Discografia

Roberta Sá apresenta inéditas de Gilberto Gil no show Giro

Foto: Nana Moraes/ Divulgação

Um presente, só isso. Assim, Gilberto Gil descreveu as 11 canções que deu para Roberta Sá gravar. Todas inéditas, frutos de um bem-vindo fluxo de inspiração que veio logo após uma série de problemas de saúde. Para a cantora norte-rio-grandense, foi preciso um tempo até aceitar que aquele presente era pra ser aceito de bom grado. “Eu fiz o exercício de aceitar o presente. Minha única preocupação é desfrutar o momento. Nada mais me interessa tanto, a não ser o desfrute das canções, de ser a primeira pessoa a dar voz a essas canções e que as pessoas aproveitem esse momento de tanta inspiração do Gil. É simplesmente um gesto de amor”, define Roberta.

Presente aceito, essas canções foram registradas em Giro, oitavo disco de Roberta Sá, que será apresentado esta noite no Teatro RioMar. Acompanhada de Bem Gil (guitarra), Pedro Dantas (baixo), Marcelo Costa (bateria) e Danilo Andrade (teclados), ela passeia por alguns momentos da carreira, apresenta as novas canções e relembra sucessos de Gil, como Abri a porta, parceria com Dominguinhos que ganhou gravação antológica do grupo A Cor do Som. “São coisas que inspiraram minha parceria com ela”, justifica ela.

A história de Giro começou em 2016, em encontros promovidos pelo falecido jornalista Jorge Bastos Moreno. Em torno de uma mesa farta, vieram as primeiras conversas e a vontade de montar um tributo a Gilberto Gil. Daí nasceu a canção que dá nome ao disco e que fala sobre essa ideia de “dar e receber um presente”. “Hoje tá virando amor de verdade, desse que vem pra focar. Hoje não tem nada pela metade, bolo inteiro só pra mim”, canta Roberta que ainda teve a honra de virar parceira do mestre baiano em Cantando as Horas. “É nossa primeira parceria. Foi uma das minhas maiores alegrias ser parceira dela. Minha medalha de ouro”, conta.

A segunda composição de Giro foi Afogamento, uma das mais belas composições de Gil nas últimas décadas. Parceria com Jorge Bastos Moreno, a faixa foi lançada como um dueto em Ok Ok Ok, último álbum de Gilberto Gil. Em Giro, ela reaparece só com a voz de Roberta. “Ele fez quando eu estava em Fernando de Noronha, de férias. Eles diziam que eu fui abduzida pelos golfinhos e não queria voltar de lá. Foram minhas últimas férias”, brinca a cantora de 38 anos que traz no novo disco outro mérito digno de nota. Ela diz Que Me Ama é a primeira parceria de Gil com Jorge Benjor, depois de quase 40 anos. O samba, que conta com a participação do Zé Pretinho, foi feito a pedido dela. “Uma honraria máxima ser o motivo da união”, resume.

Produzido por Bem Gil, Giro conta com a presença absoluta de Gilberto Gil, não só nas composições, mas nas ideias e tocando violão em todas as faixas. A inspiração para o trabalho, conta Roberta, foi Recanto (2011), álbum em que Gal Costa dá voz a 11 canções de Caetano Veloso, 10 delas inéditas (Mansidão, lançada por Jane Duboc em 1982, não era inédita, mas andava esquecida). “Quando Gil começou a cantar, o Bem disse pra fazer o álbum só de inéditas. O pai está numa fase muito criativa, fez o Ok Ok Ok na mesma época”, lembra Roberta, acrescentando que havia a ideia de lançar os dois álbuns ao mesmo tempo, Giro e Ok Ok OK. “Mas a gente não conseguiu finalizar o meu a tempo”.

Ainda assim, foram tempos de muita troca de afeto e experiências. “Foram dois anos. Um processo muito afetuoso, muito natural. Ele foi me apresentando e falou ‘vamos fazer essas’. No final, a gente já tinha gravado seis e ele fez as outras. O Gil disse que precisava de sambas porque não tinha nenhum até então. Ai fez O Lenço e O Lençol e A vida De um Casal”, narra Roberta que ainda teve seu rosto descrito musicalmente em Autorretratinho. “Foi a mais difícil de cantar. Falar de mim dessa maneira foi bastante desafiador. Eu abro o show com ela. É uma afirmação do presente. Conseguir falar bem da gente é um exercício muito difícil, mas muito gratificante”.

Roberta Sá – Giro
Quando: sexta, 31, às 21 horas
Onde: Teatro RioMar Fortaleza (Rua Lauro Nogueira, 1500 – Papicu)
Ingressos: R$160 (plateia alta), R$180 (Plateia Baixa B) e R$200 (Plateia Baixa A). Preços de inteira. À venda no local e pelo site
Telefone: 4003 1212