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Abril Azul, mês que aborda a conscientização do autismo. Neste dia 2 de abril é celebrado o Dia Mundial da Conscientização Sobre o Autismo, data instituída pela ONU. Temos pediatra e psicóloga infantil disponíveis para dar entrevista.

ABRIL AZUL

Autismo: diagnóstico nos primeiros meses de vida é peça-chave do tratamento

Mais incidente em homens, o Transtorno do Espectro Autista (TEC) atinge cerca de 2 milhões de brasileiros, diz ONU. Lembrada com ênfase este mês, a limitação pode ser constatada por atraso do chamado “sorriso social” ou ansiedade, alertam especialistas

Abril é um mês especial para a conscientização acerca do autismo: nele, são celebrados o Abril Azul e o Dia Mundial da Conscientização Sobre o Autismo, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que ocorre sempre no dia 2 de abril. Dados da entidade publicados em 2018 apontam que o Transtorno do Espectro Autista (TEC), mais costumeiro em homens que em mulheres, atinge cerca de 7 bilhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, segundo o órgão, o número chega a 2 milhões. Com o objetivo de desmitificar o autismo e tornar a inclusão de seus portadores uma realidade, poder público e sociedade civil de diversos países do mundo realizam atividades durante este período.

A limitação tem como características principais a dificuldade de uma convivência regida por regras sociais convencionais e a redução da capacidade comunicacional dos portadores. Ainda não é possível afirmar as causas específicas do autismo, há mais de 60 anos objeto de estudo da ciência. Segundo a psicóloga infantil Felícia dos Santos, o isolamento é um potencial alerta do autismo. “Pontos como depressão, dificuldades de socialização, bullying na escola e ansiedade ou fobia sociais são tópicos que pais e responsáveis precisam ficar atentos. Caso eles ocorram, há sinal de que algo não está bem e que é necessário buscar ajuda.”

Não se reconhecer pelo nome, não reclamar ao ser deixado sozinho e ter fisionomia pouco expressiva e comportamentos repetitivos são ocorrentes em pessoas autistas. Dificuldades de coordenação motora e de atenção – bem como problemas fisiológicos, a exemplo de engasgamento, transtornos de sono, distúrbios gastrointestinais, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), dislexia ou dispraxia – são possíveis consequências do autismo.

Diagnóstico: quanto antes, melhor

A pediatra Vanuza Chagas explica que o diagnóstico do TEA é realizado a longo prazo, mas que os sinais costumam manifestar-se já nos primeiros meses de vida do bebê. “O atraso no sorriso social, o desinteresse na face humana, não sustentar o olhar, se sentir mais confortável no berço isolado e irritabilidade quando é ninado pela mãe, entre outros aspectos, podem ser sinais precoces do autismo.” Aos 18 meses, complementa a médica, deve ser investigado qualquer atraso de linguagem verbal ou não verbal, movimentos repetitivos e dificuldades de interagir com outras crianças, por exemplo.

A triagem de uma criança com suspeita de autismo deve acontecer a partir de uma análise clínica de um pediatra, que o encaminhará para equipe multidisciplinar composta por neuropediatra, psiquiatra infantil, fonoaudiólogo, psicólogo e terapeuta ocupacional. “Quanto mais cedo a criança for levada à estimulação, melhor a evolução. Muitas dessas crianças quando estimuladas de maneira célere saem do espectro autista e passam a ter desenvolvimento normal. Então, a busca por profissionais com experiência em diagnósticos do TEA não deve ser adiada”, frisa.

Carinho e atenção também para os pais

Vanuza argumenta que estimular cotidianamente a criança com brincadeiras que favoreçam a socialização é uma das medidas que podem ajudar no tratamento do autismo. Os cuidados psicológicos, esclarece a médica, devem estender-se aos pais, a fim de que eles lidem melhor com o quadro. “A busca por grupos de pais de crianças com TEA também é uma forte aliada, pois nessa troca de experiências eles se fortalecem e buscam, cada vez mais, estratégias para o acompanhamento de seus filhos.”

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