Discografia

Estante de Discos: Tributos e homenagens

Foto tirada do Facebook de nando reis

Mais salvas para o rei
Houve uma época em que gravar canções de Roberto e Erasmo era um mérito de poucos. De uns 10 anos pra cá, esse quadro tem mudado e cada vez mais pessoas vem fazendo uso desse repertório. Só numa listinha rápida puxada da memória, tivemos Cauby Peixoto (nota 8), Teresa Cristina (7), Ângela Maria (8), Lulu Santos (7), Célia (7,5) e Roberta Miranda (não me dei ao trabalho de ouvir). O saxofonista Zé Canuto entrou para essa lista lançando o tributo Dom, com 10 músicas da dupla. O projeto foi aprovado pelo próprio Roberto e traz faixas como Lady Laura, Rotina e Despedida, tudo arranjado com um ar de festa de formatura. O próximo a entrar nessa seara é Nando Reis, que anunciou uma homenagem aos líderes da Jovem Guarda para 2019. Se fugir dos lugares comuns que todos procuram, o ex-titã tem chance de se sair melhor nessa empreitada.

Curiosamente, esses tributos crescem à medida que Roberto vai vendo sua carreira cada vez mais cristalizada num conceito cansado, repetitivo e pouco atraente para novos fãs – que vêm descobrindo velhos vinis, como se RC não estivesse vivo para produzir novidades. E essas novidades poderiam vir nas mais variadas formas, uma vez que o Rei nunca compôs com outra pessoa que não fosse Erasmo (esse sim, com a carreira mais interessante, ousada e inventiva nos últimos anos). Ou seja, até mesmo as fórmulas mais batidas da indústria fonográfica serviriam para mostrar que Roberto ainda tem brasa pra queimar. Um disco de intérprete para standards nacionais, um tributo a Sinatra, duetos inéditos, um disco de voz e piano, ou voz e violão… Enfim, até um clichê seria bem vindo nesse momento.

Rock nas telas

Duas lendas do rock estão prestes a terem suas histórias de fama, abuso e sucesso contadas no cinema. O primeiro é o Queen, cuja cinebiografia está programada para 1° de novembro. Com Remi Malek no papel do incendiário Fredie Mercury, o filme Bohemian Rhapsody promete explicitar os exageros de um dos quartetos mais imponentes da história do rock, que soube fazer uma transição perfeita da década de 1970 para a seguinte. Como não poderia deixar de ser, junto com o filme uma série de produtos vai chegar ao mercado. Uma delas é a trilha sonora, que vai incluir performances inéditas do Queen durante o show que fizeram no festival Live Aid, em 1985, tudo fiscalizado por Brian May e Roger Taylor. Bohemian Rhapsody conta ainda com Gwilym Lee no papel de May, Ben Hardy como Roger Taylor e Joe Mazzello como John Deacon.

Embora tenha se transformado num baladeiro nessa mesma virada dos 1970 pros 80, Elton John também é uma estrela do rock e terá vida contada nos cinemas. Rocketman estreia em 30 de maio de 2019 e traz Taron Egerton no papel principal. O trailer, com trechos recortados de Bennie And The Jets, é arrepiante e cria a tensão ideal pra quem já não aguenta esterar pra ver o inglês espalhafatoso ganhar as telas. Ainda mais agora, quando ele se prepara para abandonar os palcos. A direção é de Dexter Fletcher (que também faz parte da equipe de Bohemian Rhapsody) e o elenco conta ainda com Jamie Bell como Bernie Taupin. Segundo a Paramount, Rocketman será uma “uma fantasia épica musical, sem censura, sobre a vida do mito Elton John ao longo dos anos”. A esperar.

Ouro puro


Gravado em 1976, em Paris, Visions Of Dawn é o resultado de algumas sessões divididas entre Joyce (voz e violão), Naná Vasconcelos (percussão) e Maurício Maestro (vocais, baixo e arranjos). Só pelos nomes envolvidos, já dá pra imaginar o volume de bom gosto empregado. Mas o álbum ficou inédito até 2009, quando foi lançado pela primeira vez. Depois de uma primeira tiragem esgotada em pouco tempo, o selo londrino Far out Recordings está relançando o LP no mercado internacional. Banana, Clareana, Nacional Kid são algumas das faixas desse álbum indispensável pra quem gosta de boa música.