Discografia

Sem Palavras: O canto do sabiá brasilense

Por Victor Hugo Santiago

“Minha terra tem palmeiras, onde canta o Sabiá…”
(Gonçalves Dias).

Na canção do exílio (1847), Gonçalves Dias prenunciara em poesia sobre um Brasil onde a natureza, tão rica em primores; sobretudo, sonoros, como o cantar de um pássaro (Sabiá). Parafraseando o mesmo poema e traçando um paralelo sobre, Gabriel Grossi traz em sua bagagem musical, uma referência na amplitude sonora, que acerca os caminhos inimagináveis da gaita (ou harmônica, como muitos instrumentistas preferem), e nesta, expande-se tal qual indica o título do seu mais recente álbum, intitulado de Em Movimento.

Gabriel Grossi é um dos principais gaitistas da atualidade. Este disco marca 20 anos de carreira desse instrumentista  de extensão imensa que se reinventa a cada melodia executada. Lançado em CD/DVD, o Em movimento foi gravado ao vivo pelo Gabriel Grossi Quinteto no Teatro Plínio Marcos, em Brasília, cidade natal do músico. No repertório, estão temas compostos para Maurício Einhorn, para o trombonista Raul de Souza, para um outro pássaro de canto raro, como o nosso Bituca (Milton Nascimento), e para o mais célebre de todos os gaitistas, o belga Toots Thielemans. Uma merecida e célebre homenagem a alguns de seus mestres. Dois deles fazem participação no disco: o também gaitista, Maurício Einhorn, e o multi-intrumentista Hermeto Pascoal. Ambos dispensam comentários.

O disco abre com o clássico O Prelúdio Das Bachianas Nº4. Além desta, outros clássicos são revisitados genialmente, Batida Diferente, de Einhorn e Durval Ferreira, e Carinhoso, do saudoso mestre Pixinguinha, nos convidando a deleitar sobre a interpretação de Gabriel. Sem contar, no manancial de divisões rítmicas contagiantemente brasileiros.

Toda a direção musical é feita por Gabriel. Os arranjos são assinados em parceria com Eduardo Farias. Os músicos que o acompanham no disco são: Sérgio Coelho (Trombone), Eduardo Farias (Piano), André Vasconcellos (Baixo Acústico), Rafael Barata (Bateria).

Vale ressaltar que o disco tem patrocínio da Funarte (Fundação Nacional de Artes) e do Ministério da Cultura (Governo Federal). Que pudera, pela brasilidade e fomento de uma nacionalidade, remetem a uma riqueza das que temos de maior: a música. Salve os sons!

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