Editora Dummar

Biografia de Chico Anysio no jornal O Povo

O jornalista Renato Abê visitou no último sábado, 3, o município de Maranguape, onde estava sendo realizada a segunda edição do projeto #OcupAção, que reuniu dança, teatro, música e literatura em uma praça da cidade. Quem também estava por lá era nossa escritora Natércia Rocha, que lançou a biografia de Chico Anysio, um dos filhos ilustres de Maranguape. Confira a matéria completa abaixo.

Maranguape vive crescimento de projetos culturais

Maranguape vive momento de crescimento de projetos voltados a programações culturais. Vida&Arte visitou a cidade para acompanhar ações

Autora de biografia sobre Chico Anysio, a escritora Natércia Rocha foi direta ao ser indagada sobre a herança deixada pelo humorista para a sua cidade natal, Maranguape. “Diria que uma experiência como essa, aqui na praça, reflete a pessoa agregadora que ele era”, apontou a autora, que acaba de lançar livro dentro da coleção Terra Bárbara (Editora Dummar). Ela foi uma das convidadas para o projeto Ocupação, que no último fim de semana reuniu diversas linguagens artísticas na praça Capistrano de Abreu, espaço que homenageia o historiador, outro filho ilustre do Município.

Iniciado em maio, o projeto mensal é inspirado no que acontece na Avenida Paulista, em São Paulo, onde a via é fechada para a realização de atividades no espaço público. É o que explica Alexandre Cabral, gerente de turismo e cultura da Fundação Viva Maranguape de Turismo, Esporte e Cultura (Fitec), órgão que realiza a atividade. “A finalidade é ocupar os espaços públicos de Maranguape através da arte, da cultura e do lazer. É uma ação importante para que nós cidadãos aproveitemos esse espaço da praça que é nosso”, apontou, destacando que a ideia é que ação cresça para diferentes bairros da Cidade.

“A gente está passando por uma crise muito grande no País e, por isso mesmo, é importante ver ações como essa de valorização da cultura, ainda mais numa praça aberta, de forma democrática”, celebra Natércia. Ela esteve presente na terra do seu biografado e, ao lado da estátua de Chico no meio da praça, lançou seu livro e falou sobre todo o processo de pesquisa que envolveu a produção da obra. “O que ficou bem claro para mim é que um projeto como esse depende principalmente de boa vontade. É relativamente simples, não é dispendioso, é uma questão organizacional que podia ser replicada em Fortaleza e no Estado inteiro”, avaliou.

“Afasta criminalidade”

Motivada pela filha Raíssa, de sete anos, a dona de casa Daniele Lima, 38, se arrumou toda para ir para acompanhar a programação do Ocupação. “É muito bom para a comunidade se integrar e se unir”, apontou ela, sobre a importância de ações culturais ao ar livre. Enquanto Daniele acompanhava apresentações musicais e de dança, Raíssa não saía dos stands de pintura no rosto e leitura. “Foi ela que quis muito vir. Está aproveitando bastante”, se orgulhou, mirando a filha recém-alfabetiza com um livro em mãos. “Tendo isso, afasta mais a criminalidade. Quero que todos os meses tenha”, confirmou.

Para o poeta e b-boy Carlos Eduardo, o Africano, 22, o projeto ainda precisa ser melhorado. Ele, que participou de apresentação num espaço dedicado ao hip-hop, apontou a falta de cachê como ponto fraco. “A coisa só cresce a partir do momento que você começa a valorizar os artistas. A gente vem para o evento de graça, porque eu amo a cultura”, apontou.

Ele, que faz circulação pelo Nordeste com seu trabalho de poesia marginal, diz ter mais reconhecimento fora da Cidade. “Estou indo agora para a Paraíba e eles estão pagando minhas passagens e cachê, mas na minha própria cidade, ainda não estou recebendo”, critica. Segundo a Fitec, o projeto ainda é embrionário e deve passar por mudanças.

Para Africano, porém, é muito importante levar seu trabalho para o espaço público. “É um momento que eu tenho voz para transformar o mundo. Creio que a transformação começa através do ouvir o outro”, aponta.

Outras ações

Também compondo a Ocupação, a Vila de Poetas Mundo é outro exemplo de ação de valorização da cultura em Maranguape. O projeto reúne artistas da poesia que vivem em coletivo em espaço arborizado no bairro Novo Maranguape. “Estamos há seis anos aqui, viemos do Templo da Poesia, que era uma espaço ali no Centro (Fortaleza), e sentimos uma alegria muito grande de estar aqui”, destacou o poeta Reginaldo Figueirêdo.

Além do projeto na praça e da Vila, a Cidade viveu recentemente a inauguração de salas de cinema, após 30 anos desde o fechamento do antigo Cine Maragoa. Todo esse progresso é motivo de comemoração, defende Reginaldo. “Temos um potencial imenso aqui. Essa cidade pode estar se transformando num espaço completamente cultural”, sonha o poeta.

Recomendado para você