Educação

Uso indiscriminado da rede

Adolescentes e crianças brasileiras ainda não estão preparadas para utilizar e enfrentar as armadilhas do mundo virtual da modernidade. Os dados fazem parte de pesquisa feita pelo Laboratório de Estudos em Ética nos Meios Eletrônicos (Leeme), da Universidade Mackenzie (SP), em conjunto com a empresa Opice Blum Advogados, realizada nos anos de 2008 e 2009.

Foram entrevistados 2.039 jovens, de 11 a 18 anos, e o resultado foi alarmante. Os jovens se mostraram suscetíveis aos problemas decorrentes do uso indiscriminado da rede, assim como pais, responsáveis diretos ou indiretos e professores demonstraram dificuldade em orientá-los.

Revelou ainda que, por se tratar de universo virtual, a internet traz falsa sensação de anonimato e impunidade. Seu uso desmedido revela situações como exposição à pornografia, divulgação indevida de imagem, de dados pessoais e de boatos, além do uso da rede poder incitar a violência.

O exemplo mais recente disso tudo citado na pesquisa é o caso da menor de 16 anos que foi violentada pelo seu ex namorado e por mais dois amigos dentro do apartamento de um deles. As cenas e todo o ato foi narrado nas páginas sociais, como orkut, facebook e twitter.

E sabe o que parece mais absurdo para mim? O fato da mãe está em casa na hora do ação e de, depois de denunciado o caso, a polícia ter acesso ao material e o delegado responsável falar na televisão que não sabe se foi estupro, mesmo com todas as cenas gravadas e as narrações feitas nas páginas sociais.

Pelas cenas, vê-se que a garota bebeu uma substância e ficou desacordada e, depois, os garotos começam a praticar a violência sexual. Tá na rede!!! Quantas crianças acessaram o conteúdo antes dele sair do ar? E quantos outros conteúdos temos na internet inapropriados para nossos jovens?

Devemos ficar atentos e acompanhar a navegação dos jovens e, principalmente das crianças, pela rede. Mas, ao invés de transformar isso numa bisbilhotagem, que tal tornar a prática lúdica e educativa? É um ótimo exercício para adultos e crianças. Pesquise com seus filhos as páginas, selecione os conteúdos e converse com eles sobre as práticas na net. 

Fonte: Correio do Povo (RS)