Discografia

Cainã Cavalcante e sua estrada violeira

Foto: Tainá Cavalcante/ Divulgação

Yamandu Costa, um dos nomes mais celebrados do violão brasileiro nos últimos anos, definiu Corrente, novo disco de Cainã Cavalcante, de um jeito muito particular. “É um disco muito melodioso e de pau duro”, comentou o gaúcho de 38 anos. Ele pode falar com propriedade, já que é conhecedor do trabalho do violonista cearense desde os primeiros passos. Yamandu esteve presente em Morador do Mato, gravado em 2002, no estúdio Olho D’Água, de Manassés, outro convidado do trabalho. Ainda uma criança na gravação, Cainã recebeu ainda gente como Adelson Viana, Pantico Rocha, Mingo Araújo e Hoto Jr. nesse primeiro disco, que hoje é uma raridade.

Em 2015 foi a vez de Samburá, que contou com uma força de Raimundo Fagner. São 11 faixas, incluindo Mariah, composição própria. Ao lado dela estão De João pra Pernambuco (João Lyra), Maria Luiza (Ferreira Junior), Passando a Limpo (Carlinhos Patriolino), A estrela Mais Bonita (Tarcísio Sardinha) e outras. Em seu terceiro disco, Cainã uniu cordas como o violonista carioca Zé Paulo Becker, do Trio Madeira Brasil. O disco Parceria mistura composições de ambos e já rodou pelo Brasil e exterior.

Muitos desses nomes estão presentes entre os agradecimentos de Corrente. Mais maduro como músico, Cainã explora ritmos, melodias e seu aprendizado num disco em que se expõe por inteiro. “Eu acredito que a alma da música brasileira é a canção. O que seria do Villa-Lobos sem a melodia. Dominguinhos também. E eu tenho essa alma de canção”, explica o cearense que também dividiu com Marcos Lessa e Dudu Holanda um tributo a Gonzaguinha. “A música nordestina tem um vigor, uma atitude, mas ela tem uma melodia. De repente essas melodias entrem no coração”.

Confira a seguir, os comentários de Cainã Cavalcante para as faixas do seu novo álbum:

1 – Forró Gaúcho – Música em homenagem ao sanfoneiro gaúcho Bebê Kramer. Composição inspirada pelo jeito gaúcho do Bebê tocar o forró. A música que abre o CD e contém dois movimentos. Um mais efusivo e outro mais contemplativo. Prepara o ouvinte para o que vem pela frente.

2 – Balanço Zona Norte – Música dedicada ao pianista nortista Tito Freitas e à cantora Leny Andrade. Na verdade, um agradecimento pela “aula” que foi o convívio durante o inspirador período em que trabalhamos juntos. O título da música é inspirado na música Balanço Zona Sul, do grande e já saudoso Tito Madi. Leny cantava essa música nos shows.

3 – Corrente – Música que dá título ao álbum. Composição carrega consigo um movimento contínuo, corrente, fluido. As modulações vão se chegando, acontecendo e mexendo as águas de um rio de sons. Ora manso, ora agitado.

4 – Canção da noite – Acredito que a essência da música brasileira é a canção, são as melodias. Canção da noite traz um universo contemplativo, aonde a melodia fica exposta, sem mistério.

5 – Mar de saudade – Música composta em Riga, na Letônia. Quando estava em turnê pela Europa, morrendo de saudade da Flora, minha filha, e pensando na ideia de que existia um mar que nos separava fisicamente, mas um amor infinito que nos liga aonde estivermos. Para mim, a composição tem o movimento de jangada em mar calmo.

6 – PoiZé – Música dedicada ao meu mestre, amigo e grande violonista carioca Zé Paulo Becker. Choro melódico e desafiador.

7 – Vento Sul – Composição em homenagem ao meu amigo e gênio do violão mundial Yamandu Costa. Música vigorosa, com um alinhamento técnico e melodioso, que eu gosto bastante!

8 – Que seja leve – Carinho imenso por essa composição branda e amorosa. Um desejo de que nossas vidas sejam conduzidas pela leveza dos bons sentimentos.

9 – A Vida No Sertão – Música em homenagem ao maior poeta popular do mundo, meu padrinho de batismo Patativa do Assaré. Pelos ensinamentos, sempre presentes. Pelo carinho e simplicidade com que conduzia sua vida. Música que fecha o disco com mansidão,que me localiza, fala de onde eu venho. Tem cheiro do sertão cearense!