Educação

Número de prematuros cresce 27% em dez anos

Levantamento do Ministério da Saúde (MS) aponta que o número de nascimentos de bebês prematuros no Brasil cresceu 27% em dez anos (entre 1997 e 2006).

O número saltou de 153.333 (5,3% do total de nascimentos) para 194.783 (6,7% do total). Apesar de manter um aumento anual discreto, o crescimento dos casos é contínuo e pode ser observado em todo o mundo.

prematuroAinda não se sabe o motivo exato do aumento de bebês prematuros, pelo menos 70% dos casos hoje não estão relacionados a problemas identificáveis na mãe ou no bebê. A principal hipótese é o maior número de cesáreas.

Por um lado, elas salvam a vida de bebês que estão em sofrimento no útero e dificilmente chegariam ao fim da gestação; mas, por outro, as que são programadas nem sempre respeitam o tempo mínimo de gravidez.

Para o pediatra e epidemiologista Marco Antônio Barbieri, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, o mundo está passando por uma fase de transição epidemiológica perinatal, mas ainda não há estudos que expliquem as razões. Segundo Barbieri, estudioso da prematuridade há mais de 30 anos, os dados do Brasil ainda são subnotificados.

A pediatra e coordenadora da área técnica da Saúde da Criança do Ministério da Saúde, Elsa Giuliani, reconhece que há subnotificação, especialmente no Norte e no Nordeste, onde mais crianças nascem em casa. Mas, segundo ela, a proporção não deve subir muito.

De acordo com Barbieri, em Ribeirão Preto os prematuros representavam 6,8% dos nascimentos em 1978, saltaram para 13,5% em 1994 e eram cerca de 15% em 2008.

É por isso que ele vai iniciar o que deve ser o maior estudo sobre prematuridade no país. Serão avaliadas cerca de 14 mil crianças (em Ribeirão Preto e em São Luís, no Maranhão) para descobrir se fatores como poluição, estresse, violência social e doméstica e infecções podem causar prematuridade.

 Também serão acompanhadas as consequências disso para as crianças. “O objetivo é entender essa mudança no perfil epidemiológico”, diz Barbieri.

 Fonte: Folha de São Paulo

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