Entre Aspas

No meu tempo é que era bom

 

 

 

 

pescaria

 

Como é legal ser criança, é mais legal ainda brincar sendo criança, não ter problemas, não ter com o quê se preocupar, apenas escolher qual brincadeira brincar e chamar os coleguinhas para fazerem uma festança.  Ser criança é muito bom, saudades da minha época de menino, mesmo me sentindo ainda um menino de calças curtas, o físico não nos deixa mentir: crescemos,  é preciso crescer, mudar.

Meu ônibus pára num deses milhares de sinais que existem por Fortaleza, mas precisamente ali no Centro da Cidade, enfim. Começo a lembrar da minha infância: das quedas, das comidas, dos banhos de chuva, das brincadeiras, em especialmente as brincadeiras, como é legal de lembrar, quem dera ter um pó mágico que levasse a gente a viver só mais uma vez a vida de criança, brincar só mais uma vez.

Tenho a plena certeza de que as coitadas das crianças de hoje, tomadas pelos aparatos tecnológicos, não sabem mais o que é brincar na rua com os colegas de sete pecados, de carimba, de bila, de arraia, de pega-pega, esconde-esconde, não sabe mais o que é ralar as pernas, arrancar os chaboques  nas quedas, nas traquinagens, como apertar a campainha dos vizinhos, mexer com os animais das casas enfim, naquele tempo é que era bom, sim, naquele tempo.

Hoje os computadores, videogames, filmes 3D, 6D, tablets, redes sociais, isso e aquilo outro mostram outra realidade para as crianças atuais, a forma de brincar mudou, os modos se transformaram. Hoje aquela partida de futebol que era praticado na rua de casa hoje é substituído pelos jogos europeus de videogames ou aplicativos de jogos esportivos, aquela amarelinha é trocada por sessões de filmes 3D com direito  pipoca e selfies nas redes sociais de criaturinhas com apenas sete oito anos de idade, é triste.

Ao mesmo tempo que é triste, é novo. É novidade, tudo é novo para as crianças atuais, é como se o passado de brincar com outros brinquedos e brincadeiras nunca tivesse existido,  fosse tudo invenção da nossa cabeça, hoje velhas crianças que dariam de tudo para voltar no tempo, nem que fosse por um minuto.  O ônibus balança pra cá, balança pra lá. Lembro dos dias de chuva, das festinhas de bonecos e bonecas improvisadas que tinham como buffet: biscoitos Maizena, suquinhos de saco e bolinhos.  Vem á tona, as quedas de bicicleta, as acertadas no carimba, os passos dados no sete pecado, o esconderijo perfeito no esconde-esconde, veio à tona a minha infância novamente.

Mas é preciso mudar, preciso guardar as lembranças, aliás, como a minha amada mãe sempre dizia: A vida é feita de momentos”, e é mesmo meu caro, acredito cem por cento nisso. Sei que os momentos da infância passaram deixando um rastro de quero mais, agora são outros tempos, tempos de ser adulto, de responsabilidade, tempo de arrumar a propria cama,  fazer a propia comida(gororoba), mas digo relutante: no meu tempo é que era bom, azar de quem nasceu hoje!

 

 

 

 

Texto: Eduardo Sousa | Imagem: Internet

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