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Pesquisa cearense sobre próteses ortopédicas segue em nova etapa

Pesquisa cearense sobre próteses ortopédicas segue em nova etapa

Estudo realizado de maneira independente pelo ortopedista e traumatologista Rodrigo Asfolti desde 2017 foi apresentado em congresso médico argentino em março último. Durante o evento, o especialista conseguiu apoio para iniciar a segunda das três fases

 

A utilização de ferramentas tecnológicas que vêm transformando o cotidiano da sociedade, e que já se estendem à área da saúde, pode também revolucionar o segmento cirúrgico na traumatologia. É com essa crença que o ortopedista e traumatologista Rodrigo Altolfi segue desde 2017 em pesquisa autoral sobre como tornar cirurgias mais assertivas. O objetivo do médico é, por meio da análise de tomografias, reunir informações mais precisas acerca da estrutura óssea humana. A coleta de dados pretende também servir de base para a confecção de placas ortopédicas que respeitem as especificidades de cada paciente.

 

O estudo, baseado no conceito de cirurgia navegada aplicado à traumatologia, foi tema de apresentação de Astolfi em Buenos Aires, Argentina, no final de março último, durante o XXII Congresso Sul-Americano do Pé e Tornozelo, realizado pela Sociedade Argentina de Medicina e Cirurgia de Pé e de Perna (Samecipp). A pesquisa que deve ser finalizada em 2020 encontra-se em sua segunda fase – a de criação de software que permitirá a consolidação da etapa seguinte: uma análise da estrutura óssea de aproximadamente 1.500 pessoas.

 

“Não é uma pesquisa fácil de tocar. Envolve apoios científico e financeiro. Até o momento, estou custeando todas as despesas. Acredito que o método vai ajudar na excelência das cirurgias traumatológicas.” Astolfi explica que, em todo o mundo, nessa perspectiva, só há estudos nos Estados Unidos e na Alemanha e que eles são vinculados a empresas de placas ortopédicas. No Brasil, pontua o especialista, não há nenhum em desenvolvimento além do seu.

 

Mercado de próteses
Os resultados obtidos com o estudo serão norte para a confecção de próteses, atualmente produzidas, via de regra, com parâmetros genéricos. “Não se pode comparar a estrutura óssea de alguém de dois metros de altura com a de uma pessoa de um metro e meio. No momento da cirurgia, pensando no sucesso dela a na saúde do paciente, essa discrepância faz diferença”, explica o membro da Associação de Cirurgiões de Pé do Brasil (ABTPE) e da The American Orthopaedic Foot & Ankle Society (Aofas).

 

Curso no Chile em agosto de 2019

Vinculado ao Programa de Pós-graduação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Astolfi coordena outra iniciativa: curso de treinamento de médicos brasileiros no Chile, voltado para técnica conhecida como “minimamente invasiva”. As reuniões com a equipe organizadora, composta de médicos chilenos, ocorreu durante o congresso na Argentina. O período de realização do curso ainda será divulgado.