Espaço O POVO

Filosofia, literatura, erotismo, modernidade

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Nos dias 27 e 28 de fevereiro, o Espaço O POVO receberá a professora Eliane Robert Moraes para ministrar o curso “Erotismo, ficção e filosofia”.  As inscrições são gratuitas e já podem ser feitas aqui. Os participantes receberão certificado.

Eliane Robert Moraes 2Eliane Robert Moraes é professora de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP). Entre suas publicações destacam-se diversos ensaios sobre o imaginário erótico nas artes e na literatura, além da tradução da História do Olho de Georges Bataille (Cosac & Naify) e da organização de uma Antologia da Poesia Erótica Brasileira (Ateliê). É autora, dentre outros, dos livros: O Corpo impossível – A decomposição da figura humana, de Lautréamont a Bataille (Iluminuras/Fapesp, 2002) e Perversos, Amantes e Outros Trágicos (Iluminuras, 2013). Atualmente, desenvolve pesquisa sobre o erotismo literário brasileiro.

“Toda a felicidade do homem está na imaginação” – esta frase, proferida por um dos mais lascivos personagens do marquês de Sade, sintetiza a profunda afinidade que une o erotismo à literatura. De fato, se a fantasia é o combustível de toda ficção, a escrita erótica tem por fim a multiplicação das imagens do desejo, operando como um espelho que transforma, deforma e amplia tudo o que nele se reflete. Vertigem, excesso, desmedida – não importa que nome se dê a tal capacidade –, esse é por excelência o traço que distingue o imaginário licencioso.

Daí a dificuldade de se estabelecer diferenças entre o que seria “erótico” ou “pornográfico”, domínios que o senso comum costuma distinguir, equivocadamente, por meio de critérios morais. Cabe lembrar as palavras de Henry Miller num ensaio escrito por ocasião da proibição de seu Trópico de Câncer, em meados dos anos 1930: “não é possível encontrar a obscenidade em qualquer livro, em qualquer quadro, pois ela é tão-somente uma qualidade do espírito daquele que lê, ou daquele que olha”. Para o autor, essa qualidade do espírito estaria intimamente relacionada à “manifestação de forças profundas e insuspeitas, que encontram expressão, de um período a outro, na agitação e nas ideias perturbadoras”.

Tal é a concepção de base que orienta este curso, que visa a apresentar as particularidades constitutivas da literatura erótica, trazendo exemplos da literatura francesa e da brasileira, tendo em vista uma discussão em torno do erotismo literário na contemporaneidade.

Um dos temas do curso será o fenômeno Cinquenta tons de cinza, sobre o qual Eliane escreveu no artigo “Crítica da erótica desbotada”.

 

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