Fala, Isa!

Confira entrevista com o ator Sergio Guizé, o Gael em “O Outro Lado do Paraíso”

Sergio Guizé (Foto: Divulgação)

Ator, cantor, compositor e artista plástico. Aos 37 anos, Sergio Guizé interpreta um dos papéis mais complexos da televisão na atualidade. Na pele de Gael, em O Outro Lado do Paraíso, novela das 21 horas assinada por Walcyr Carrasco, ele encara o desafio de viver, pela primeira vez, um vilão, e de ter seu personagem aceito pelo público noveleiro.

Em entrevista ao blog, o ator falou sobre o desafio de interpretar seu primeiro vilão. Confira!

Blog: Sobre o Gael, o que você acha do personagem?

Sergio: O Gael é um personagem incrível, estou encantado por ele, é muito difícil de fazer, é um cara rico, de uma família que tem muito poder em Palmas, que não se sabe como eles conseguiram esse poder, essas terras, nem tudo é legal. E ele acabou sendo vítima dessa cultura da impunidade, da criação para ser o homem da família, mas tem umas fraquezas e a partir do momento que ele conhece o amor pela Clara, personagem defendido brilhantemente bem pela Bianca Bin, ele muda a trajetória dele, vai fazer de tudo para viver esse amor, essa história. É um personagem muito interessante, muito bonito.

Blog: Você acha que ele deve pagar pelo que fez contra Clara? Considera crime?

Sergio: Gael tem que pagar pelos erros, o que ele fez é crime. Sim, tem que ir para a cadeia e cumprir pena. Acredito muito na redenção do personagem, mas primeiro tem que pagar pelo que fez. Tem de pagar pelo crime, passar por isso para poder voltar a viver em sociedade do jeito que todo mundo vive.

Blog: O que acha sobre “O Outro Lado do Paraíso” expor um problema tão presente na sociedade? Considera importante?

Sergio: Eu acho que esse assunto vem pairando o inconsciente coletivo da sociedade há muito tempo, mas continua sendo tratado quase como um tabu. Ao explorar esse assunto, a novela nos faz pensar diariamente nele. Estamos aprofundando e deixando evidente a força do movimento e a consciência de seus direitos.

Blog: Você acha que o debate sobre agressão pode levar mulheres que vivem isso na pele a denunciarem?

Sergio: A discussão na trama vai além das agressões sofridas pela protagonista. A mulher precisa dos seus diretos urgentemente, porque a gente é muito atrasado em relação a isso. Está na hora da igualdade, em todos os sentidos.

Blog: Você tem fé em um futuro melhor para o Brasil?

Sergio: Sim tenho fé, acredito que o Brasil pode ser tão grande quanto às suas dimensões, quando ele não for comandado por bandidos (doentes egocêntricos) para podermos ter uma educação de qualidade e formar profissionais (de todas áreas) honestos e competentes.

Blog: Como foi o início de sua carreira na TV?

Sergio: Um produtor de elenco assistiu a peça ” Crime e castigo” e me convidou para fazer o Guilherme em “Da Cor do Pecado” 2003/04.

Blog: Além de atuar você também canta, toca e compõe. Como funciona sua carreira na música? Consegue conciliar com as gravações da novela?

Sergio: Sempre conciliei, a música, as artes plásticas, a interpretação tá tudo junto e misturado, acho que tem que ser coerente nesse sentido. Enfim, levo a vida assim mesmo, a vida está para arte assim como a uva está para o vinho (Meyerhold) então elas vão se misturando, aparece uma música que tem a ver com um personagem que tem cores e acabo fazendo uma tela, geralmente as telas tem a ver com os momentos que eu estou vivendo, o lugar que eu estou vivendo, o personagem que eu estou fazendo, a música que eu estou tocando, enfim elas se misturam e é bom isso na minha opinião.

Blog: Como você se sente após as gravações de um personagem tão agressivo? Te desgasta?

Sergio: Para criar o Gael, fico buscando coisas que, às vezes, a gente não quer mexer. É difícil lidar com este mundo que o personagem traz, com a bipolaridade dele. Saio exausto das cenas.

Blog: Sobre o papel, você teve medo de aceitar? Surgiu medo da rejeição dos telespectadores?

Sergio: Não tive medo de aceitar o papel. Topei de cara porque confio muito no trabalho do Walcyr. No começo falei ‘nossa, mais um desafio’. Encaro Gael como um instrumento de discussão, para levantar esse assunto, que é quase um tabu. A coisa não está boa há muito tempo. Tento fazer de verdade, tirar não sei de onde essas referências, essas histórias, para transformar em arte, porque é bem difícil defender um criminoso. Acho que Gael vai passar por essa transformação de saber que os erros podem ter consequências graves. Ele vai começar a entender que pode fazer parte da sociedade de outra forma.

Blog: A repercussão do personagem é positiva ou negativa? Você é procurado por pessoas que vivem na pele o caso de Clara? Tudo muito positivo, transformador.

Sergio: Na rua (mulheres) já me falaram do assunto meio por cima, super com vergonha, ”olha o meu ex era bem Gael, muito possessivo, bem ciumento”. Também um homem veio me falar de uma situação de estupro que a namorada viveu com o ex. As pessoas passam por isso por anos. Dói muito ter que mexer com isso e colocar para fora de um jeito transformador em arte. Falar de realidade com um pouquinho de poesia é difícil, mas vale a pena, tem um bem social. E acho que é isso que vem acontecendo, isso é a força do movimento feminista, a legitimidade dos seus direitos.

Blog: Como se deu o início da sua carreira no teatro?

Sergio: Fui para São Paulo fazer teatro, também fiquei no ABC atuando com alguns grupos. Pesquisei, fiz teatro infantil, teatro na rua, em escolas, empresas, trabalhei com o meu palhaço” Guizélino ” em lojas , festas … fiz coisas interessantes da dramaturgia brasileira, inglesa, latina e da literatura russa, viajei para festivais, trabalhei com grupos como Os Satyros, Teatro da Vertigem, Grupo Cemitério de automóveis.Acabei cursando Artes Plásticas na Fatea e Cênicas na Faculdade Paulista de Arte, fizemos várias montagens, mas não consegui me formar. Aliás, minha turma tinha mais de 40 alunos e só três se formaram, um deles era o Anderson Di Rizzi (o Juvenal de O Outro Lado do Paraíso). Foi muito bacana passar por tudo isso, mas diploma mesmo eu não tive.

Blog: Antes de se descobrir como ator, o que você fazia da vida? Com o quê trabalhava?

Sergio: Quando adolescente eu tentava trabalhar nas coisas e não dava certo. Eu não me encaixava mesmo. Tentei em restaurante, em loja de roupa, fiz muita coisa e tudo durava duas, três semanas, poucos meses . Achava que eu era azarado, meus amigos todos saindo, tendo seu próprio dinheiro, e esse maluco aqui fazendo teatro em um lugar como esse que era super difícil.

Blog: Você têm aceitação da família com o personagem?

Sergio: Meus pais sempre me acompanham. Popularmente falando, Gael é meu personagem menos bacana, mas eles me viram muito no teatro, onde fiz muita coisa pesada também. Meus pais entendem o lado artístico.

Blog: Em várias entrevistas diferentes, você se considera uma pessoa tímida.

Sergio: Já fiz peça para mais de duas mil pessoas e não consigo dar palestra para três.

Blog: O que você faz nas horas livres? Pratica algum esporte?

Sergio: Nas horas vagas eu pinto, dou uma volta com meu cachorro, toco meu violão, jogo futebol e estou fazendo boxe, curto receber os amigos em casa.

Blog: Após o início da trama, surgiu o boato de um possível romance entre você e a atriz Bianca Bin, com quem contracena, já que você está solteiro.

Sergio: Não estamos namorando. Somos amigos de antes da novela.

Sergio Guizé (Foto: Divulgação)

Sergio Guizé (Foto: Divulgação)

Sergio Guizé (Foto: Divulgação)

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