Discografia

Retrospectiva 2017: Novidades, reencontros e melodias

Foto: Rubens Rodrigues

 

 

 

 

Nenhuma boa surpresa pode superar o fato de eu ter visto os Novos Baianos ao vivo em Fortaleza este ano. Pepeu Gomes, que músico, que frontman, que guitarrista! Baby do Brasil em grande forma, cada vez mais acelerada. Paulinho Boca de Cantor, a mesma afinação, a mesma simplicidade potente. Moraes Moreira, sério, compenetrado, mas ali presente. Mesmo estando clara a falta de interação e calor entre todos, e o excesso de egos inchados, ver meus ídolos juntos, tocando seus clássicos, foi um sonho realizado. Mesmo que atrasado.

Não poderia começar minha retrospectiva pessoal por outro ponto.

Mas é preciso lembrar a surpresa negativa. Era domingo de manhã quando soube da morte de Belchior. Um dia de trabalho intenso e informações vindas de diversos cantos. Calou-se, em 30 de abril, o porta-voz de uma geração de migrantes, nordestinos, filósofos boêmios. Por outro lado, o cearense voltaria a ser lembrado por suas composições. De uma piada que fugia da cobrança de hotéis e se metia em trapalhadas mal explicadas, ele voltou a ser tratado como o artista de primeira grandeza que sempre foi.

Por falar em música cearense, alguns lançamentos deste ano merecem ser (re)escutados com atenção. Nascida na França, mas crescida em Fortaleza, Laya deu seu nome ao disco de estreia, um trabalho de peso roqueiro com clima setentista que chegou em formato físico este ano. Também atriz e cantora, Soledad estreou em disco com um trabalho fruto da sua passagem pela escola Porto Iracema das Artes. Produzido pelo paulistano Gui Amabis, Soledad, o disco, aposta em climas quentes, sussurros e interpretações fortes.

O mesmo pode ser dito da estreia do quarteto Mad Monkees.

Roqueiros até o talo, a banda comandada por Felipe Cazaux contou com Carlos Eduardo Miranda para produzir um álbum forte, coeso e urgente. Outro trabalho digno de nota é a parceria de Oscar Arruda com a banda Astronauta Marinho. Trabalho feito com minúcias, detalhes burilados, o álbum que consolida essa parceria é uma obra de arte, da capa à audição.

Saindo de Fortaleza, outros dois tópicos devem ser lembrados nessa sempre perigosa seleção de destaques do ano. Um deles foi a 19ª Mostra Sesc Cariri, sempre relevante na troca de experiências entre o que se produz na região e o que vem de fora para integrar a programação. Mombojó, As Bahias e a Cozinha Mineira e As Chicas sendo acompanhadas pelo público é só um exemplo da diversidade do festival. O outro ponto são os 50 anos de Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. Entre as dezenas de efemérides celebradas pelos fãs dos Beatles, redescobrir histórias desse álbum que mexeu com a indústria musical de forma irreversível é uma forma de valorizar o pop que vai muito além do descartável e é tratado como obra de arte. E ano que vem tem mais efeméride beatlemaníaca, com os 50 anos de “Álbum Branco”.

A propósito, quase ia esquecendo uma notícia que correu agora quase no finzinho do ano. Liam Gallagher, mais uma vez pelo Twitter, disse que está tudo bem entre ele e seu irmão Noel, e ainda que estaria esperando pelo encontro da família para o Natal. As duas cabeças (duras) por trás do Oasis viveram às turras até anunciarem o fim da banda em 2009. O anúncio desse armistício acende aquela velha esperança de ver a dupla de volta no palco. Principalmente sabendo que ambos lançaram disco – cercados de elogios – este ano. Vejamos o que 2018 nos reserva.