Discografia

Woodstock, um errado que deu certo

Foto: Tucker Ransom/ Hulton Archive/ Getty Images

No último dia de julho, Michael Lang anunciou que o evento que celebraria 50 anos do Festival de Woodstock estava cancelado. Indefinições sobre local, cancelamento de atrações e a saída da Amplifi Live, principal investidora da festa (que ainda levou os US$ 18 milhões que havia investido no projeto) deu por encerrado o desejo de celebrar aqueles três dias de paz, amor e música. Apesar de lamentável, não é de se estranhar. Embora tenha colaborado para elevar jovens artistas à categoria de deuses do rock, o festival realizado entre os dias 16 e 18 de agosto de 1969 foi pontuado por problemas, erros de cálculo e decisões impensadas que ajudaram a transformar aquele fim de semana em algo inesquecível.

Era pra ser mais um festival de música, como muitos que pipocavam pelos Estados Unidos desde meados da década de 1950. Newport Jazz Festival, Newport Folk Festival, Monterey International Pop festival, Hyde Park, Isle Of Whight Festival, Atlanta Pop festival, Woburn Music Festival… Eram muitos, alguns marcantes, outros não, e muitos deles trazendo as mesmas atrações. E mais: quando John P. Roberts e Joel Rosenman publicaram anúncios no New York Times e no Wall Street Journal dizendo que tinham dinheiro “ilimitado” e buscavam propostas de investimento, não bem um festival que eles buscavam. No entanto, a proposta que mais agradou foi a dos jovens e cabeludos Michael Lang e Artie Kornfeld, que pensaram em um estúdio de gravação em Woodstock. Na conversa, essa ideia evoluiu para uma mostra de artes ao ar livre.

Os ingressos começaram e ser vendidos por US$ 18 e a ideia de celebrar a Era de Aquário ouvindo rock numa fazenda paradisíaca nos arredores de Nova York acabou atraindo mais gente que o esperado. Os números são conflituosos, mas há quem fale em 500 mil pessoas causando um engarrafamento apocalíptico no percurso. Muita gente, inclusive, abandonou seus carros no meio do caminho e seguiu a pé, piorando ainda mais a situação. Quem não tinha ingresso derrubava as grades e entrava do mesmo jeito. No fim das contas, faltou água e comida para aquela imensa comunidade de hippies que viveu a base de muito ácido, erva e outros alargadores de pensamento.

Em números (questionáveis), o Woodstock deixou três mortos (uma overdose, uma ruptura de apêndice e um atropelamento por trator), quatro abortos, 400 casos de problemas por uso de LSD, toneladas de lixo e 80 ações judiciais. No entanto, o que não foi trágico, tornou-se icônico. É o caso da chuva torrencial que atrasou a programação do sábado em três horas. Apesar de um caso de pneumonia ter sido computado, o momento foi celebrado com muita corrida pela lama. Como também não tinha estrutura de banheiro pra tanta gente, o jeito era tomar banho nos idílicos lagos ali perto.

E ainda tinha a música. As grandes estrelas da época não deram bola para mais um festival de música. Os Beatles já estavam perto de se separar. Led Zeppelin não se achava banda para dividir palco com mais ninguém. Bob Dylan foi bastante lembrado naqueles dias, mas também não compareceu. E os Rolling Stones já estavam planejando o próprio festival, que aconteceu em dezembro daquele ano em Altamont e terminou tragicamente com a morte de um jovem. Apesar das ausências, o elenco que se fez presente saiu dali em patamar de humanidade.

O filme de Michael Wadleigh sobre o Woodstock registrou muito bem a alma do festival e pode ser considerado como o grande responsável pela perpetuação das lendas em torno daqueles dias. O clima de comunhão entre as pessoas e a natureza parecia um sonho que não teria mais fim. Mas teve. Outras duas edições foram realizadas em 1994 e 1999, mas já era notório que o clima de paz e amor havia passado. A seguir, o Vida&Arte retorna à velha fazenda e conta histórias de quem esteve no palco mais importante da história do rock.

Sexta-feira – 15 de agosto
– 17h – Richie Havens (1941-2013)

Sem dentes e de unhas sujas, Richie Havens era um artista improvável para se apresentar num festival. Mas o músico surgido na cena folk do Greenwich Village (NY) abriu o Woodstock com um repertório cheio de covers dos Beatles. Seu improviso sobre o tema Motherless Child, cortado pelo refrão “freedom”, entrou pra história pelo vigor, fúria e suingue. Pela programação inicial, Havens deveria ter tocado três ou quatro músicas, mas teve que estender a apresentação até que as próximas atrações se livrassem do engarrafamento gigantesco pra chegar ao Festival. Depois do Woodstock, o nova-iorquino do Brooklyn seguiu tocando e gravando com relativo sucesso. Faleceu aos 72 anos, vítima de ataque cardíaco.

– 18h15 – Sweetwater
A banda de Los Angeles tinha com principal hit uma versão fusion de Motherless child (a mesma que Richie Havens tocou). Com a doce Nancy Nevins nos vocais, eles apresentaram muitas das canções do disco de estreia, lançado um ano antes. No final de 1969, um acidente de trânsito levou Nancy ao coma e desestabilizou a banda. Eles até se reuniram para o Woodstock 1994, mas sem o mesmo impacto. Essa história foi contada no documentário Sweetwater – The True History (1999), de Lorraine Senna. Uma curiosidade: a banda escolhida para abrir o Woodstock não usava guitarra.

– 19h15 – Bert Sommer (1949-1990)
Em uma noite dedicada ao folk, o cantor estadunidense fez um set com violões, teclado e gaita. O repertório foi tirado dos seus dois primeiros discos, incluindo Jennifer, uma homenagem à Jennifer Warnes, com quem ele atuou no espetáculo da Broadway Hair. Mesmo tendo gravado discos, Bert não teve muito brilho além do Woodstock.

– 21h – Tim Hardin (1941-1980)
Compositor gravado por Rod Stewart, Carpenters, Bobby Darin e muitos outro, Hardin foi dispensado da marinha e virou frequentador do Greewich Village, onde circulavam muitos dos malucos nova-iorquinos da época. Seu show no Woodstock reproduzia aquele clima com canções como If I were a carpenter e How Can We Hang On To a Dream. No entanto, seus (muitos) problemas com drogas comprometeram o resultado num show que teve apenas 30 minutos.

– 22h – Ravi Shankar (1920-2012)

Robindro Shaunkor Chowdhury subiu ao palco com sua cítara, acompanhado de dois percursionistas. Fez um set de longos improvisos ao longo de 40 minutos. Um dos mais celebrados músicos indianos, Ravi Shankar circulou por vários festivais de rock, incluindo o de Monterey, foi professor, compôs trilhas para cinema e teatro, e fez fama pela parceria com o beatle George Harrison, a quem conheceu alguns anos antes do Woodstock. Ravi é pai da cantora Norah Jones e da citarista Anoushka Shankar.

– 23h – Melanie
Aos 72 anos, Melanie Safka tem uma extensa carreira fonográfica e segue suas apresentações (sem muito apelo popular). No entanto, há 50 anos, sua apresentação foi comprometida pelo nervosismo. Aos 22 anos, ela entrou para o festival por que o escritório do seu empresário era no mesmo prédio onde a turma do Woodstock se reunia para trabalhar. Diante de 500 mil pessoas, acompanhada somente pelo próprio violão, a nova-iorquina cantou duas músicas e foi embora. Pra não desmerecer a situação, ela compôs uma canção em homenagem ao festival e teve relativo sucesso.

– 23h45 – Arlo Guthrie
Filho do lendário compositor folk Woody Guthrie, Arlo seguiu os passos do pai e fez carreira com canções de tom politizado. É o caso de Alice’s Retaurant Massacre, uma crítica à guerra do Vietnã e uma defesa à filosofia hippie. A canção também virou filme no mesmo ano do Woodstock. Aos 72 anos, ele segue fazendo shows.

– 1h – Joan Baez

Para encerrar a primeira noite, Joan Baez fez uma apresentação com tudo aquilo que a fez um dos nomes mais fortes da música popular norte-americana dos anos 1960. Os agudos afinados, o violão e o discurso politizado. Grávida de Gabriel Harris, ela ainda discursou no palco sobre a prisão do marido, o ativista político David. Tendo recebido o segundo maior cachê do festival para um artista solo (US$10mil, atrás apenas de Jimi Hendrix), Baez seguiu como uma respeitada artista se apresentando pelo mundo. Recentemente, aos 78 anos, ela se despediu dos palcos, não sem antes criticar o governo Trump.

Sábado – 16 de agosto
– 12h15 – Quill
A primeira banda do segundo dia de Woodstock se formou em Boston a partir dos irmãos Dan e Joe Cole. Experientes em apresentações para pequenos públicos, eles encararam a multidão por cerca de meia hora e até tentaram repetir alguns truques de palco que usavam em bares. Não funcionou tão bem com tanta gente. O Quill lançou um único disco em 1970 e se desfez.

– 13h – Country Joe McDonald

O líder da banda Country Joe & The Fish fez uma apresentação solo de voz e violão para preencher um buraco na programação. O ex-artista de rua acabou realizando uma performance que ficou lendária por comandar a plateia num grande coro que soletrava a palavra “Fuck”. Em seguida, com farda militar e lenço na cabeça, ele cantou a irônica I-feel-like-I’m-fixin’-To-Die.

– 14h – Santana
A Santana Blues Band havia lançado seu disco de estreia menos de três meses antes do Woodstock. Aquela mistura de sons latinos com rock e blues tornou-se um dos ingredientes mais fortes da história do festival e elevou o status do guitarrista mexicano Carlos Santana ao de uma lenda. Entre as faixas apresentadas, Jingo tornou-se o primeiro hit da banda semanas depois do festival. Mas é mesma a incendiária performance em Soul Sacrifice que tornou-se inesquecível e segue como obrigatória nos shows que Santana apresenta pelo mundo. A propósito, seu mais recente disco, Africa Speaks, dividido com a cantora Buika, é excelente.

– 15h30 – John Sebastian

Mais um nativo do Greenwich Village, John Sebastian montou várias bandas até se firmar e fazer certo sucesso com o Lovin’ Spoonful. No entanto, ele estava no Woodstock a passeio, depois de pegar uma carona no helicóptero que levava outra banda. Acabou sendo levado ao palco (depois de consumir algumas comprimidos estranhos), pegou o violão de Tim Hardin emprestado e começou a improvisar um discurso pacifista e algumas melodias suaves enquanto tentavam enxugar o palco depois da chuva. Younger generation, por exemplo, é belíssima.

– 16h45 – The Keef Hartley Band
A banda de jazz-rock instrumental liderada pelo baterista Keef Hartley apresentou um medley de canções do disco Halfbreed, lançado naquele ano. Reconhecido como um dos grandes músicos de sua geração, Keef havia substituído Ringo Starr na banda Rory Storm and The Hurricanes, quando este foi para os Beatles.

– 18h – The Incredible String Band
Nem os malucos do Woodstock entenderam aquele quarteto escocês fazendo folk psicodélico. Ainda mais depois de Santana e Keef Hertley. O fato é que a banda seguiu gravando, apesar das trocas constantes de músicos. Eventualmente ainda se apresentam.

– 19h30 – Canned Heat
Apesar de formado só por brancos, o Canned Heat é uma autêntica banda de blues e já vinha fazendo uma carreira promissora em grandes festivais e discos bem cotados por public e crítica. O entra e sai de músicas também era uma marca do grupo de Los Angeles que tinha o guitarrista Alan Wilson e o vocalista Bob Hite como líderes. Passado o festival, eles seguiram a vida, trocando de músicos, passando por tragédias como a morte de Wilson, supostamente por abuso de álcool e barbitúricos, e glórias, como conhecer e gravar com a lenda do blues John Lee Hooker. Mesmo com a morte de Bob Hite em 1981, alguns membros remanescentes seguem tocando juntos.

– 21h – Mountain
Tendo à frente o experiente produtor e baixista Felix Pappalardi, que trabalhou nos álbuns do Cream, e o guitarrista Leslie West, a banda havia tocado junto apenas três vezes antes de subir ao palco mais celebrado da história do rock. O nome da banda foi tirado do álbum solo de West, assim como boa parte do repertório do show. Apesar do pouco tempo juntos, o Mountain fez um show vigoroso de rock, como mostra o registro de Southbound Train. Com algumas mudanças, a banda ainda seguiu tocando até meados dos 1970. Pappalardi foi morto pela esposa em 1983.

– 22h30 – Grateful Dead
Uma banda de trajetória cultuada, com um som cheio de influências e um líder (que não gostava desse rótulo) marcante, Jerry Garcia (1942-1995). Nascido em meio ao movimento hippie de São Francisco, eles tocaram sob efeito de ácido e não se empolgaram muito com o resultado da apresentação. Acostumados a shows de mais de três horas, com longos improvisos, o Grateful Dead resumiu seis músicas em 90 minutos – 40 deles dedicados a Turn On Your Lovelight em sua maior versão. Após a morte de Garcia, os sobreviventes da banda segues se encontrando em projetos.

– 00h30 – Creedence Clearwater Revival
O quarteto californiano foi um dos poucos convidados do Woodstock que já contava com um bom número de hits na bagagem. Ainda assim, curiosamente, eles não entraram para o filme e para os discos oficiais do Festival. Ao longo de uma hora, eles desfilaram joias roqueiras como Born On The Bayou, Proud Mary, I Put A Spell On You, Green River e Suzie Q. Essa performance completa, que não agradou à banda, foi recentemente disponibilizada na íntegra para quem quiser conferir por streaming.

– 2h – Janis Joplin

A diva trágica do rock foi uma das presenças mais marcantes do Woodstock. Sua curtíssima carreira musical estreou dois anos antes, cantando blues com a banda Holding Company. Em 1969, ela já estava bem maltratada pelos problemas pessoais e consequente abuso de drogas. Ainda assim, arrancou do gogó canções como Summertime e Ball And Chain. A explosiva Try foi tirada do álbum I Got Them Ol’ kozmic blues again mama, lançado naquele ano. Dali, ela já embarcou num trem cheio de músicos que cruzou o Canadá realizando shows, o que ficou conhecido Festival Express. Em 4 de outubro de 1970, Janis morreria aos 27 anos de uma esperada overdose. No ano seguinte foi lançado Pearl, álbum que ela vinha gravando com a nova banda, a Full Tilt Boogie Band.

– 3h30 – Sly & The Family Stone
O combo de funk, soul, r&b e rock comandou a multidão no coro de I want to take you higher numa apresentação cheia de energia e balanço. A banda estreou em 1967 e já vinha acumulando alguns sucessos nas paradas, muitos deles apresentados no festival. Com o gigante Sylvester Stewart à frente e diversas reencarnações, a banda seguiu gravando e buscando o sucesso de antes. Em 1993, Sly & The Family Stone entraram para o Rock & Roll Hall of Fame.

– 5h – The Who

No auge do sucesso, o quarteto inglês levou para o Woodstock seu projeto mais ambicioso, a ópera rock Tommy. Apesar de já subirem ao palco perto do amanhecer, eles fizeram o melhor que se esperava de uma das mais bandas mais importantes da história. No repertório, sucessos como I can’t explain, Amazing journey, Acid Queen, Shakin’ all over e My Generation. Ao final, a performance clássica de Pete Townshend de quebrar sua guitarra e jogar os pedaços para a plateia. Passada a apresentação, o Who seguiu sua estrada de sucesso até 1978, quando o elétrico baterista Keith Moon morre de overdose. Em 2002 seria a vez do baixista John Entwistle. Com Townshend e o vocalista Roger Daltrey, o Who segue fazendo shows como o do Rock In Rio 2017, quando vieram pela primeira vez ao Brasil.

– 7h30 – Jefferson Airplane
Já era dia claro quando o Jefferson Airplane subiu ao palco. Ainda assim, a banda formada no verão de 1965, em São Francisco levantou o público com dois sucessos do álbum Surrealistic Pillow (1967), Somebody to Loe e White Rabbit. Em 1969, eles lançavam Volunteers, de onde tiraram faixas como Wooden ships e a canção-título. Grace Slick, no auge da beleza e do talento, brilhou como uma das grandes vozes do festival. Em 1978, ela deixa a banda em meio a uma série de escândalos causados pelo abuso de álcool. Passando por inúmeras remodelações, a banda foi mudando de músicos, formações e de nome,quando passa a se chamar Starship e lança o sucesso radiofônico Sara.

Domingo – 17 de agosto
– 2h – Joe Cocker (1944-2014) 

Com apenas 25 anos, John Robert Cocker era um cantor já com alguma estrada quando subiu ao palco do festival de Woodstock. Tinha gravado disco e feito muitos shows. Mas nada se compara a quando começou a tocar, nos seus instrumentos imaginários, a introdução de With a Little Help From My Friends. A música dos Beatles foi elevada à décima potência com um arranjo que remetia ao soul e ao gospel. Cocker se entregou por completo àquela canção e desceu do palco bem maior do que poderia imaginar. A performance arrebatadora encerrou um set que teve ainda Delta Lady, Feelin’ allright e Just Like a woman. Dali em diante, o cantor inglês seguiu uma carreira errática de sucessos e problemas com álcool e drogas. Morreu aos 70 anos, vítima de um câncer no pulmão.

– 6h30 – Country Joe & The Fish
Depois de uma apresentação solo improvisada no dia anterior, Country Joe voltou ao Woodstock com sua banda. O show aconteceu após um dilúvio de mais de três horas. O guitarrista Barry “The Fish” Melton até foi ao palco pedir ajuda do público num coro de “no rain, no rain”. Passada a chuva, eles conseguiram se apresentar do jeito que foi possível. Melton tornou-se defensor público

– 8h – Ten Years After
O que antes era só mais uma banda de blues britânica, após o Woodstock, tornou-se uma estrela em constante ascensão. Principalmente o guitarrista de dedos ágeis Alvin Lee. Apesar de ainda prejudicados pela chuva, que deixou os instrumentos úmidos, eles fizeram um set competente e entraram para o filme do festival (com alguns reparos em estúdio) com uma incendiária gravação de I’m going home. Com algumas mudanças na formação, a banda segue se apresentando.

– 10h – The Band
Apesar de ter construído uma sólida carreira independente, a The Band sempre foi (e será) reconhecida como o apoio de Bob Dylan em sua fase elétrica. Um ano antes do festival, eles estrearam num disco próprio que apresentou o sucesso The Weight. E esse álbum, Music From Big Pink, foi a base do show competente que eles fizeram. Pós-Woodstock, eles continuaram como uma respeitada banda de folk-rock elétrico que se despediu dos palcos em 1976 com o mega-espetáculo The Last Waltz, que contou com presenças como Eric Clapton, Neil Young e Bob Dylan. No entanto, alguns remanescentes do grupo, como Rick Danko, Levon Helm e Garth Hudson seguem em eventuais reencontros.

– 12h – Johnny Winter (1944-2014)

Depois de um bom tempo tocando em bares do Texas onde fazia, no máximo, US$ 50 por semana, o guitarrista conhecido como “Elvis albino” começou a chamar atenção pela performance explosiva. E foi o que ele mostrou no show, que ainda contou com a presença do seu irmão, o tecladista Edgar Winter. Pós-festival, Johnny atravessou toda a jornada roqueira: sucesso, abuso de drogas, queda e recuperação. Morreu dignamente, aos 70 anos, reconhecido como um dos melhores guitarristas dom mundo.

– 1h30 – Blood, Sweat & Tears
Formada em 1967, em Nova York, a big band formada pelo influente pianista Al Kooper foi uma das fundadoras do gênero “jazz-rock”. Já sem Kooper à frente, a banda foi ao Woodstock um ano após o sucesso do seu segundo disco. Depois do festival, eles gravaram discos, fizeram shows, trocaram músicos e a marca sobrevive em apresentações saudosistas.

– 3h – Crosby, Stills, Nash & Young

Qualquer noção de superbanda (aquela reunião de músicos de diversos grupos) deve ser repensada quando se fala desse quarteto. Passando por diversas formações, eles já foram dupla, trio e (até) quarteto, além de cada um ter sua promissora carreira individual. No entanto, o fato é que o encontro de David Crosby (ex-Byrds), Grahan Nash (ex-Hollies), Stephen Stills  e Neil Young (ambos ex-Bufallo Springfield) é uma das mais poderosos encontros da música pop. Apesar de já subirem ao palco às 3 horas da manhã, eles foram um destaque do festival com set longo (60 minutos), dividido entre uma parte acústica e outra elétrica. Com o sucesso da apresentação, eles partiram numa longa e bem sucedida turnê pelos EUA. Em 1970, CSNY lançaram Déjà Vu, o primeiro álbum do quarteto que trazia a versão deles para Woodstock, composição de Joni Mitchell.

– 6h – The Paul Butterfield Blues Band
O dia amanhecia quando a banda comandada pelo gaitista e vocalista Paul Butterfield subiu ao palco. Filho de advogado, o músico buscou as melhores referências do blues para montar sua banda, gente como Muddy Waters e Junior Wells. Em 45 minutos de show, eles fizeram o possível para uma plateia já esgotada. O premiado saxofonista David Samborn era um dos membros da banda que até conseguiu um espaço no filme do Woodstock. O talentoso Paul Butterfield morreu em 1987 por conta de problemas com álcool.

– 7h30 – Sha Na Na
Espécie de João Penca & Seus Miquinhos Amestrados da época, era difícil, até para aqueles malucos que ainda resistiam na plateia, compreender o que era aquele grupo de figurinos engraçados cantando e dançando rock dos anos 1950. Depois do Woodstock, a fama da banda cresceu bastante e eles embarcaram numa onda nostálgica que fez surgir vários grupos similares.

– 9h – Jimi Hendrix

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que Jimi Hendrix ao vivo era mais que um show. Era uma celebração, uma catarse, um amontoado de riffs vigorosos, ataques sonoros e explosões de energia. No Woodstock não foi diferente quando o guitarrista de Seattle subiu ao palco acompanhado do baterista Mitch Mitchell e do baixista Billy Cox, entre outros músicos. Muita gente já havia ido embora – contam que apenas cerca de 150 mil pessoas resistiram – e o descampado onde tudo aconteceu mais parecia uma praça de guerra. Ainda mais quando Hendrix puxou o hino dos Estados Unidos pontuado por sons de bombas explodindo. Ignorando o cansaço do público, ele mandou duas horas de puro rock e lisergia com grandes hits como Foxy Lady, Hear My Train a’coming, Voodoo child e Purple haze. Quem viu viu, quem não viu tem tudo registrado em CD e DVD. Cada vez mais distante da realidade, por conta do abuso de drogas, Jimi Hendrix morreu em 18 de setembro de 1970, aos 27 anos, sendo uma das raras unanimidades do mundo da música. Adorado, copiado e estudado por guitarristas de todas as idades, ele segue vivo em uma infinidade de obras póstumas que chega ao mercado todos os anos.