Estrela Polar

Representatividade importa? O emponderamento dos personagens que representam minorias

As polêmicas envolvendo personagens LGBTs com destaque nas mídias parecem ser inevitáveis. Algumas pessoas sem visão ainda não conseguem ver um anúncio de um personagem gay sem perguntar: “Qual o motivo de ter um gay nessa série?”.

Ou personagens negros em filmes de super-heróis parecem ser questionados, e até as heroínas não ganham brinquedos. É por isso estamos aqui pra responder: Essa Representatividade Importa! E muito… Confira a seguir.

Recentemente, a Disney saiu do armário. Depois de transmitir um episódio do desenho Stars com um beijinho entre pessoas do mesmo sexo, a empresa dos sonhos anunciou que no filme A Bela e a Fera teremos um personagem assumidamente gay.

O fato é que alguns homofóbicos deixaram claro que isso era “desnecessário”, e outros até boicotaram a empresa. Mas essa representatividade transforma a vida de muitas pessoas ao redor do mundo.

 

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De acordo com o dicionário ‘Representatividade’ significa “qualidade de alguém, de um partido, de um grupo ou de um sindicato, cujo embasamento na população faz que ele possa exprimir-se verdadeiramente em seu nome.”

Apesar do conceito de viés político, ela se tornou algo muito importante para as minorias. Seja para negros, LGBTs, estrangeiros, deficientes, mulheres, ou qualquer outra minoria, se ver representado em alguma mídia é emponderador.

Olha, mãe! Ela é igual a mim!

As principais impactadas a esse emponderamento são as crianças. Quando pequenos tendemos a ser impactados pelo que vemos e assistimos.

Como exemplo disso, um estudo de 2012, identificou que assistir TV aumentava a autoestima de garotos brancos, e diminuía a de garotos negros e garotas, sendo elas negras ou não.

Será mesmo que num mundo tão diversificado, a TV não conseguia representar pessoas diferentes para as crianças? Isso começou a mudar, agora podemos enxergar personagens diferentes, sem imagens estereotipadas e com experiências diferentes dos homens brancos cisgênero.

Algumas dessas histórias felizes de crianças lindas só confirmam que, realmente, representatividade importa.

Histórias como a do garoto Matias (foto do topo), na época com 4 anos, que amou tanto o boneco do Finn de Star Wars, interpretado pelo ator John Boyega, que passou toda a felicidade pela foto, ao ver sua pele negra e cabelos cacheados representados no boneco.

A atriz Laverne Cox, como outro exemplo, tem um mini-fã de 7 anos de idade que a encontrou num evento. No encontro, M. não hesitou em falar “Eu sou M. E eu sou trans.”, depois de um abraço, a estrela de Orange Is The New Black chegou ao nível do olhar da menininha e disse, “Lembre-se querida, ser trans é lindo”.

Já, o reboot de “Caça-Fantasmas” trouxe um quarteto de mulheres, que mostrou para as meninas que crescer pode ser divertido e empolgante. Leslie Jones, que participou do filme como a engraçada Patty, contou como foi importante para ela, ver na televisão outra mulher negra quando ainda era criança. Essa atriz seria a Whoopi Goldberg.

Já com Whoopi aconteceu exatamente a mesma coisa, mas com Nichelle Nichols da série Star Trek.

“Quando eu tinha 9 anos de idade, ‘Star Trek’ estreava. Eu olhei e saí gritando pela casa: ‘Vem, mãe, todo mundo, venham rápido. Há uma mulher negra na televisão e ela não é a empregada!’ Eu soube desde então que eu podia ser o que eu quisesse”.

Esse sentimento transformador é onde reside o poder da Representatividade.

Representatividade é importante para ambos os lados

Os personagens da vida real entraram de cabeça nas mídias. Negros, Mulheres e LGBTs tem destaque nas séries de super-heróis da DC, assim como no fenômeno The Walking Dead. Atores e atrizes agora podem levantar a bandeira do ativismo.

Seja Viola Davis e seu discurso feminista e a favor dos negros; ou a muito mais leve (fora do armário) Kristen Stewart falando sobre bissexualidade. A liberdade agora é como ar fresco, depois de tanto tempo fingindo que essas pessoas não mereciam estar em destaque.

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O certo é que essa representatividade mostra como o mundo social é diferente. E como pode ser simples conviver com todos ao nosso redor. Que não há problemas em compartilhar nosso mundo e reconhecer as várias vozes da nossa sociedade.

O site Dois de Oito tem um artigo lindo, que foi uma grande referência para o nosso. Então podemos terminar com uma frase que responde o título do artigo:

Se ver representado (bem representado) na mídia e no entretenimento é empoderador, pois valida a nossa existência, amplia nossas noções do que podemos ser e fazer, e desafia aquela implicação sutil de que temos menos importância.

Além disso, representatividade na mídia pode ser um meio de dar espaço e voz para as minorias que não conseguem se fazer ouvir na vida real, ou mesmo que são fortemente incompreendidas e hostilizadas (como pessoas trans, por exemplo).

A mídia oferece um ambiente seguro para que essas vozes alcancem “a maioria” e se tornem mais aceitas. (Dois de Oito)

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