Educação

Alfabetização com o uso de tablet?

Vista mundialmente como modelo no sistema educacional, a Finlândia inovou mais uma vez no método de ensino. As crianças que ingressarem no ensino fundamental em setembro, quando começa o ano letivo no país, serão as últimas a terem aulas de caligrafia. É que as escolas finlandesas irão passar a alfabetizar seus alunos usando o tablet ao invés da escrita cursiva.
A integração de ferramentas tecnológicas no ambiente escolar é vista pelos educadores como uma forma de inserir o aluno na dinâmica social.  Mas, a novidade está causando divergências entre os educadores brasileiros, que não descartam o uso da tecnologia como algo fundamental, porém complementar, na formação do aluno.
Para a especialista em alfabetização e letramento Sandra Bozza, a escola deve estar de acordo com a sociedade atual. “O que o mundo necessita é de uma escola que se perceba como lugar privilegiado para auxiliar as novas gerações a compreenderem o mundo. E isso passa pela necessidade de se derrubar os muros que há muito insistem em se manter à margem da realidade do que é real”, avalia.
A especialista acredita ainda que o uso do tablet não acarretará perdas quanto à grafomotricidade (conjunto das funções neurológicas e musculares que possibilitam, aos seres humanos, os movimentos motores no ato da escrita) da criança. “O que se discute aqui é ampliação da inteligência humana”. “Como nossas crianças são nativos tecnológicos, não estaremos ‘roubando-lhes’ a inocência ou a infância, tampouco provocando danos à sua capacidade mental. Pelo contrário, só estaremos propiciando o vivenciar social apropriado para a sua época de existência”,  afirma Sandra.
O professor de Português Nelson Souza discorda  do posicionamento da especialista. Para ele, a letra cursiva faz parte do processo psicomotor que auxilia no desenvolvimento do indivíduo. “É preciso reconhecer os avanços tecnológicos. Mas, não é recomendável que a criança tenha esse tipo de ensino no início de sua formação. Porque isso pode alterar sua capacidade cognitiva”, diz.
Ainda segundo o professor, a letra cursiva está associada a personalidade e identidade das pessoas. “A era digital tem facilitado muito o nosso cotidiano. Isso é indiscutível. No entanto, tirar do indivíduo a sua letra, pode causar uma deformação de personalidade”, analisa.

 

O  coordenador de inovação pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Miguel Dourado, avalia a modernização das escolas como uma nova forma de aprendizagem e inclusão. “Precisamos pensar que o uso de novas tecnologias é algo que vai além da substituição do processo de aprendizagem.

O importante aqui é modernizar a educação e incluir aqueles que estão socialmente ou fisicamente impossibilitados de aprender”, diz. Professora de uma escola municipal no Subúrbio Ferroviário de Salvador, a pedagoga  Ivana Magalhães acredita que esta ainda não é uma realidade possível nas escolas públicas brasileiras. “Essa realidade está muito distante de nós. Quem está na sala de aula diariamente sabe que nem todos da rede são contemplados com os novos métodos de ensino”.

Fonte: A Tarde