Discografia

Tribalistas em Fortaleza: beleza, entrosamento e nostalgia

Foto: Ysla Amorim

Confesso que havia uma grande expectativa de minha parte sobre o show dos Tribalistas, que ocorreu no último dia 11, no Centro de Formação Olímpica, em Fortaleza (leia matéria sobre o show aqui). Em 2002, aos nove anos, o álbum do trio era uns dos meus favoritos e as canções da tribo de Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte embalavam os fins de tarde ao lado da minha mãe e da minha irmã.

A minha primeira surpresa veio com o lançamento de novas composições do trio em 2017. Não esperava outro trabalho gravado dos Tribalistas. Lado a lado novamente, a promessa de uma turnê animou os fãs, mesmo 15 anos depois do primeiro disco. Ouvi o novo álbum com a mesma devoção que ouvia as músicas lançadas em 2002. Sem grandes novidades, as canções se fundem de maneira harmônica e sem sobressaltos com o disco anterior. Era como se o intervalo de tempo nunca tivesse acontecido.

Ao entrarem no palco em Fortaleza, após 40 minutos de atraso, o trio levou o público ao êxtase. Saudados por gritos e aplausos, Arnaldo, Carlinhos e Marisa entoaram Tribalistas e já foi possível perceber que a noite seria levada pela boa energia que emana quando os três artistas estão juntos. Seguindo de Carnavália e Um Só, a tribo se mostrou entrosada e receptiva com a plateia. Marisa deu as boas-vindas e desejou boa noite a todos. Arnaldo festejou está de volta a Fortaleza e Carlinhos que elogiou o público e ressaltou a qualidade dos artistas saídos do Ceará. Marisa completou “Inclusive, Mestre Júlio. Responsável por essas pinturas que vocês estão vendo”, explicou a cantora referindo-se as fotopinturas usadas como ilustração para a música Um Só.

Mestre Júlio ao lado dos Tribalistas. Foto: Marco Froner

É que paralelo ao show cantado em cima do palco, um espetáculo visual completava a noite. Telões, iluminação e até o figurino convidavam o público a uma viagem junto das canções. Cores, imagens, texturas, letras para cantar junto. Tudo em harmonia com os artistas. A sensação é de estar mesmo em outro planeta. De fazer parte daquela viagem.

O repertório, apesar de não trazer grandes surpresas, me agradou profundamente. Foi aquele show para cantar junto, para lembrar-se de canções. Pura nostalgia. Ao todo, cerca de 30 músicas foram apresentadas para o público que acompanhou tudo a plenos pulmões. A setlist passou por composições do primeiro disco como Lá de longe, Carnalismo e É Você. Além dos hits Já sei Namorar e Velha Infância. Já o mais recente álbum foi cantado com Diáspora, Lutar e Vencer e Aliança. E outras canções que têm cara de “lado B” como Baião do Mundo.

Fora o trabalho dos Tribalistas, foram apresentadas composições e parcerias feitas pelo trio em outros momentos. Carlinhos com Marisa, ela com Arnaldo. E canções como Depois  – O que você quer saber de verdade, 2011 -, Infinito Particular e Universo ao meu redor – CDs homônimos de 2006 – e Amor I Love YouMemórias, Crônicas e declarações de amor, de 2000 – foram lembradas pelo público. O repertório mostrado não contemplou todas as c ompisoções do trio, como ressaltou Marisa Monte em conversa com a plateia. Ao lado de Arnaldo e Carlinhos, são mais de 50 músicas compostas.

Foram quase duas horas de um belo espetáculo. Marisa ocupa a parte central do palco e o vocal a maior parte do tempo. Arnaldo, com sua inconfundível voz, dança solto e é puro carisma. Brown, cercado de sua parafernália percussiva, é performático e deixa claro todo o talento que tem. Até capoeira teve em cena. Dadi Carvalho (baixo), Pedro Baby (violão e guitarra), Marcelo Costa (bateria) e Pretinho da Serrinha (percussão e cavaquinho) acompanharam o trio durante a noite.

Os Tribalistas festejaram a noite em Fortaleza como uma celebração na taba. Foi um show de memórias afetivas vividas através de canções. De celebrar a união. De cantar o amor. A turnê segue para Porto Alegre (24/8), Curitiba (25/8), Brasília (1/9) e Belo Horizonte (7/9). Por aqui, ficou a satisfação de ter assistido esse encontro e a mensagem de que “o tribalismo pode ser e deve ser o que você quiser. Não tem que fazer nada, basta ser o que se é”. É aquela sensação de quem somos melhores juntos.

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