Discografia

Dinho Ouro Preto celebra o rock nacional em novo projeto solo

Já está nas rádios o novo single da carreira solo de Dinho Ouro Preto. Rolam As Pedras é uma bela canção lançada no álbum de estreia de Kiko Zambianchi (1985). Pop leve com letra existencialista sobre a passagem do tempo, a faixa ficou bem na voz do vocalista do Capital Inicial, que canta com o prazer (e os maneirismos) de sempre. A faixa é uma das de Roque em Rôu, seu novo disco solo.

Lançado em 2012, Black Heart era um tributo dele ao rock internacional –  a seleção tem Joy Division, Smiths, Elvis Presley, Pet Shop Boys e outros. Em Roque em Rôu, a ideia é homenagear o rock brasileiro, o mesmo que deu um rumo para o curitibano que se encantou pelo punk de Brasília nos anos 1970. O volume 1 do projeto traz 3 músicas.

Além de Rolam as Pedras, tem Tarde de Outubro e Saideira. Tarde de Outubro é do repertório do CPM22 e tem mais a ver com o universo de Dinho, que parece preocupado em dar seriedade à interpretação. Já Saideira, canção festeira do Skank, é pura farra com sua letra hedonista. A versão de Dinho ficou mais pesada com riffs de guitarra e bateria seca na frente.

A banda que acompanha a gravação do EP é super enxuta e eficiente: Fabiano Carelli (guitarra), Mauro Berman (baixo), Lourenço Monteiro (bateria) e George Fonseca (teclados). Roque em Rôu terá 12 faixas, incluindo versões de Rita Lee, Legião Urbana, Raul Seixas e outros.

Roque Em Rôu é o quarto disco solo de Dinho Ouro Preto. Em 1994, quando o Capital Inicial estava mal das pernas, ele partiu e montou a banda Vertigo que lançou um álbum autointitulado que não deu em muita coisa. No ano seguinte veio Dinho Ouro Preto, disco climático, pretensioso e com pegada eletrônica, graças ao produtor Suba, um saudoso mestre do gênero. Black Heart já nasceu com o Capital de volta ao primeiro time do rock nacional e foi gravado no intervalo entre um projeto e outro da banda. (Confira entrevista realizada na época do lançamento de Black Heart clicando aqui)

Dinho Ouro Preto explicou suas intenções com Roque Em Rôu numa carta distribuída à imprensa. Confira abaixo:

“O Capital se apresenta sem parar há décadas. Também lança discos sem parar – de dois em dois anos lançamos algum projeto. No entanto, estamos tirando férias cada vez mais longas. Lançamos o Sonora, último disco do Capital, no final do ano passado, portanto acho que só vamos nos envolver com um outro disco daqui a um tempo. A consequência desse hiato nas gravações do Capital e da diminuição (talvez moderação seja a palavra adequada) dos shows, me deu a oportunidade de lançar esse projeto.

O álbum digital Roque em Rôu, nasceu da forma mais despretensiosa possível. Num primeiro momento, a ideia era fazer shows tocando só rock brasileiro. Fazia sentido para mim, afinal minha vida adulta inteira, e boa parte da minha adolescência, foi dedicada a esse nicho especifico da nossa música. Quando éramos ainda garotos em Brasília queríamos ouvir rock na nossa língua, falando sobre nossas vidas e nosso pais. Nós não percebíamos o som que produzíamos como algo estranho ao Brasil. Nós achávamos, e eu continuo achando, que não se pode falar da música popular brasileira sem falar do nosso rock.

 Ao longo de décadas, foram surgindo sucessivas gerações de talentosos roqueiros tupiniquins. Foram escritas lindas canções. Discos inesquecíveis e importantes foram produzidos. Letras que verbalizavam as inquietações e a esperança de gerações estão na boca do povo até hoje.

 Em qualquer canto do nosso pais essas músicas encontram forte ressonância.

Para mim, celebrá-las era algo simultaneamente importante e divertido. O que inicialmente era só um show que fazíamos ocasionalmente foi tomando uma proporção maior.  Comecei a ser cada vez mais procurado. Passei a me apresentar com cada vez mais frequência. E o resultado, o show, era sempre mais intenso do que eu antecipava. Vivi uma surpresa atrás da outra pelo pais inteiro.

E assim, o passo seguinte, foi passar o que estava acontecendo nos palcos para um álbum, passou a ser um imperativo.  Escolhi três décadas – 70, 80 e 90. São doze artistas e bandas. Cada uma delas tem um forte elo emocional comigo. Escolher as músicas foi mais difícil do que parece. O que incluir? É inevitável que muita coisa fique de fora. No disco anterior, BlackHeart, eu parti de um outro conceito – todas as músicas eram de amor. Dessa vez, procurei fazer um passeio no tempo. Um pequeno tributo ao rock brasileiro. Começo nos anos 70 e venho até o Século XXI. Dentro desses limites, em última análise, escolhi músicas que gosto de ouvir!

 A banda é o Fabiano Carelli na guitarra, Lourenço Monteiro na bateria, Gê Fonseca nos teclados e Mauro Berman no baixo. O disco foi gravado, com a exceção das baterias, no Nano Studio, na minha casa, e foi produzido pelo Marck, que conheci através do Lucas Fresno.

 Acredito tratar-se de uma homenagem sincera e entusiasmada a um som que faz parte de mim e do país! ”