Discografia

Estante de Discos: Ney na ponta do lápis

A ponta fina do lápis
O jornalista Mauro Ferreira anunciou em sua coluna do G1 que Ney Matogrosso vai incluir em sua nova turnê, Bloco na Rua, as duas músicas que gravou ao lado de no raro compacto de 1975. Ponta do lápis (Clodo/ Rodger Rogério) e Postal de amor (Fagner/ Fausto Nilo/ Ricardo Bezerra) são duas obras-primas registradas entre os dias 17 e 19 de outubro daquele ano, no Rio de Janeiro, com a presença de músicos como Jorge Olmar no violão de 12 cordas, Paulo Chacal na percussão, Roberto de Carvalho se dividindo entre teclados e violão, e produção de Carlos Alberto Sion. O resultado é um encontro perfeito da crueza dos melhores anos de Fagner com a voz impecavelmente limpa e aguda de um Ney iniciando a carreira solo pós-Secos & Molhados. Só por essa informação, já vale conferir o incansável Ney Matogrosso em mais uma turnê que desafia o tempo e a lógica do mercado.

A revolução de Caike Falcão
O cantor, compositor e guitarrista cearense Caike Falcão lançou nos últimos dias de 2018 uma faixa sobre o que ele pensa do Brasil na gestão do presidente Jair Bolsonaro. O folk blues gritado e inconformado AI-18 tem ares de Raul Seixas e manda um recado muito direto para “Pseudos revolucionários, Adolescentes reacionários, Confusos e libertários”. A faixa já está disponível nas plataformas de streaming e conta com Juscelino Blow na bateria e Caio Hitzschky no baixo. “Esse single faz parte de uma série que vou lançar nessa pegada mais blues com temática política”, avisa Caike que lança o próximo single, Eles é quem sabe de tudo, em 1º de fevereiro.

A música de Cafi
Dois garotos sentados num monte areia, despreocupados com o olhar de um fotógrafo que passava de carro ali por acaso. Eis que vem um clique. Assim nasceu uma das mais icônicas capas de disco da história, a do álbum Clube da Esquina. Lançado em 1972, disco que reuniu Milton Nascimento, Lô Borges e uma geração luminosa de artistas mineiros foi embalado por uma foto de Carlos Filho, pernambucano mais conhecido como Cafi, que sofreu um infarto e faleceu na madrugada desta terça-feira, 1°. O artista plástico e fotógrafo manteve íntimas relações com a música brasileira, tendo feito capas para Nana Caymmi, Blitz, Chico Buarque e muitos outros. Cafi tinha 68 anos e estava envolvido com o novo disco de Jards Macalé, previsto para este ano.