece que ela conheceu Joana e Mirele. A primeira comemora o convite para um projeto tão raro. “Realmente é difícil. A gente vê como uma oportunidade. É um abrir de portas, de dar oportunidade para as mulheres. Eu posso falar por mim por que, no curso de música, 90% são homens”, comenta a pianista. Mirele faz coro. “Aqui em Fortaleza, tem poucas mulheres instrumentistas e a gente conseguiu juntar uma turma legal. Eu queria muito que a gente conseguisse levar o show para mais lugares. Está muito bonito”, adianta.

Se o número de mulheres instrumentistas é pequeno em Fortaleza (e na própria história do jazz), ele ficar menor ainda quando o assunto é bateria e percussão. “As pessoas têm a impressão de que percussão é pra homem, acho que por que exige resistência. Até no meio musical as pessoas estranham”, diz Raquel Lopes que toca desde os 7 anos. Mesmo com a experiência acumulada por já ter tocado em orquestra, dividido o palco com Manassés, Waldonys e outros, e viajado o mundo com sua música, por aqui ela ainda precisa provar seu talento. “Uma vez, tocando numa orquestra, a pessoa responsável pelo figurino disse que eu teria que me vestir de homem por que só tinha roupa para homem”, lamenta.

Para a baterista Daniele de Azevedo, a experiência não foi diferente. Por sorte, os pais deram força e incentivaram nas baquetas. “Tem muitas mulheres que comentam que tinham vontade, outras acham legal, ficam surpreendidas. Já passei por preconceito, principalmente em shows. Por exemplo, homens bateristas que ficam duvidando, que nem conhecem e acham que você não sabe tocar por que é mulher”.

“Ser mulher é bem desafiador. Tem os preconceitos por estar aí, na noite. Por isso a Rosa é uma grande referência. Por ser cantora, instrumentista, compositora e está rodando o mundo inteiro”, acrescenta a violonista Teresa Raquel. Já com alguns trabalhos realizados em palcos e estúdios, a estudante de jornalismo tem pretensões registrar suas próprias composições. “Estou muito feliz e também aprendendo muito.

Não são músicas fáceis, os arranjos (de Yago de Castro) são complexos. Mas tenho visto com alegria, me esforçado muito. A própria Rosa está acreditando muito e disse que vai assistir (pelo Facebook). Pra mim é uma grande alegria”.

Serviço:
Tributo a Rosa Passos
Quando:
amanhã, 7, às 19 horas.
Onde: CCBNB (Rua Conde D´Eu, 560 – Centro).
Entrada franca
Telefone: 3464 3108