Discografia

Blubell apresenta Confissões de Camarim na Caixa Cultural

A cantora Isabel Fontana Garcia faz parte de uma cena musical que é difícil classificar. É uma MPB contemporânea, meio indie, com uma estranheza que, quando bem dosada, soa bastante agradável. No seu caso, em especial, mais importante que os rótulos são suas referências. E aí basta ouvir seus discos para reconhecer a paixão pelas divas do jazz, pelo blues de raiz, por uma teatralidade meio cabaré e pelas trilhas dos filmes clássicos em preto e branco.

Conhecida pelo nome de Blubell, ela apresenta muito dessas influências do show Confissões de Camarim, de amanhã, 19, a domingo, 21, na Caixa Cultural. Baseado em seu disco mais recente, lançado em 2016, marca a estreia da paulistana em terras cearenses. “Sinto que vou me apaixonar”, adianta a artista sem economizar na empolgação. “Estou muito feliz de estar indo pro Ceará, um estado onde eleitoralmente eu me identifico muito. Aqui em São Paulo está muito difícil, um lugar cada vez mais conservador. Tenho certeza de que o Ceará vai entrar para listinha dos lugares para onde eu quero fugir”, brinca com o caso de amor ainda antes da primeira vista.

Sobre Confissões de Camarim, ela explica que é um passo adiante do show anterior, baseado no disco Diva é a Mãe (2013). “O disco falava sobre o que é ser artista, o que é ser humano”, conta ela que convida o público a entrar na sua intimidade artística, o camarim, e quebrar essa distância entre o palco e plateia. “O camarim é como a cabine do Superman, onde você entra pra se transformar no que quiser e entrar na brincadeira”.

Com um conceito que tangencia o teatral, ela dividiu o show em três atos: começa um pouco mais dançante, vai para uma parte mais romântica e termina mais “amalucado”. Amalucado? “É isso mesmo… Eu uso um pouco mais de humor e também, pra esse show, separei duas degustações de outros shows. Um é o tributo à Madonna, que eu faço com sucessos dela de várias épocas em releituras de jazz, e outro é do “Álbum Branco”, dos Beatles”, define.

Acompanhada pela banda formada por Bruno Serroni (violoncello), Zé Ruivo (teclados) e Richard Ribeiro (bateria e programações), Blubell pretende revisitar canções que vêm desde Eu Sou do Tempo Em Que a Gente se Telefonava (2011). Disco onde se revela como uma cantora, compositora e intérprete mais completa, o álbum recebeu elogios da crítica e contou com a participação especial de Baby do Brasil. Em 2012, ela dividiu com o trio Black Tie (Mario Manga, Fábio Tagliaferri e Swami Jr) um trabalho de releituras para canções tão díspares quanto Love For Sale (Cole Porter) e My Generation (The Who). “O do Black Tie é uma coisa especial, onde eu entro mais como intérprete. Foi maravilhoso. É um trabalho coletivo, onde todo mundo participou de todo o processo”, explica ela que já no ano seguinte lançou Diva é a Mãe.

Entes desses discos, o trabalho de estreia de Blubell é Slow Motion Ballet, hoje fora de catálogo. “Está fora de catálogo e vai continuar”, avisa sem abrir espaço para discussão. “Eu era uma cantora, tinha música, mas ainda não me sentia compositora (de verdade). Entrei como compositora e intérprete, mas não participei da produção. Aí, os seguintes se assemelham no modo de produção coletiva, de gravar todo mundo junto, que é uma coisa do jazz”, explica ela que evitou a repetição – do processo coletivo – em Confissões de Camarim.

O novo disco tem tudo que se espera de um disco de Blubell, mas faz um aceno para uma produção mais madura e menos experimental comandada por Márcio Arantes. “São canções com uma cara antiga, mas ele vestiu de uma forma mais contemporânea”. Com seu timbre muito peculiar, uma mistura de Billie Holliday e Sippie Wallace, ela apresenta baladas saborosas e confessionais, com muito bom humor. “A minha música é muito confessional. Ela é toda sobre experiências minhas. Ainda não aprendi a escrever de outra forma”, revela a cantora que conversou com O POVO por telefone, enquanto entrava na SP Escola de Teatro, onde começou um curso técnico de dramaturgia. “Eu falo cada vez mais nos shows e o teatro está sempre presente. Queria trazer isso mais, quero me especializar nessa coisa de contar histórias. Não sei em que vai resultar, mas é um novo braço do meu trabalho”.

Blubell – Confissões de Camarim
Quando: amanhã, 19, e sábado, 20, às 20h; e domingo, 21, às 19h
Onde: Caixa Cultural (av. Pessoa Anta, 287 – Praia de Iracema)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Telefone: 3453 2770