Éshow!

Erika & Thomas Bernardo diretores do Documentário Candomblé um Legado Africano uma produção francesa gravada em Fortaleza falam desse momento especial de visibilidade Afro na Semana da consciência negra no Ceará .

Entrvista com Erika Thomas

 Era um projeto que Bernard e eu tinhamos a varios anos. Ele faz parte de um projeto maior – uma trilogia de documentarios  – que tem a ver com a mémoria das raizes brasileiras. Raizes indigenas e raizes africanas. A riqueza cultural deste pais. Meu amigo – e irmão de outra vida, como eu gosto de dizer – Abelardo Coelho da Silva me deu o contato do Baba Leo o ano passado, uma semana antes de eu chegar em Fortaleza. Mandei um email para o Baba Leo que respondeu na hora e as coisas foram se fazendo com muita facilidade. Baba Leo abriu seu terreiro e seu conhecimento para nos, Bernard e eu. Foi uma coisa muito interessante! Aprendi muito com ele, e fazer esse documentario foi muito importante para muim. Com o Bernard trabalhamos juntos a questão da escrita do documentario as sequencias, os tipos de planos, a necessidade de mostrar a natureza etc. Eu filmei e editei o filme. Tudo foi feito em alguns meses apenas, com muita energia boa! Minha irmã Nathalie Pessoa, um amor de pessoa, foi minha assistente nesse documentario. Ela facilitou tudo, sempre com seu bom humor e sua grande competencia e disponibilidade! Tambem contei com minha amiga Elidihara Trigueiro Guimarães que nos deu todo o apoio para que o filme entrasse no contexto de nosso grupo de pesquisa internacional sobre etnicidade, genero e deficiencia.

E como você ver no contexte atual essa questão das matrizes africanas?

Erika Thomas: como uma militancia! Como uma resistencia! Neste periodo de negação e de ocultação da importancia dessas raizes vale lembrar a Historia deste pais: 300 anos de escravidão, 5 milhoes de escravos, o ultimo pais a abolir a escravidão e um pais que destrui os registros dos escravos. Quer dizer, uma tentativa de apagar esta pagina da historia, de apagar esses escravos. Olha, fazer esse documentario foi tão importante para mim que logo depois fiz um teste DNA para conhecer minhas origens etnicas. Fiquei feliz de constatar que até o seculo 18 são negros e indigenas que estão no meu patrimonio. Africanos de origem Bantou. A partir dai, vieram os Europeus. Me orgulho desta percetagem de sangue africano e indigena! E penso que esse documentario foi, com certeza,feito com meus ancestrais! Eles me guiaram! Agora tambem entendi porque adoro a Africa onde ja fui varias vezes!

E quando vocês pretendem voltar a Fortaleza?

Espero estar ai em março ou abril para outro documentario. Um documentario ao mesmo tempo muito pessoal e tambempolitico. Um documentario que interroga sobre a intolerancia atual. Mas isso é outra historia!

Assessoria de Imprensa

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