Educação

Pesquisa que relaciona doença periodontal e aterosclerose é premiada em evento internacional

Imagem: Foto da equipe do Laboratório da Biologia da Cicatrização, Ontogenia e Nutrição de Tecidos (LABICONTE)

Uma pesquisa da Universidade Federal do Ceará que verifica a associação entre a apolipoproteína E (apoE) – que tem função no metabolismo dos lipídios e transporte de colesterol pelo corpo humano – e a doença periodontal foi premiada em um dos principais eventos da área de nutrição do Brasil, o GANEPÃO 2018, ocorrido em junho, em São Paulo.

Desenvolvido no Laboratório da Biologia da Cicatrização, Ontogenia e Nutrição de Tecidos (LABICONTE), da Faculdade de Medicina da UFC, o trabalho avaliou 239 pacientes atendidos nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs) de Fortaleza.

A periodontite é uma doença inflamatória que afeta as estruturas de proteção e suporte do dente, como gengiva, ossos e ligamentos. É uma das principais causas de perda dentária e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge cerca de 90% da população mundial.

Causada por bactérias, a evolução da doença está relacionada a vários fatores, sendo um deles a resposta imunológica de cada indivíduo. A apolipoproteína E, por sua vez, além de ser importante no metabolismo lipídico, está envolvida em muitos processos imunoinflamatórios. Uma das variações da apoE, o alelo E4, vem sendo avaliada como fator genético de risco para doenças cardiovasculares e doença de Alzheimer.

O trabalho premiado teve como autores os alunos do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da UFC Juliana Magalhães da Cunha Rêgo, Kildere Marques Canuto e Lianna Cavalcante Pereira, sob a orientação do Prof. Reinaldo Barreto Oriá. A ideia do estudo foi verificar se, nesses pacientes com periodontite, a presença do alelo E4 propiciaria o surgimento de aterosclerose, que é a formação de placas de gordura e tecido fibroso nas paredes internas das artérias.

“O propósito de nosso estudo foi verificar se a presença do alelo E4 pode estar associada a uma maior suscetibilidade no desenvolvimento desse processo aterosclerótico, devido a alterações no metabolismo lipídico nos pacientes com doença periodontal”, explica a nutricionista e doutoranda Juliana Rêgo.

Para a pesquisa foram realizadas avaliação nutricional, testes laboratoriais e de ecodoppler nos pacientes e, ainda, coletadas células bucais de 161 pessoas do grupo total avaliado. Esse material foi posteriormente analisado em parceria com o Laboratório de Farmacologia Molecular, sob a coordenação da Profª Maria Elena Crespo-Lopez, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (UFPA).

O alelo E4 (de risco) foi identificado em 15% da amostra total e o excesso de peso foi prevalente na maioria da população. Ou seja, os pacientes que possuem o alelo E4 apresentaram problemas com o metabolismo lipídico.

“Dentre os pacientes com o alelo de risco da apoE (E4), foram encontradas alterações significativas, como circunferência da cintura aumentada, valores elevados de triglicerídios e colesterol total. Então, sugere-se que a presença do alelo E4 pode influenciar diretamente no risco aterosclerótico para a população com doença periodontal”, explica Juliana Rêgo.

O evento GANEPÃO 2018 englobou o 8º ICNO/CBNC – International Conference of Nutritional Oncology / Congresso Brasileiro de Nutrição em Câncer e o 2º NEXSA – Congresso Internacional de Nutrição, Exercício e Saúde. Mais informações sobre a pesquisa podem ser conferidas nos anais do evento ou, ainda, no site do LABICONTE.

Fonte: Prof. Reinaldo Barreto Oriá, coordenador do LABICONTE – fone: 85 3366 8239